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Conexão
Brasil
janeiro
de 2006 |
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A
Verdade Pura
“O
primeiro sutra.
Janak
perguntou: 'Oh Senhor, como se alcança a sabedoria? E como
acontece a libertação? E como o desapego é alcançado? Por
favor, fale-me isto.'
‘Fale-me, Oh Senhor.
Por favor, explique isto a mim.’ O rei Janak diz a um garoto de
doze anos, ‘Oh Senhor, Bhagwan. Por favor, explique. Dê alguma
compreensão a uma pessoa sem conhecimentos como eu. Desperte uma
pessoa ignorante como eu.’
Três questões foram
perguntadas.
Como se alcança a
sabedoria? Naturalmente, nós podemos querer saber: por que
ele precisava perguntar? Existem livros repletos dessas coisas.
Janak também sabia disto.
Não é de sabedoria
que os livros estão repletos. Estão repletos apenas da poeira
que a sabedoria deixa para trás, das cinzas. Quando a chama da
sabedoria queima, cinzas são deixadas para trás. As cinzas vão
se acumulando e tornam-se escrituras. Os Vedas são cinzas; um dia
eles foram carvoeiros queimando. Sábios védicos queimaram-nos em
suas almas e as cinzas foram deixadas para trás. Depois as cinzas
foram recolhidas, compiladas e organizadas sistematicamente.
Da mesma forma como as
pessoas recolhem as cinzas e os ossos depois que o corpo de um
homem é cremado. Eles chamam aquilo de ‘flores’. As pessoas são
muito estranhas. Elas nunca chamaram o homem de flor enquanto ele
estava vivo, mas depois da cremação, elas recolhem os seus ossos
dizendo que estão recolhendo as flores. Elas os conservam,
guardando-os numa urna. Enquanto o homem estava vivo, ele nunca
foi respeitado como uma flor; enquanto ele estava vivo, nunca
olharam para ele como uma flor.Depois que ele morre, chamam seus
ossos e cinzas de flores. O ser humano é insano!
Da mesma maneira,
quando um Buda está vivo, você não o ouve. Quando um Mahavira
caminha entre vocês, vocês ficam com raiva. Parece que este
homem está destruindo os seus sonhos ou está interferindo em seu
sono: ‘isto é hora de se acordar? Justo na hora em que meu
sonho estava começando a se tornar real, justo na hora em que o
sucesso estava entrando em minha vida, quando as minhas chances
estavam melhores, quando a flecha estava acertando o alvo – vem
este camarada dizer agora que tudo isto é sem significado!
Exatamente quando eu venci as eleições e o caminho para chegar
ao poder estava aberto, aparece esse grande homem e diz que tudo
era um sonho, que nada significava, que a morte virá e levará
tudo. Não me fale isto! Quando a morte vier, nós veremos, mas não
me venha trazer estas coisas agora.’
Mas quando Mahavira ou
Buda morre, nós recolhemos todas as suas cinzas. Nós criamos o
Dhammapada, nós criamos os Vedas com as cinzas e depois os
cultuamos oferecendo flores.
Janak também sabia
que as escrituras estavam repletas apenas de informações. Mas
ele perguntou, Como se alcança a sabedoria? – porque não
importa o quanto você sabe, não é assim que se alcança a
sabedoria. Você pode continuar reunindo mais e mais
conhecimentos, aprendendo as escrituras com devoção, tornando-se
papagaios, memorizando todos os sutras, deixando que os Vedas
completos sejam impressos em sua memória – mas ainda assim não
haverá sabedoria. Como se alcança a sabedoria? Como acontece
a libertação? Ele pergunta porque o que chamamos sabedoria,
conhecimento, na verdade nos amarram; como isto pode ser libertação?
Sabedoria é aquilo que liberta. Jesus disse: ‘A verdade o
libertará’. Sabedoria é aquilo que liberta – este é o critério
da verdade. Os eruditos não parecem estar libertos, mas sim
escravizados. Eles falam sobre libertação, mas não parecem ser
livres. Eles parecem estar amarrados com mil correntes.
Você já observou: as
pessoas chamadas religiosas parecem estar mais escravizadas que
você. Você pode ter um pouco de liberdade, mas os seus santos são
mais presos que você. Eles são simples seguidores cegos da tradição.
Eles não podem se movimentar livremente, eles não podem
sentar-se livremente, eles não podem viver livremente. (...)
Janak perguntou: Como
acontece a libertação? O que é libertação? Explique-me
a sabedoria que liberta.
