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Conexão
Brasil
fevereiro de 2006 |
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Aqui
mesmo, agora mesmo
“Querido Osho,
Enquanto ouvia sua palestra ontem, eu senti como se não estivesse
nesta Terra; eu era uma pequena partícula de luz no céu infinito
e aberto. Depois da palestra, também uma experiência de
claridade e vazio continuou e eu quis me manter perambulando neste
céu. Eu não sei o que são conhecimento, karma e devoção, mas
na solidão eu quero permanecer imerso neste estado. Todavia
algumas vezes surge o sentimento de que isso pode ser loucura, de
que isso pode ser um truque do meu ego. Por favor, clareie o meu
caminho.
Nós estamos nesta Terra, mas na verdade nós não podemos
estar nela, e nós não estamos. Eu sinto isto: nós somos
estranhos nesta Terra. Nós fizemos um lar em nosso corpo, mas o
nosso corpo não é o nosso lar.
É como se alguém se
estabelecesse no estrangeiro e esquecesse sua terra natal. De
repente, no mercado, ele se encontra com alguém que fala a sua língua
materna e o faz lembrar de casa. Por um momento o país
estrangeiro desaparece e sua terra natal se faz presente.
Este é o significado
das escrituras.
Este é o verdadeiro
propósito das palavras dos mestres.
Após ouvi-los, por um
momento, nós não estamos mais aqui. Nós vamos para o lugar onde
pertencemos. Nós fluímos em sua música. As situações que nos
haviam envolvido completamente desaparecem e aquilo que estava
muito longe se aproxima.
As palavras de
Ashtavakra são absolutamente únicas. Ouvindo-as, isso acontecerá
muitas vezes, você sentirá que não é desta Terra, mas que se
tornou parte do céu, porque essas palavras são do céu. Essas
palavras vêm da terra natal, vêm daquela fonte da qual todos nós
viemos e à qual todos nós retornaremos. Sem voltar para ela, nós
nunca encontraremos paz.
O lugar onde nós
estamos é como uma pousada e não um lar. Não importa o quanto nós
possamos insistir que ele é um lar, ainda assim uma pousada
permanece uma pousada. Para esquecer o lar, tentamos argumentar
que ele está longe, mas isso não faz diferença. O espinho
continuará nos espetando, a memória continuará retornando. E se
em algum momento, nos acontece encontrar uma certa verdade que nos
atrai como um magneto e nos mostra um outro mundo, então nós
percebemos que não somos parte desta Terra.
Isso é bom: ‘Enquanto
ouvia sua palestra ontem, eu senti como se não estivesse nesta
Terra.’ Não há quem seja desta Terra. Nós aparentamos ser
dela, nós sentimos como se fôssemos dela; na verdade, nós
existimos no céu. A nossa natureza é do céu.
O ser significa o céu
interior.
O corpo significa a
Terra, o corpo é feito com a Terra. Você é feito com o céu.
Esses dois se
encontram dentro de você.
Você é o horizonte
onde a Terra parece encontrar o céu. Mas alguma vez eles se
encontram? Ao longe, no horizonte, parece que o céu está tocando
a Terra. Você começa a caminhar naquela direção achando que
vai alcançar aquele ponto em um ou dois minutos. Pode continuar
caminhando por várias vidas e você nunca alcançará o ponto
onde o céu toca a Terra. Ele é apenas uma miragem. Sempre vai
parecer que um pouco mais adiante você vai conseguir chegar, só
um pouquinho mais adiante.
O horizonte não
existe, é só aparência. No nosso interior ocorre o mesmo que no
horizonte externo. Internamente nenhum contato jamais aconteceu
também. Como o ser toca o corpo? Como o imortal encontra o
mortal? O leite se mistura com água, ambos são da Terra. Mas
como o ser irá se fundir com o corpo? Suas qualidades básicas são
diferentes. Por mais próximo que eles cheguem, eles não
conseguem se tocar. Eles podem permanecer próximos para sempre,
ainda assim eles não conseguirão se tocar, eles não conseguirão
se encontrar. É apenas a nossa suposição, a nossa idéia. O
horizonte existe apenas como uma idéia nossa.
