Conexão Brasil                                                      janeiro de 2007
 

 

Notícias de Puna


O Osho Conexão Brasil volta a apresentar, durante alguns meses, notícias diretamente do Resort de Meditação do Osho, em Puna. O nosso amigo Ansu que já nos brindou com algumas matérias recentemente, relata sua experiência na visita que ora faz à comuna do Osho na Índia. Eis o seu primeiro artigo, após retornar a Puna. 

 

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Primeiras Impressões

       As matérias anteriores sobre Puna foram mais fáceis de escrever do que esta. Talvez porque agora, pela primeira vez, escrevo a partir do Osho Meditation Resort, enquanto que antes eu escrevia sobre recordações da minha última estada por aqui. Retratar o momento em palavras parece-me bem mais difícil porque elas nunca parecem transmitir o suficiente.

      Cheguei no início de dezembro, época em que a maior parte das pessoas começa a chegar para a chamada “alta estação”, de dezembro a fevereiro. Ao longo do mês, a cada dia havia um grande grupo de pessoas chegando, culminando com o período do Ano Novo, celebrado com uma grande festa ao ar livre.
     
Há bem mais brasileiros do que no ano passado, provavelmente devido ao dólar mais barato. Em compensação, os preços do Resort subiram bem mais do que a inflação indiana, reforçando o sentimento de muita gente de que este lugar não é mais um ashram ou uma comuna, mas realmente um resort. Apesar disso, continuo achando que é um lugar maravilhoso para estar se a gente aprende a ver aquilo que está acontecendo no momento, ao invés de comparar com o que já foi ou com o que achamos que deveria ser.
     
Reconheço muitas faces familiares de vários anos atrás, mas também vejo muitas pessoas que estão chegando pela primeira vez ou que começaram a vir mais recentemente. Algumas destas parecem não se encaixar ou não se sentir muito à vontade, enquanto que outras parecem “embarcar na onda” logo que chegam. De certa forma, contrastes, opostos aparentemente conflitantes, altos e baixos sempre estiveram presentes por aqui. Vejo, vivo e sinto situações que me transportam imediatamente para o mesmo espaço interior que vivi alguns atrás quando Osho estava fisicamente presente e, às vezes, sinto um espaço bem diferente. Sob muitos aspectos não é mais realmente um ashram centrado na figura do Mestre. As fotos do Osho, outrora presentes em toda parte, não mais são vistas em lugar algum. Entretanto, a sua visão e orientação parecem continuar presentes nos grupos de terapia, nas meditações e no Evening Meeting (Encontro Noturno), que antes tinha o pomposo e esotérico nome de Encontro da Fraternidade dos Robes Brancos.
     
Outra coisa que mudou foi o Sannyas Celebration, a celebração onde os novos discípulos do Osho recebem a iniciação, adotando um novo nome. Este nome era escolhido pelo próprio Osho e, mais tarde, por alguns de seus, digamos assim, “representantes”. Agora o nome de sannyas perdeu um pouco de seu mistério. Você pode simplesmente escolher o seu nome numa lista. A história do mala, o colar de contas com a foto do Osho, também está diferente. Agora não mais se recebe o mala durante a iniciação e ele sequer está disponível para ser adquirido no Resort. Quem quiser usá-lo, deve adquiri-lo em alguma loja no lado de fora. Os tempos de mistério e esoterismo talvez tenham se esgotado, o que leva muitas pessoas a buscar experiências “místicas” nas mãos das dezenas de supostos “iluminados” que pululam em Puna, no Brasil e na Europa e se multiplicam como cogumelos, que crescem da noite para o dia, à sombra da grande árvore que Osho deixou plantada.
     
A cerimônia de iniciação tornou-se mais simples. Depois de iniciar com música ao vivo bem vibrante, todo mundo dança, depois faz-se silêncio e as pessoas que receberão o sannyas são chamadas em grupos de 5 ou 6 para sentar no centro do auditório em forma de pirâmide. São tocados trechos de discursos do Osho onde ele fala sobre o significado do sannyas, seguidos de alguns minutos de silêncio e então música suave. Neste momento, os amigos de cada pessoa que recebe a iniciação sentam-se ao seu redor numa calorosa acolhida. A música segue num crescendo até que todos se levantam e recomeçam a dançar. 
     
O que mais me impressiona é que, apesar da simplicidade da cerimônia, uma incrível energia amorosa parece preencher todo o auditório, emocionando, tocando todos os corações. Observo tantas pessoas de origens tão diversas, de todas as idades, rindo, pulando e dançando de uma forma tão genuína e inocente, como crianças tomadas de uma alegria incontida. Lágrimas de alegria me correm pela face, um calor no peito, uma suavidade silenciosa me percorre todo o corpo. Se eu não fosse cético, chegaria a acreditar que, nestes momentos, uma luz amorosa parece descer do topo da pirâmide envolvendo todo o auditório num cone de luz amorosa, como se o próprio Osho estivesse presente aqui mais uma vez.

                                                                                          Ansu    

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