Liberdade é o mais
importante anseio do homem. Consiga tudo, mas se você não for
livre, ficará uma dor. Alcance tudo, mas se a liberdade não for
alcançada, você nada alcançou.
O homem quer o céu
aberto, sem limites. Este é o anseio mais profundo do homem, o
anseio mais secreto: um espaço onde não existem limites, sem
barreiras. Você pode chamar isso de anseio por se tornar divino,
anseio por moksha, libertação. Em sânscrito, nós
escolhemos a palavra certa, moksha. Uma palavra tão amorosa não
existe em nenhuma outra língua. Existem palavras como céu, paraíso,
mas tais palavras não têm a melodia de moksha. Moksha tem uma música
sem igual. Ela simplesmente significa uma liberdade tão
definitiva, que não há qualquer barreira; uma liberdade
absolutamente pura e sem limites.
Janak
perguntou: ...Como acontece a libertação? E como o desapego é
alcançado? Oh Senhor, por favor, fale-me isto.
Ashtavakra deve ter
olhado com atenção para Janak,
porque isto é a primeira coisa que um mestre faz quando alguém
lhe formula uma pergunta. Ele observa atentamente: De onde esta
pergunta surgiu? Por que a pessoa formulou tal pergunta? A
resposta do mestre só pode ser significante se ele compreender
claramente porque a pergunta foi formulada.
Lembre-se: uma pessoa
que alcançou a verdade, um mestre, não responde à sua pergunta.
Ele responde a você.
Ele não se importa
muito com o que você pergunta, ele está mais interessado em
saber por que você perguntou, o que está por trás da pergunta, o
complexo escondido no inconsciente, qual desejo está realmente
escondido por trás da tela de sua pergunta.
Existem quatro tipos
de pessoas no mundo: o sábio, o buscador, o ignorante e o idiota.
E existem quatro tipos de perguntas. A primeira pergunta é sem
palavras, é a pergunta do sábio, do gyani, daquele que
sabe. Na verdade, a pergunta de um sábio não é uma pergunta.
Ele sabe, nada ficou sem saber. Ele já alcançou, a mente
tornou-se clara e calma. Ele chegou em casa, ele chegou ao estado
de relaxamento.
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Existence - Osho Zen Tarot
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Assim, a pergunta de
um gyani não é uma pergunta. Isto não significa que ele não
esteja pronto para aprender. Um gyani se torna simples, como uma
criança; ele está sempre pronto para aprender. Quanto mais você
aprende, mais a prontidão para aprender aumenta. Quanto mais
você se torna simples e inocente, mais você se abre ao
aprendizado.O vento chega e encontra a sua porta aberta. O sol
chega e não precisa bater na porta. A existência chega e o
encontra sempre disponível.
Um gyani não
coleciona conhecimentos, ele simplesmente tem a capacidade de
conhecer. Compreenda isto bem, porque será útil para você.
‘Gyani’ simplesmente significa aquele que está totalmente
aberto para aprender, aquele que não tem qualquer
prejulgamento, aquele que não tem qualquer amortecedor contra o
aprendizado, aquele que não tem qualquer sistema ou estrutura
de conhecimento montado previamente. Um gyani significa um dhyani,
aquele que é meditativo.
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Ashtavakra deve ter
observado cuidadosamente, olhado dentro de Janak e visto que
aquela pessoa não era um gyani, ele não havia atingido a meditação,
caso contrário, a sua pergunta teria sido silenciosa, não
haveria palavras nela. (...)
Ashtavakra deve ter
olhado cuidadosamente.
Quando você vem a mim
e pergunta alguma coisa, você é uma pergunta mais importante do
que o que você perguntou. Algumas vezes você pode perceber que
eu respondi a uma pergunta que você não formulou. E talvez você
pode até mesmo perceber que eu evitei a sua pergunta, deixei-a de
lado e respondi alguma outra coisa. Mas para mim, a sua
necessidade interna é sempre mais importante, o que você
pergunta não é importante, porque você não sabe realmente o
que está perguntando nem porque está perguntando. A resposta é
dada somente para a sua necessidade, nada na resposta é definido
pela sua pergunta.
Ashtavakra deve ter
visto que Janak não era um gyani. Seria ele ignorante então? Não,
ele também não era ignorante, pois a pessoa ignorante é
arrogante, ela se levanta cheia de orgulho. Ela não sabe nem
mesmo como curvar-se em reverência, e este homem curvou-se aos
seus pés, prostrou-se totalmente aos pés de um garoto de doze
anos. Isto é impossível para um ignorante. O ignorante pensa que
já sabe. Quem vai lhe explicar alguma coisa? Se uma pessoa
ignorante pergunta, é apenas para provar que você está errado,
porque o ignorante presume que ele já sabe e só quer ver se você
também sabe ou não. A pessoa ignorante pergunta para testá-lo.