Se você permitir que
as afirmações de Ashtavakra penetrem seu coração como flechas,
elas irão acordá-lo e relembrá-lo. Elas irão despertar aquela
memória esquecida há muito tempo. Por um momento o céu se abrirá,
as nuvens irão separar-se e a sua vida será preenchida com a luz
do sol.
Isto pode ser difícil,
pois esta experiência é contra todo o nosso modo de viver. Isto
causará desconforto. E não foi você quem dispersou as nuvens no
seu interior. Elas foram dispersas pelas palavras de um mestre.
Depois elas se reunirão novamente. Antes que você volte para
casa, de novo as nuvens o estarão rodeando. Você não abandona
seus hábitos assim tão rapidamente. De novo as nuvens irão se
reunir e você se sentirá ainda mais incomodado. Você duvidará.
Não terá sido um sonho, aquilo que você viu? Não foi um certo
tipo de projeção? Será que não foi um truque do ego, da mente?
Talvez você tenha entrado numa certa loucura?
Naturalmente, o peso
de seus hábitos é grande; eles são muito antigos. A escuridão
é antiga, embora ela não tenha existência real. Sempre que os
raios da luz do sol explodem internamente, eles são novos,
absolutamente frescos. Mas você vê os raios só por um instante
e novamente já está perdido na escuridão. A sua escuridão tem
uma história muito longa. Quando você coloca os dois na balança,
dúvidas surgem sobre a luz do sol, mas não a respeito da escuridão.
A escuridão é que deveria ser colocada em dúvida. Ao invés
disto, duvida-se da luz do sol, porque os seus raios são novos e
a escuridão é muito velha. A escuridão é como uma tradição
avançando ao longo dos séculos. Os raios de luz acabaram de
chegar, frescos e novos. Tão novos... Como é possível confiar
neles?
‘Eu senti como se
não estivesse nesta Terra.’ Ninguém é desta Terra. Não
podemos ser desta Terra. Pensar de outra maneira é apenas crença
e projeção nossa. Parece que é, mas não é a verdade.
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Existence - Osho Zen Tarot
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’Eu era uma
pequena partícula de luz no céu infinito e aberto.’ Isto
é apenas o começo. ’... uma pequena partícula de luz no
céu infinito.’ Logo você sentirá, ‘Eu sou o céu
infinito’. Isto é apenas o começo.
Neste exato momento
nós não estamos prontos para estar completamente absorvidos no
céu infinito. E se nós sentirmos que o vôo está chegando, a
tempestade chegando e que os ventos estão nos levando embora,
ainda assim nós estaremos nos sentindo separados e nos
preservando. ’ ...uma partícula de luz...’ Você não
é mais a escuridão, você tornou-se uma partícula de luz. Mas
ainda existe ali uma distinção em relação ao céu; a divisão
permanece, uma separação permanece. O máximo vai acontecer no
dia em que você se tornar o céu. Por ora, a partícula de luz
ainda está separada. No dia em que você se tornar integrado,
você sentirá: ‘Eu sou o vasto céu vazio.’
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É assim que
expressamos isto em palavras: ‘eu sou um céu vazio.’ Mas como
isto é possível enquanto o ‘Eu’ está ali? Se o ‘Eu’ está,
então o céu permanece separado. Quando a percepção de céu
vazio chega, então ‘Eu’ já terá ido e somente o céu vazio
permanece.
As pessoas dizem, ‘Aham
brahmasmi – Eu sou Deus, eu sou Brahma.’ Mas quando Brahma
é, como pode ‘Eu’ permanecer? Somente Brahma permanece, não
eu. Mas não existe outra maneira de expressá-lo.
A linguagem é para
pessoas que estão dormindo.A linguagem pertence àqueles que se
estabeleceram num país estrangeiro, mas o consideram como sua
terra natal.
O silêncio é para
aqueles que sabem.