Ashtavakra deve ter
pensado, ‘Não, os olhos de Janak são muito claros. Embora ele
seja um rei, ele perguntou-me, a um desconhecido, a um garoto de
doze anos, ‘Oh Senhor, por favor, explique-me...’ Não, ele é
humilde, ele não é ignorante. Seria ele um idiota? Idiotas nunca
perguntam. Idiotas nem têm a idéia de que existe algum problema
na vida.’
Existe uma semelhança
entre os idiotas e os iluminados. Para os iluminados, nenhum
problema permanece; para os idiotas nenhum problema sequer surgiu.
Os iluminados foram além dos problemas; os idiotas nem entraram
neles. Os idiotas são muito inconscientes, como podem formular
perguntas? É impossível um idiota perguntar ‘O que é
sabedoria?’, ou ‘O que é libertação?’ ou ‘O que é
desapego?’
E se um idiota
perguntar, ele perguntará como satisfazer suas paixões, como
prolongar a sua vida. Libertação? Não, um idiota perguntará
como tornar as suas correntes douradas, como colocar diamantes em
suas correntes.Se um idiota pergunta, serão tais coisas.
Sabedoria? Um idiota não consegue imaginar que sabedoria possa
existir. Ele não consegue aceitar nem mesmo a possibilidade. Ele
dirá, ‘O que é sabedoria?’ Um idiota vive como um animal.
Não, Janak não é um
idiota. Ele é um mumukshu, um buscador da verdade. A
palavra ‘mumukshu’ precisa ser entendida. Mumukshu é o desejo
por libertação, o desejo por moksha.
Ele ainda não alcançou
a libertação, ele não é um gyani. Ele não está de costas
para a libertação, ele não é um idiota. Ele não está preso a
quaisquer idéias tradicionais a respeito de libertação, ele não
é um ignorante. Ele é um mumukshu. Mumukshu significa que a sua
pergunta é simples e direta. Ela nem está corrompida por
idiotices nem distorcida por preconceitos ignorantes. Sua pergunta
é pura, ele pergunta com uma mente inocente.
Ashtavakra
respondeu: Oh amado, se você quiser libertação, então renuncie
à paixão como veneno, e tome o perdão, a inocência, a compaixão,
o contentamento e a verdade como néctar.
...
se você quiser libertação, então renuncie à paixão como
veneno. A palavra vishaya,
paixão, é muito significante. Ela é derivada de visha,
veneno. Visha significa uma substância que se alguém comer,
morre. Vishaya significa aquilo que se consumirmos, morreremos
repetidas vezes. Com paixões nós morremos repetidas vezes. Com
comida nós morremos repetidas vezes; com ambições, raiva, ódio,
inveja; consumindo estas coisas nós continuaremos morrendo
repetidas vezes. Nós temos morrido repetidas vezes por causa
dessas coisas.
Até agora nós não
temos realmente conhecido a vida através do viver, nós temos
conhecido somente a morte. Até agora em nossa vida, onde está a
tocha flamejante da vida? O que existe é apenas a fumaça da
morte. Desde o nascimento até a morte, nós estamos morrendo aos
poucos. Nós estamos vivendo? Nós morremos a cada dia. O que nós
chamamos vida é um contínuo processo de morte.
Nós ainda não
conhecemos a vida. Como nós podemos estar vivendo? O corpo
continua se enfraquecendo a cada dia, a força continua diminuindo
a cada dia. O divertimento e a paixão continuam chupando nossa
energia a cada dia, continuam nos envelhecendo. Paixões e desejos
são como buracos, e a nossa energia e o nosso ser se esgotam
através deles. No final, o nosso balde está vazio. Isto é o que
nós chamamos morte.
Você já observou? Se
você atira um balde cheio de buracos dentro do poço, assim que
ele afunda na água, parece que ele está cheio. Puxe a corda e
levante o balde para fora da água e imediatamente ele começa a
se esvaziar. Isto cria uma grande comoção. É isto que você
chama vida? Caindo correntes de água. É isto que você chama vida? E na medida em que o balde se aproxima de suas mãos, ele
se torna cada vez mais vazio. Quando ele chega às suas mãos, ele
está vazio. Não há mais uma gota-d’água sequer. Assim é a
nossa vida.