A linguagem é para o
ignorante.
Assim, tão-logo você
diz alguma coisa, só por dizê-lo, a verdade se torna não-verdade.
‘Aham Brahmasmi’ – eu sou Brahma, eu sou o céu. Diga e isto
se torna uma mentira. Apenas o céu é. Mas dizer, ‘apenas o céu
é’ não é a verdade total, porque o ‘apenas’ indica que
deve haver alguma coisa mais, caso contrário, por que a ênfase
no apenas? ‘Céu é’? Mesmo isto é difícil dizer porque ‘é’
pode tornar-se ‘não é’.
Nós dizemos ‘a casa
é.’ Um dia ela deixará de ser. Ela pode desabar, tornar-se uma
ruína. Nós dizemos, ‘o homem é’ pois algum dia o homem
morrerá. O céu não é como isto, que algumas vezes é e algumas
vezes não é. O céu sempre é. Assim, dizer ‘o céu é’’
é uma repetição. A própria natureza do céu é ser. Então,
por que repetir ‘é’?É correto dizer ‘é’ para aquelas
coisas que um dia deixam de existir. Um homem é. Um dia ele não
era, hoje ele é e amanhã novamente não será. O nosso ‘é’
existe entre dois ‘não’.
O ‘é’ do céu,
era ontem, é hoje e será amanhã. Qual o sentido de ‘é’
entre dois ‘é’? O ‘é’ tem sentido entre dois ‘não é’.
Assim, dizer, ‘o céu é’ também é uma repetição. Vamos
dizer ‘céu’. Mas quando eu digo céu significa que existe
alguma coisa que é diferente dele, separado dele, caso contrário,
qual a necessidade de uma palavra? Se só existe um não há
necessidade de dizer um. O um tem sentido quando existe o dois, o
três, o quatro, quando existem números. Por que dizer céu?
Por isso a sabedoria
é silenciosa. É impossível trazer a sabedoria definitiva ao
mundo das palavras.
Mas nós somos
afortunados por indivíduos raros como Ashtavakra terem feito
esforços incansáveis e impossíveis. O tanto quanto foi possível,
eles fizeram para traduzir em palavras a fragrância da verdade. E
observe que poucos foram tão bem sucedidos quanto Ashtavakra em
suas tentativas. Muitos tentaram traduzir em palavras a verdade e
todos foram derrotados. A derrota é certa. Mas se você olhar
entre os derrotados, Ashtavakra foi o último a sê-lo. Ele é o
que mais sucesso obteve. Se você ouvir corretamente, você se
relembrará de seu lar.
É auspicioso você
ter sentido que era uma partícula de luz. Prepare-se para se
perder. Um dia você perceberá que a partícula de luz também se
perdeu e somente o céu permanecerá. Então, a embriaguez dominá-lo-á
completamente. Então, você se afogará no vinho da verdade. Então,
você dançará e experienciará o sabor total do néctar.
‘Depois da
palestra também uma experiência de claridade e vazio continuou e
eu quis me manter perambulando nesse céu.’ Aqui nós
cometemos um pequeno engano. Quando nós temos qualquer experiência
prazerosa, nós queremos repeti-la várias vezes. Como é fraca a
mente humana. Ela é cheia de desejos. Cheia de ganância; tentações
continuam surgindo. Ela quer repetir tudo o que é prazeroso. Mas
lembre-se de uma coisa: a repetição já está errada. Assim que
você deseja, ‘deixe acontecer novamente’, aquilo nunca
acontece, porque a primeira vez que ocorreu, não foi por causa do
seu desejo. Aquilo aconteceu por si mesmo, não foi um ato
seu.
É aqui que Ashtavakra
coloca toda a sua ênfase: a verdade acontece. Ela não é um ato,
ela é um acontecimento. Isso aconteceu com você enquanto ouvia.