Uma criança, antes de
nascer, parece estar cheia. Basta nascer e ela começa a se
esvaziar. O primeiro dia de nascimento é o seu primeiro dia
morrendo. Ela começa a se esvaziar: um dia morto, dois dias
mortos, três dias mortos. O que você chama de aniversário, data
do nascimento, deveria ser a data de sua morte. Estaria mais próximo
da verdade. Você morreu por um ano e diz que um ano de vida
aconteceu. Você tem morrido por cinqüenta anos e diz que viveu
cinqüenta anos. ‘Vamos celebrar minhas bodas de ouro’. E você
morreu por cinqüenta anos. A morte está se esboçando cada vez
mais enquanto a vida está retrocedendo: o balde está se
esvaziando. Você baseia o seu conceito sobre a vida naquilo que
está retrocedendo ou naquilo que está se esboçando cada vez
mais? Que tipo de inversão aritmética é esta? Nós estamos
morrendo a cada dia, a morte se aproxima rastejando.
Ashtavakra diz que
paixões são venenosas porque cedendo a elas nós simplesmente
morremos. Nós nunca conseguiremos vida alguma através delas.
Ashtavakra
respondeu: Oh amado, se você quiser libertação, então renuncie
à paixão como veneno, e tome o perdão, a inocência, a compaixão,
o contentamento e a verdade como néctar.
Néctar significa
aquilo que dá vida, aquilo que dá imortalidade, ambrosia –
aquilo que quando alguém encontra, não morre jamais.
Então o perdão. A
raiva é veneno. Perdão é ambrosia.
Inocência. Astúcia
é veneno. Simplicidade, inocência é néctar.
Compaixão.
Insensibilidade, crueldade é veneno. Bondade, compaixão é néctar.
Contentamento. O verme
do descontentamento segue devorando tudo. O verme do
descontentamento se aloja no coração como um câncer. Ele
continua penetrando internamente e espalhando veneno.
Contentamento. Satisfação
com aquilo que é, sem desejo por aquilo que não é. Aquilo que
é, é mais do que suficiente. Aquilo que é, é mais do que
necessário. Abra seus olhos um pouco e veja.
Não é preciso impor
contentamento na vida. Se você olhar atentamente, descobrirá que
o que você tem é mais do que o que necessita. Você continua
recebendo aquilo que você quer, você sempre obteve aquilo que
você quis. Se você quis infelicidade, você obteve infelicidade.
Se você quis felicidade, você obteve felicidade. Se você quis
algo errado, você obteve. Os seus desejos modelaram a sua vida.
O desejo é a semente
e a vida é a sua colheita.
Vida após vida você
tem obtido aquilo que você deseja. Muitas vezes você acha que
desejou uma coisa e recebeu outra. O erro não está naquilo que
desejou, você apenas escolheu uma palavra errada para aquilo que
desejou. Por exemplo, você quer sucesso e obtém fracasso. Você
diz que você fracassou porque o que você queria era o sucesso.
Mas aquele que desejou o sucesso já aceitou o fracasso.
Internamente ele estava com medo do fracasso. Por causa da
possibilidade do fracasso, ele desejou o sucesso. E sempre que ele
deseja o sucesso, a idéia do fracasso surge; a idéia do fracasso
continua se fortalecendo. Algumas vezes ele será bem sucedido mas
é certo que passará a sua jornada pela vida enfrentando
fracassos após fracassos. A sensação de fracasso continua se
aprofundando. Ela se aprofunda tanto que um dia ela se manifesta.
Então você reclama que você queria o sucesso. Mas ao querer o
sucesso, você pediu pelo fracasso.
Lao Tzu disse,
‘Deseje o sucesso e você fracassará. Se você realmente quer o
sucesso, nunca peça por ele. Então ninguém poderá fazê-lo
fracassar.’
Você diz que queria
respeito mas está recebendo insultos. A pessoa que quer respeito
não tem respeito por si mesma, mas quer o respeito dos outros.
Aquele que não tem respeito por si quer que os outros tenham,
para esconder esta sua falta de respeito por si. Esse desejo de
respeito é o sinal de que internamente você sente desrespeito para
consigo mesmo. Você tem uma sensação de que é um nada. Os
outros devem fazer alguma coisa por você, colocá-lo num trono,
hastear bandeiras para você, levantar bandeiras em seu nome. Os
outros devem fazer alguma coisa. Você é um mendigo. Você já
tinha se insultado quando pediu respeito. E este insulto
continua se aprofundando.