O que você estava fazendo? Ouvindo significa que você nada
estava fazendo. Você estava sentado completamente vazio. Você
estava silencioso, você estava alerta, você estava desperto, você
não estava dormindo. Bom! Mas o que você estava fazendo? Você
era simplesmente um receptor. Sua mente era como um espelho, o que
vinha diante dela era refletido, o que era dito, era ouvido. Você
não estava acrescentando coisa alguma. Se você tivesse
acrescentado alguma coisa, aquilo nunca teria acontecido. Você não
estava fazendo comentários, você não estava dizendo em sua
mente: ‘Sim, isto é certo e aquilo é errado. Eu concordo com
isto ou eu discordo. Isto está de acordo com as escrituras.’ Ou
‘Isto não é’. Você não estava fazendo afirmações lógicas
a respeito daquilo. Se você tivesse se perdido na lógica, este
acontecimento nunca teria acontecido.
Eu sei quem fez a
pergunta: é o Swami Om Prakash Saraswati. Sua mente já está
muito longe da lógica, muito longe das dúvidas e argumentações.
Aqueles dias já se foram. Um dia ele formulou argumentos lógicos,
levantou dúvidas. Mas agora ele está amadurecido com as experiências
da vida. Agora aquela infantilidade não está mais em sua mente.
Foi por isto que a experiência pode acontecer. Ele estava
simplesmente ouvindo, sentado, nada fazendo. Ele simplesmente
sentou-se e aconteceu.
Aconteceu a primeira
vez sem que você tenha feito alguma coisa. Se você quiser que
aconteça uma segunda vez, isto irá criar uma perturbação. O
desejo não foi causa para que aquilo acontecesse. Assim quando um
raro acontecimento surge, não deseje. Quando ele acontece,
aceite-o alegremente. Quando ele não acontece, não reclame, não
peça para que ele aconteça. Se pedir, você perderá. Pedir é
uma exigência, uma insistência: ‘Aquilo devia acontecer.
Aconteceu uma vez, por que não acontece agora’?
Isto ocorre todos os
dias. Quando as pessoas vêm aqui para meditar, no começo elas
estão frescas e novas. Elas não têm qualquer experiência, por
isto acontece. Isto é muito surpreendente. Você precisa
compreender isto. Isto irá ajudá-lo a entender melhor o
Ashtavakra. Esta é a minha experiência diária. Quando as
pessoas vêm novas e frescas e sem qualquer experiência com
meditação, ela acontece. Ela acontece e eles ficam preenchidos
com alegria. Mas a própria experiência cria dificuldades, pois
surge a expectativa. O que aconteceu hoje, deverá acontecer amanhã;
e não apenas acontecer, mas ainda com mais força. Mas ela não
acontece e eles se aproximam de mim chorando. E dizem, ‘O que
aconteceu? Por acaso cometemos algum engano? Ela aconteceu uma
vez, mas não agora.’
‘Este é o seu
engano’, eu lhes digo. ‘Quando a meditação aconteceu na
primeira vez, você não estava esperando coisa alguma; agora você
está. Agora a mente não é mais inocente. Ela foi contaminada
pela sua expectativa.Agora você não é genuíno, você não está
aberto. O questionamento fechou as portas. A expectativa surgiu e
ela deteriora tudo. Agora o desejo foi desperto e a ganância
entrou.’
Isto acontece todos os
dias. Pessoas que meditaram por longo tempo continuam tentando
muitos métodos, mas somente conseguem se entregar à meditação
com grande dificuldade. A experiência delas torna-se uma
barreira.
Algumas vezes alguém
simplesmente vem, fluindo com a vibração... sem nem mesmo pensar
em meditação. Um amigo estava vindo e então ele pensou,
‘vamos ver o que é isto’. Ele veio só por curiosidade, sem
desejos, sem buscas espirituais, sem esforços em direção à
meditação; simplesmente veio. Alguma coisa disparou internamente
quando ele viu outras pessoas meditando e juntou-se a elas. E então
a meditação aconteceu! Ele ficou surpreso: ‘eu não vim para
meditar, mas a meditação aconteceu.’ Agora os problemas começam.
Agora, quando ele vem novamente, existe expectativa. A mente está
interessada; aquilo deve acontecer de novo. Existe uma ganância,
um desejo pela repetição. A mente entrou e todo o processo ficou
perturbado.
Aconteceu apenas
quando não havia mente.
Lembre-se: a mente é
o desejo pela repetição.
Deixe que o prazeroso
aconteça de novo, não deixe que o desagradável repita; isto é
a mente. A mente escolhe: deixe que isto aconteça e que aquilo não
aconteça. Deixe que aconteça mais vezes deste jeito e nunca
daquele jeito; isto é a mente.
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Quando você começa a
fluir com a vida, o que acontece está ok, o que não acontece,
também está ok. O sofrimento chega e é aceito. O sofrimento
chega e não há resistência alguma. A felicidade chega e ela é
aceita. A felicidade chega e não há qualquer excitação. Quando
há tranqüilidade em ambas as situações, felicidade e
sofrimento, uma serenidade começa a surgir. Então, felicidade e
sofrimento começam a parecer muito semelhantes, porque nenhuma
escolha é feita. Agora está fora de nossas mãos. O que
acontecer, aconteceu.
Nós continuamos
observando. É a isto que Ashvakra chama de sakshi-bhav, o
testemunhar. E ele diz que se o testemunhar é alcançado, tudo é
alcançado. Internamente, sakshi-bhav desperta a testemunha,
externamente ela traz serenidade.
Serenidade é a sombra
do testemunhar.
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Silence -
Osho Zen Tarot
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Ou, se você alcançar
serenidade, o testemunhar chega. Os dois seguem juntos. Eles são
os dois pés ou as duas asas de um mesmo fenômeno.
‘Eu quis me
manter perambulando neste céu.’ Fique alerta. Não dê à
mente a chance de destruir os momentos de meditação. Essa
mesma mente já destruiu sua vida. Ela deteriorou todos os seus
relacionamentos. Essa mente fez toda a sua vida ficar seca como
um deserto. Onde muitas flores poderiam ter desabrochado,
existem apenas espinhos. Não traga essa mente com você em sua
jornada interior. Diga-lhe adeus e peça-lhe licença.
Amorosamente despeça-se dela. Diga-lhe, ‘já é o bastante.
Eu não quero pedir mais nada. Qualquer coisa que aconteça, eu
estarei acordado e observando.’
Assim que você pede
algo, já não consegue mais ser uma testemunha. Você se torna
identificado com aquele que se alegra e sofre. Então a meditação
desaparece. Estar identificado significa que você está
dizendo: ‘Eu sou aquele que gostou disso, isso me fez
feliz’.
’Eu não sei o
que são conhecimento, karma e devoção, mas na solidão eu
quero permanecer imerso neste estado.’ Jogue fora esse
querer e você irá entrar nesse mesmo estado. E não apenas na
solidão, mas no meio da multidão você irá entrar nele. Mesmo
se você estiver no mercado, você vai permanecer imerso. Este
estado nada tem a ver com solidão ou multidão, com mercado ou
com templo, com massas ou isolamento. Este estado está
relacionado com a sua mente tornando-se quieta, estando em equilíbrio.
Esse acontecimento terá lugar onde quer que haja paz,
serenidade. Mas não peça para que ele ocorra, do contrário, o
próprio pedido se tornará intranqüilidade, criará tensão.
Ashtavakra diz,
‘aqui mesmo, agora mesmo.’ O pedido é sempre pelo amanhã.
Ele não pode ser aqui e agora. A natureza do pedido é que ele
não está no presente. Ele dá um salto. Pedir significa:
‘deixe que aconteça amanhã ou daqui a uma hora.’ O pedido
não consegue ser agora mesmo. Um tempo é requerido. Pode ser
um tempo muito curto, mas ainda assim, um tempo é requerido. E
o futuro não existe. O futuro significa aquilo que não é.
Presente significa aquilo que é. O presente e o pedido não se
relacionam.