Lao Tzu diz, ‘Ninguém
pode insultar-me, porque eu não quero respeito’. Isto é alcançar
o verdadeiro respeito.
Lao Tzu diz, ‘Ninguém
pode me derrotar porque eu abandonei a idéia de vencer. Como você
pode me derrotar? Você só pode derrotar aquele que quer
vencer.’ Isto é um fato estranho.
Neste mundo, aqueles
que não pedem respeito, recebem-no. Aqueles que não pedem sucesso, obtém-no, porque aqueles que não pedem
sucesso,
já aceitaram que eles são bem sucedidos. Que sucesso maior você
vai querer? Você já é respeitado pelo seu ser interno. O que
mais você vai querer? A existência já lhe deu respeito ao lhe
dar o nascimento. O respeito de quem mais você vai querer? A
existência já lhe deu glória suficiente. Ela lhe deu a vida.
Ela abençoou-o dando-lhe os olhos. Abra-os e veja essas árvores
verdes, as flores e os pássaros. Ela lhe deu os ouvidos. Ouça a
música, o som de uma cachoeira. Ela lhe deu consciência e assim
você pode se tornar um Buda. O que mais você vai querer? Você já
foi honrado. A existência já lhe deu o certificado. A quem você
está, como um mendigo, pedindo um certificado? Àqueles que estão
pedindo um certificado a você?
Esta é uma situação
muito hilariante. Dois mendigos, cara a cara, um pedindo ao outro.
Como você pode obter alguma coisa? Ambos são mendigos. A quem
você está pedindo respeito? Diante de quem você está de pé?
Desta maneira, você está se insultando. E este insulto
se aprofundará.
Contentamento
significa: Olhe para o que você já tem! Abra os seus olhos um
pouco e veja o que você já obteve.
Esta é uma chave
extremamente valiosa que Ashtavakra está nos dando. Aos poucos
isto irá se tornar claro para você. A visão de Askavakra é
muito revolucionária, sem igual. Sua revolução é desde a própria
raiz.
...
Tome ...o contentamento e a verdade como néctar.
Porque aquele que vive em falsidade tornar-se-á ainda mais falso.
Aquele que mente, que vive em mentiras, naturalmente estará
rodeado por mentiras. Sua conexão com a vida será quebrada, suas
raízes serão cortadas.
Você quer estar enraizado na existência? As raízes somente serão possíveis
através da verdade. Você só consegue estar conectado à existência
através da autenticidade e da verdade. Você quer ser cortado da
existência? Então crie uma tela esfumaçada de mentiras, crie
grandes nuvens de mentiras ao seu redor. Quanto mais falso você
se tornar, mais distante você estará da existência.
Você
não é terra, nem ar, nem fogo, nem água, nem éter. Para alcançar
a libertação, conheça a si mesmo como consciência de todas
essas coisas, testemunhando.
Esta declaração é tão
imediata, nem sequer tem uma introdução. Ashtavakra proferiu
duas sentenças diretas e chegou à meditação. Ele começou a
falar sobre samadhi, sobre meditação profunda. Aquele que
sabe só dispõe do samadhi para compartilhar. Primeiro ele disse
duas sentenças porque se ele tivesse começado imediatamente a
falar sobre samadhi, talvez você ficasse assustado demais para
entender. Por isso as duas sentenças e, imediatamente após, ele
já está falando sobre samadhi.
Ashtavakra nem mesmo dá
os sete passos. Buda deu sete passos e no oitavo, o samadhi.
Ashtavakra nos traz o samadhi já no primeiro passo.
Você
não é terra, nem ar, nem fogo, nem água, nem éter..
Permita-se relaxar nesta verdade...
Para
alcançar a libertação, conheça a si mesmo como consciência de
todas essas coisas, testemunhando.
A testemunha é a
chave. Não existe chave alguma mais valiosa que esta.
Seja o observador. O
que acontecer, deixe que aconteça. Não há qualquer necessidade
de interferir. O corpo é composto por terra, ar, fogo, água e éter.
Você é a lâmpada interna pela qual tudo isso – terra, ar,
fogo, água e éter – são iluminados. Você é o observador.
Entre profundamente nisto.
...
conheça a si mesmo como consciência de todas essas coisas,
testemunhando.
Este é o mais
importante sutra na existência. Seja uma testemunha. A sabedoria
acontecerá através disto. O desapego acontecerá através disto.
A libertação acontecerá através disto. As perguntas eram três,
mas a resposta é uma.
Se
você puder separar-se do corpo físico e descansar em consciência,
então neste exato momento você será feliz, em paz e livre da
escravidão.