Quando você está
no presente, você descobre que não há o que pedir, não há o
querer. E então o acontecimento tem lugar. Quando não há
qualquer desejo por ele, ele acontece com abundância.
Compreenda bem esse
nó duplo. Familiarize-se com todos os seus aspectos. No dia em
que você não pedir coisa alguma, tudo acontecerá. No dia em
que você não estiver correndo feito um louco atrás do divino,
ele chegará até você. No dia em que você não mostrar ânsia
alguma por meditação, quando não houver qualquer tensão
dentro de você, naquele dia você estará preenchido,
transbordando com meditação.
A meditação não
vem de fora. O que fica dentro quando você não está tenso é
o que se chama meditação. Aquilo que permanece quando não
existe desejo dentro de você, é o que se chama meditação.
É como um lago:
ventos tempestuosos vêm de repente e as ondas surgem. A superfície
do lago fica coberta com tempestade e ventos, tudo fica turvo. A
lua está no céu, mas nenhum reflexo é feito porque a superfície
está toda ondulada. Como ela pode ser um espelho? O reflexo da
lua está quebrado em milhares de pedaços, como prata espalhada
por todo o lago, mas nenhuma imagem é revelada.
O lago se torna
quieto. Para onde foram as ondas? De onde elas tinham vindo?
Elas vieram do próprio lago. Agora elas voltaram a dormir,
retornaram ao lago. O lago recuperou a sua quietude. A lua que
estava espalhada como prata por toda a superfície do lago, está
agora reunida em um só lugar. A imagem se torna clara.
Assim que as ondas
no lago de sua mente desaparecem, ondas de desejo, ondas de exigências,
ondas de ‘isto deve ser assim e aquilo não deve ser assim’,
quando não mais existem ondas no lago da mente, então a
verdade é refletida como ela é. E como a beleza da sua lua
interior pode ser descrita? Como o seu êxtase pode ser
descrito? Um rio de êxtase banha você. O amado interior é
encontrado. Então existe uma lua-de-mel, somente então.
Mas se você desejar
isto, você o perde.
E eu sei que este
desejo é completamente natural. Mas esta é uma grande
barreira. É tanta alegria que vem em tais momentos, como evitar
desejá-la? É humano. Eu não digo que você cometeu um grande
erro, indigno de um ser humano. É um erro absolutamente humano.
Quando por um momento a janela se abre e o vasto céu flui em
você, quando por um momento a escuridão desaparece e raios de
luz descem, é impossível, quase impossível, não desejar que
aconteça mais vezes. Mas o impossível tem que ser aprendido.
Aprenda hoje, aprenda amanhã ou aprenda depois de amanhã, mas
isto terá que ser aprendido. Quanto mais cedo aprender, melhor.
Esteja pronto agora mesmo e isto acontecerá imediatamente. Não
haverá necessidade de esperar nem por um instante.
‘...eu quero
permanecer imerso neste estado.’ Este estado virá. Ele
nada tem a ver com a sua mente. Assim, deixe sua mente de lado.
Sempre que ela entrar de mansinho, você terá que dizer-lhe,
‘desculpe-me mas você já se intrometeu o bastante! Você já
desarrumou o mundo, não queira desarrumar o divino também. Você
deteriorou toda a felicidade da vida. Agora a felicidade está
vindo de profundezas mais internas; pelo menos não deteriore
isto.’
Permaneça alerta e
diga adeus à mente.
Pouco a pouco, cada
vez mais, tais momentos irão chegar.
Eles chegam através
de sua experiência. Sempre que a mente não está,
imediatamente a janela se abre de novo. Então correntes de
alegrias celestiais fluem, de novo a luz desce. E você estará
outra vez radiante e intoxicado, afogado no néctar.
Quando acontecer
repetidas vezes, ficará claro. Você se tornará hábil em
manter a mente longe. Quando o momento acontecer, deixe que
aconteça. Quando não acontecer, espere quietamente por ele.
Ele virá. O que já veio, virá mais vezes; simplesmente não o
deseje. Não entre no meio com sua mente. Não crie obstáculo.
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The Master - Osho Zen Tarot
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‘Todavia
algumas vezes surge o sentimento de que isso pode ser
loucura...’ Tais sentimentos surgem no intelecto, porque
ele não consegue acreditar que a felicidade é possível. O
intelecto sente-se absolutamente à vontade com a infelicidade.
Ele aceita totalmente a infelicidade porque foi ele quem a
criou. Quem não vai aceitar seu próprio filho? Assim o
intelecto diz, ‘se existe infelicidade, está absolutamente
certo. Mas a felicidade definitiva? Certamente deve ter ocorrido
algum engano. Ela tem acontecido sempre? Deve ser imaginação.
Você viu um sonho, perdeu-se em algum devaneio. Você está
hipnotizado. Certamente você ficou louco.’ O intelecto muitas
vezes diz tais coisas. Não escute. Não preste atenção a
isto. Se você prestar atenção, a experiência irá parar.
Aquelas portas e janelas não irão se abrir de novo.
Lembre-se de uma
coisa: felicidade é a definição de verdade.
Sempre que você
encontrar alegria, saiba que ela é verdade. |
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É por isto que temos
chamado o divino de sat-chit-anand, verdade, consciência,
felicidade. Anand é a definição final para isto. A felicidade
está mesmo acima da verdade e da consciência. Verdade, consciência
e felicidade. A verdade e a consciência são degraus mais baixos
e a felicidade é o último degrau. Sempre que a felicidade flui,
sempre que você encontra o êxtase, não se preocupe, você está
próximo da verdade.
É
como alguém se aproximando de um jardim. A brisa se torna mais
fresca; o canto dos pássaros começa a ser ouvido, um frescor
começa a ser percebido. O jardim ainda não está visível, mas
estes sinais lhe dizem que este é o caminho certo, que está se
aproximando do jardim. Da mesma maneira, quando você começa a
aproximar-se da verdade, fontes de felicidade informam. A mente
começa a ficar mais fresca, você fica mais equilibrado, a paciência
fica maior, a felicidade aumenta. Uma grande alegria domina você,
sem motivo algum. Nenhuma razão pode ser encontrada. Você não
ganhou na loteria, não fez um negócio muito lucrativo, nem
conseguiu um emprego de muito prestígio. Ou pode acontecer que
você perdeu o emprego que tinha, que perdeu o que estava em suas
mãos, o seu negócio foi à falência; mas existe uma grande
alegria sem motivo que continua dançando internamente e nunca pára.
O intelecto dirá, ‘você ficou louco? Estes são os sinais de
loucura!’
Este é um mundo muito
estranho. Somente os loucos parecem felizes. É por isto que o
intelecto diz que você deve ter ficado louco.Existem milhares de
motivos para estar feliz, todavia o homem está infeliz. Ele pode
ter um grande palácio, riquezas, todo tipo de conforto, ainda
assim ele não estará feliz. Este é um mundo de pessoas miseráveis,
a maioria é miserável. Se você começar a rir sem motivos, as
pessoas vão dizer que você está louco. E se você disser,
‘este riso surgiu sem qualquer razão, ondas de risos surgiram
dentro de mim e simplesmente espalharam-se,’ as pessoas dirão,
‘É o bastante! A sua mente está perturbada.’
Mas
se você ficar com a cara triste, parecendo tão abatido que mesmo
um fantasma ao vê-lo ficará amedrontado, então você está bem,
está ok, sem problemas, e tudo acontecerá normalmente para você.
Então você é um homem como outro qualquer. Você é humano da
maneira como os seres humanos devem ser. Mas quando você começa
a sorrir, começa a gargalhar, a cantarolar canções, a dançar
nas calçadas, então certamente você enlouqueceu.
É desta maneira que nós
temos negado Deus. Se ele viesse aqui, nós o colocaríamos num
manicômio. Talvez seja por esta razão que ele não vem. Ele deve
ter medo de vir.
A felicidade tem sido
boicotada.