...Neste exato
momento! É por isto que eu digo que isto é uma revolução
desde a raiz. Patanjali não é tão corajoso para dizer, ‘Neste
exato momento.’ Patanjali diz, ‘Pratique disciplina interna e
externa. Pratique o controle da respiração, volte-se para dentro
e posturas de yoga. Purifique-se. Isto levará inumeráveis vidas,
e depois a iluminação. ..’
Mahavira diz,
‘Pratique os cinco grandes votos. E quando inumeráveis vidas
tiverem passado, o descondicionamento acontecerá, a purificação
acontecerá. Então os vínculos do karma serão cortados.’
Ouça Ashtavakra:
Se
você puder separar-se do corpo físico e descansar em consciência,
então neste exato momento você será feliz, em paz e livre da
escravidão.
Exatamente aqui,
exatamente agora, neste exato momento, Se
você puder separar-se do corpo físico e descansar na consciência...
Se você começar a ver o fato,
.’Eu não sou o corpo, eu não sou o fazedor nem o que
desfruta a vida: sou aquele escondido dentro de mim que vê
tudo... Quando a infância veio, ele viu a infância; quando a
juventude veio, ele viu a juventude; quando a velhice veio, ele
viu a velhice. A infância não permaneceu, assim eu não posso
ser a infância. Ela veio e passou, e ainda estou. A juventude
não permaneceu, assim eu não posso ser a juventude. Ela veio e
passou, e ainda estou. A velhice veio e está indo, assim eu não
posso ser a velhice.. Como eu posso ser aquilo que vem e vai? Eu
estou sempre. Aquele a quem a infância vem, a quem a juventude
vem, a quem a velhice vem... a quem milhares de coisas vieram e se
foram. Eu sou aquele eterno, perpétuo.’
Como as estações de
trem, elas seguem mudando: infância, juventude, velhice,
nascimento. O viajante continua se movimentando. Você nunca pensa
que se tornou um com as estações de trem. Vindo à estação de
Puna, você não pensa que você é Puna. Quando você alcança
Manmad você não pensa que você é Manmad. Você sabe que Puna
chegou e ficou para trás.Manmad chegou e ficou para trás. Você
é um viajante. Você é o observador que viu Puna; Puna chegou e
ficou para trás; que viu Manmad, Manmad chegou e ficou para trás.
Você é aquele que vê.
A primeira coisa:
separe o que está acontecendo do observador.
...
separe
a si mesmo do corpo físico e descanse em consciência...
Nada mais há de valor
a se fazer.
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Assim como a chave do
sutra de Lao Tzu é a entrega, a chave do sutra de Ashtavakra é o
descanso, o relaxamento. Nada há para se fazer.
As pessoas vêm a mim
e perguntam como meditar. A própria pergunta está errada. Eles
formulam uma pergunta errada, por isto eu digo a eles para fazer
tal coisa. O que eu devo fazer? Eu digo a eles, ‘façam – uma
coisa ou outra tem que ser feita.’ Você está coçando para
fazer alguma coisa e essa coceira tem que ser satisfeita. Se ela
coça, o que fazer? Ela não pode ficar sem ser coçada. Mas,
pouco a pouco, só por mantê-los ocupados fazendo algo, eu os faço
ficarem cansados. Então eles dizem, ‘Alivie-nos disto. Por
quanto tempo nós continuaremos a fazer isto?’ Eu digo, ‘Eu
estava pronto desde o início para lhes dizer, mas vocês
precisavam de tempo para entender. Agora, relaxem!’
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Silence -
Osho Zen Tarot
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O significado final
da meditação é descansar.
...
Descanse em consciência...
Aquele que deixa sua consciência estar relaxada, aquele que
descansa apenas em ser... Nada há para se fazer, porque você já
tem tudo aquilo que está buscando, porque você nunca perdeu
aquilo que está buscando. Não é possível perder, porque
aquilo é a sua natureza. Você é o divino. Ana’l haq
– você é a verdade. Que lugar você está procurando, para
onde você está correndo? Em busca de si mesmo, para onde você
está correndo? Pare. Relaxe. O divino não é alcançado através
da corrida, porque ele está escondido dentro daquele que corre.
O divino não é alcançado por se fazer alguma coisa, porque
ele está escondido dentro daquele que faz. Para experienciar o
divino, nada precisa ser feito; você é ele.
Então Ashtavakra
diz: ...
descanse em consciência...