Nós banimos a alegria
de nossas vidas.
Nós nos sentamos abraçados
com a infelicidade. Aqui, um homem pessimista parece inteligente,
um homem alegre parece insano. Todo o nosso critério está de
cabeça para baixo. É natural: se de repente o que você
considerou inteligente ao longo de sua vida começar a
desaparecer, começar a desmontar; se as bases de sua chamada
inteligência começar a chacoalhar e você começar a ver alegria
em todo lugar, e lembre-se, ‘sem motivo’ ... Isto é o que as
pessoas chamam de insanidade: feliz sem motivo, absolutamente sem
motivo. Você está sentado sozinho e começa a rir. É o
suficiente. Você ficou louco, porque somente pessoas loucas fazem
isto.
Compreenda: o insano e
o paramahansa o iluminado, são um pouco semelhantes. Os
insanos riem e são felizes; eles perderam sua inteligência. Os
paramahansas também riem e são felizes; eles foram além do
intelecto. Ambos riem, o insano porque está abaixo do intelecto e
o paramahansa porque foi além. Existe esta pequena semelhança
entre os dois. O insano e o paramahansa têm uma coisa em comum:
ambos perderam o intelecto. Um abandonou-o conscientemente e o
outro, inconscientemente. Por isto a diferença é vasta, tão
diferente quanto o céu e a Terra, mas ainda assim existe esta
semelhança. Assim, algumas vezes você vê um paramahansa como se
fosse um louco e outras vezes vê um louco como se fosse um
paramahansa. Enganos continuam acontecendo.
No ocidente há muitas
pessoas trancadas em manicômios que não são insanas. Se elas
tivessem nascido no oriente, elas seriam respeitadas como
paramahansas. No oriente existem muitos loucos que são
considerados como paramahansas. Estes enganos acontecem. Esta
confusão é natural.
Tenha com você este
critério: se a alegria está crescendo, não é preciso se
preocupar. Mas a alegria também pode crescer devido à
insanidade. Então o critério seguro é: se a sua alegria está
crescendo e com isto você não está fazendo a infelicidade de
terceiros aumentar, então continue sem se preocupar. A sua
alegria não pode ser dependente de violência contra terceiros,
agressões, ou de fazer com que os outros sejam infelizes. Não há
qualquer razão para se ter medo de enlouquecer. Ainda que você
esteja enlouquecendo, isto é um bom sinal. Entre nisto sem
qualquer hesitação.
Você precisa se
preocupar somente quando começar a fazer mal a alguém. Ninguém
é incomodado pela sua dança. Mas se alguém está dormindo e você
toca o seu tambor em cima de sua cabeça e começa a dançar...?
Dance; não há nenhum problema nisto. Cante suas preces; isto é
bom. Mas se no meio da noite você pega seu microfone e começa a
cantar um kirtan sem fim, então você está realmente
louco, embora na Índia ninguém diga que você está louco por
cantar canções devocionais. Muitos loucos fazem isto. Eles
dizem, ‘Nós estamos apresentando um kirtan sem interrupção,
direto por vinte quatro horas. Se você dorme ou não, o problema
é seu. E se você fizer objeção ao nosso programa, é você que
não é religioso.’
Observe para que a sua
alegria não seja violenta. Isto é o suficiente. A sua alegria
deve ser sua. Não perturbe a vida de ninguém com ela. Deixe que
suas flores desabrochem, mas não deixe que ninguém seja
arranhado pelos seus espinhos. Se você sempre se certificar
disto, você estará se movendo na direção certa. Quando você
perceber que os outros estão sendo perturbados pelo seu
comportamento, preste atenção. O seu movimento não estará
sendo em direção à iluminação, mas sim estará no caminho da
insanidade.
Ninguém é perturbado
pelo Om Prakash. Você pode ir adiante sem hesitação e sem
medo.”
OSHO
– Enlightenment: The Only Revolution- Cap. 2 – pergunta n° 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Copyright
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Todos os direitos reservados.
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