Relaxe, deixe-se desligar. Deixe ir essa tensão. Para onde você
está indo? Não há lugar algum para ir, não há lugar algum
para ser alcançado... e
descanse em consciência... agora
...neste exato momento você será feliz, em paz e livre da
escravidão.
A declaração é sem igual. Nenhuma outra escritura é comparável
a isto.
Você
não é um brâmane ou outra casta, você não está em qualquer
um dos quatro estágios da vida, você não é percebido pelos
olhos nem pelos outros sentidos. Desapegado e sem forma, você
é a testemunha de todo o universo. Saiba isto e seja feliz.
Como pode um brâmane
escrever um comentário sobre isto? Você
não é um brâmane ou outra casta...
Como pode um hindu trazer esta escritura ao seu coração? Toda
a sua religião é baseada em castas e estágios da vida. E
desde o começo de tudo, Ashtavakra está cortando as raízes
destas crenças. Ele diz que você não é um brâmane, nem um
sutra, a casta baixa, nem um xátria, o guerreiro. Tudo isto é
tolice. Tudo isto são projeções. Tudo isto são jogos da política
e da sociedade. Você simplesmente é brahma, o divino, não
um brâmane, não um xátria, não um sudra.
Você
não é um brâmane ou outra casta, você não está em qualquer
um dos quatro estágios da vida...
E você não é um
estudante brahmacharya ou um chefe de família, nem está
num estágio antes do sannyas, você não está em
qualquer um dos quatro estágios da vida. Você é o observador,
a testemunha que está dentro, passando através de todas estas
situações.
Os hindus não podem
reivindicar que o Ashtavakra Gita seja deles. O Ashtavakra Gita
é de todos. Se existissem muçulmanos, hindus e cristãos no
tempo de Ashtavakra, ele teria dito, ‘vocês não são hindus,
nem cristãos, nem muçulmanos.’ Quem construiria um templo
para Ashtavakra? Quem iria patrocinar suas escrituras? Quem iria
reivindicá-lo? ...Ninguém, porque ele está negando todos.
Isto é uma declaração direta da verdade.
Desapegado
e sem forma, você é a testemunha de todo o universo. Saiba
isto e seja feliz.
Ashtavakra não diz
que depois que você tiver tomado conhecimento disto você se
tornará feliz. Ouça a sua declaração atentamente. Astavakra
diz: Saiba
isto e seja feliz.
Você
não é um brâmane ou outra casta, você não está em qualquer
um dos quatro estágios da vida, você não é percebido pelos
olhos nem pelos outros sentidos. Desapegado e sem forma, você
é a testemunha de todo o universo. Saiba isto e seja feliz.
Seja feliz. Seja
feliz agora. Janak pergunta, ‘Como se pode ser feliz? Como a
libertação pode acontecer? Como a sabedoria pode acontecer?’
Ashtavakra diz que
isto pode acontecer exatamente agora. Não há necessidade de se
demorar nem mesmo um momento. Não há qualquer razão para
deixar isto para amanhã, nenhuma necessidade de se adiar isto.
Este acontecimento não acontece no futuro, ele acontece agora
ou nunca. Quando ele acontece, é exatamente agora, porque não
existe outro tempo a não ser agora. Onde está o futuro? Quando
ele chega, é como agora.
Assim, aqueles que
se tornaram iluminados, foram no agora. Não deixaram para algum
outro dia. Isto é esperteza da mente. A mente argumenta,
‘Como isto pode acontecer tão depressa? Primeiro você tem
que se preparar.’
As pessoas chegam a
mim e dizem, ‘nós pediremos sânias. Algum dia nós
pediremos.’ Algum dia! Elas nunca pedem. Se você adia isto,
você adia para sempre. ‘Algum dia” nunca chega. Se você
vai pedir, peça agora. Não existe outro tempo a não ser
agora. Vida é agora, libertação é agora. Ignorância é
agora, o saber é agora. Dormir é agora, o despertar pode
acontecer agora. Por que algum dia?
Isto é difícil
para a mente; ela diz, você terá que fazer preparações. A
mente argumenta, ‘Como alguma coisa pode acontecer sem preparação?
Quando uma pessoa quer um diploma de uma universidade, isso leva
anos. Até alcançar um doutorado leva-se de vinte a vinte e
cinco anos, trabalhando ano após ano, até que finalmente se
obtém o doutorado. Como isto pode acontecer exatamente
agora?’
Ashtavakra sabe
disto. Se você quiser ter uma loja, você não pode abri-la
neste momento. Você terá que reunir tudo, arrumar as coisas,
trazer os bens, construir a loja, atrair os clientes, colocar os
anúncios. Isto pode levar anos. Neste mundo nada acontece
exatamente agora. As coisas seguem passos ordenadamente, e isto
é bom. Ashtavakra sabe disto e eu também.
Mas existe um fenômeno
neste mundo que acontece exatamente agora. É o divino. O divino
não é a sua loja nem a sua banca examinadora, nem a sua
universidade. O divino não acontece em degraus, ele já
aconteceu. É simplesmente uma questão de se abrir os olhos. O
sol já surgiu. Ele não está esperando pelos seus olhos,
dizendo que está aguardando seus olhos se abrirem para ele
surgir. A luz se espalhou por toda parte. Sua música está
ressoando dia e noite. O som de Aum está vibrando em
todas as direções. A música intangível está ecoando em todo
lugar. Abra seus ouvidos! Abra seus olhos!
Quanto tempo levará
para abrir os olhos? Para se alcançar o divino, leva-se menos
tempo. Leva-se um instante para a pálpebra piscar. A palavra
hindi para ‘instante’ significa o tempo que se leva um
piscar de olhos. Mas não se leva tanto tempo para se alcançar
o divino.
...
você é a testemunha de todo o universo. Saiba isto e seja
feliz.
Seja feliz agora.
A religião de
Ashtavakra não é a prestação. Ela é em dinheiro vivo,
dinheiro na mão.
Oh
expansivo, religião e ateísmo, felicidade e miséria – tudo
são coisas da mente, elas não são para você. Você não é o
que faz nem o que se diverte. Você sempre esteve liberto.
A iluminação é a
nossa natureza inata. Sabedoria é a nossa natureza interior.
Divino é o nosso jeito de ser. É o nosso centro. É a fragrância
de nossa vida, nosso ser.
Ashtavakra diz: Oh
expansivo... oh portador da alegria, oh magnificência
luxuosa, ...religião e ateísmo, felicidade e miséria –
tudo são coisas da mente...Tudo são ondas de pensamentos.
Você fez o bem ou o mal, cometeu pecados ou praticou boas ações,
construiu um templo ou deu esmolas – todas essas coisas são
da mente.
Você
não é o que faz nem o que se diverte. Você sempre esteve
liberto.
Vocês são
eternamente livres, vocês sempre foram livres.
Libertação não é
um acontecimento pelo qual precisamos nos esforçar.
Libertação já
aconteceu em nosso ser.
Toda a existência
é feita de liberdade. Cada partícula dela, cada poro dela é
feito de libertação. Liberdade é o material com o qual toda a
existência é produzida. Liberdade é a própria natureza dela.
Esta afirmação –
basta compreendê-la e a transformação acontece. Nada há para
se fazer exceto compreender isto. Se isto penetrar em você, se
você ouvir isto com toda a sua mente, será o bastante.
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The Master - Osho Zen Tarot
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Faça um esforço
total para compreender Ashtavakra. Com Ashtavakra não há lugar
para o fazer. Não pense que vai surgir algum método para você
praticar. Ashtavakra nada sugere para ser feito. Ouça em
repouso. Nada vai acontecer através do fazer.
Assim, não traga um
bloco de rascunho ou um caderno para fazer anotações quando
surge um sutra. Não anote em baixo algo para se fazer depois.O
fazer não funciona aqui. Ouça sem se preocupar com o futuro.
Simplesmente ouça. Sente-se em silêncio comigo e ouça. Ouça-me
relaxadamente. Apenas ouça... ouvindo você se torna iluminado!
(...)
Com Ashtavakra uma
coisa tem que ser lembrada: nada existe para se fazer. Você
pode ouvir alegremente. Você não tem que extrair nada daquilo,
nem tentar depois. O que tiver que acontecer acontecerá ao
ouvir. A chave é ouvir corretamente.
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... neste exato momento você será feliz, em
paz e livre da escravidão.
Liberte-se agora.
Ilumine-se neste exato momento. Ninguém está detendo você, nada
está impedindo você. Não há qualquer necessidade de se mover
um centímetro. Ilumine-se agora onde você está, porque você já
é livre. Desperte-se e ilumine-se.
Desapegado
e sem forma, você é a testemunha de todo o universo. Saiba isto
e seja feliz.
Seja feliz. Não há necessidade de se esperar um único
momento. É um salto, um salto quântico. Com Ashtavakra não
existem degraus. Não é uma evolução gradual, mas repentina.
Pode acontecer neste exato momento.
Hari
Om Tat Sat!
OSHO
– Enlightenment: The Only Revolution- Cap. 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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