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Conexão
Brasil
março de 2006 |
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Política
é uma doença
“Querido
Osho,
Na noite passada, você disse que quando encontrar um lugar para
se fixar, você começará a expor a hipocrisia dos políticos e
governos do mundo, um por um.
Você ainda não me expôs. Por acaso, eu perdi a minha chance?
Milarepa,
você não é um político. Você não precisa de qualquer exposição.
Você é um sannyasin que já está dançando no sol, na chuva, no
vento, nada escondendo dos outros.
Este é um dos princípios
mais fundamentais do sannyas: nada esconder. Simplesmente estar
aberto e disponível. Nenhuma porta e nenhuma janela de seu coração
devem estar fechadas, assim a brisa fresca pode continuar
entrando, mantendo-o sempre refrescado, sempre pronto para
qualquer aventura, sempre esperando acontecer alguma coisa divina.
Você se torna um anfitrião que está esperando pelo convidado.
As pessoas que se
fecham e mantêm todas as janelas e portas fechadas, vivem num ar
viciado, numa vida viciada. Nenhuma brisa nova consegue entrar
para refrescá-las. Elas nunca se tornam jovens; elas já nasceram
velhas ou talvez mortas. Elas nunca enfrentam uma aventura em
busca do desconhecido. Elas têm muito medo de que alguma janela
possa se abrir. Elas ficam preocupadas com ventos fortes. Elas se
preocupam com um homem como eu, que nada mais é que um vento
forte que fica batendo em sua janela fechada, e dizendo: ‘por
favor, abra a janela’. Fechado por todos os lados, você já está
em sua sepultura. (...)
Um sannyasin é alguém
que escolheu um caminho no qual ele se abrirá para as pessoas,
para as árvores, para os pássaros, para o oceano, para o rio.
Ele não viverá no medo. O medo não será o seu sabor. A morte
vem, como vem para todo mundo. E porque é certo que ela vem não
há necessidade alguma de se ter medo dela. Na vida, exceto a
morte, tudo é incerto, pode acontecer ou não. Mas, com relação
à morte você pode ter certeza.
Se ela é
absolutamente certa e ninguém em toda a história do mundo foi
capaz de escapar dela, a sua preocupação é absolutamente
desnecessária. A morte virá quando o tempo for oportuno. Ela não
pode ser impedida. Assim, você pode esquecer tudo a este
respeito. Essa questão não é sua. É uma questão da existência
decidir quando vai mudar o seu corpo e lhe dar um novo, uma nova
forma.
A sua questão é:
viver agora e tão totalmente quanto for possível, não se
preocupando com a morte, mas estando totalmente em amor com a
vida.
Afirmação da vida é
a essência do sannyas.
Milarepa, você não
precisa de qualquer exposição. Ao tornar-se um sannyasin você
aceitou expor-se por conta própria.
Os políticos precisam
de exposição porque em seus armários existem muitos esqueletos.
Todo político é um criminoso, mas um criminoso bem
sucedido.
Existem dois tipos de
criminosos: os que são bem sucedidos, que se tornam poderosos e
fazem história, e os criminosos sem sucesso que são presos nas
grades, nas prisões e morrem com uma morte infame; vivem e morrem
inexpressivamente.
De vez em quando um
criminoso bem sucedido é pego. O presidente Nixon, por exemplo,
foi pego. Se ele não tivesse sido pego, nós nunca pensaríamos
que ele era um criminoso. Ele poderia ter permanecido na história
como um grande presidente de uma grande nação.
É importante lembrar
o que Mao-Tsé-Tung, da China, disse quando Nixon, totalmente
envergonhado, renunciou à presidência. Ele disse, ‘eu não
compreendo de jeito algum que crime Nixon cometeu, porque nós,
políticos, fazemos as mesmas coisas em todo lugar. O único erro
daquele pobre homem foi ter sido pego, não que ele tenha cometido
algum crime, mas ter sido pego.’
E você precisa saber
que mesmo depois, quando Nixon já não era mais presidente,
Mao-Tsé-Tung enviou um avião presidencial especialmente para pegá-lo
e trazê-lo para passar umas férias na China, para lhe dar
consolo e lhe dizer, ‘Você nada fez de errado. Não se sinta
culpado. Todo político faz o mesmo: você apenas tem que ser
cuidadoso ao fazer as coisas.’
Joseph Stalin matou
mais de um milhão de russos e a Rússia não tinha um milhão de
pessoas ricas. Aquele um milhão era de pessoas pobres, as pessoas
para quem a revolução havia sido feita, em nome de quem Stalin
tornou-se um ditador e estava governando o país. Por que aquelas
pobres pessoas foram mortas? Elas não estavam conscientes de que
ao escolher o Partido Comunista e fazer a revolução elas estavam
cometendo um engano. Elas apenas pensavam que os comunistas iriam
fazer todo mundo ficar rico. Elas não tinham outra idéia.
A idéia delas era
simples, elas eram pessoas simples. Pensavam que quando o Partido
Comunista estivesse no poder, todo mundo ficaria rico, feliz e
empregado. Mas quando o Partido Comunista chegou ao poder,
milhares de outras coisas começaram a acontecer, sobre as quais o
povo não tinha nenhuma idéia.
Eles não fizeram a
revolução e não lutaram contra o czar e seu reinado por causa
dessas coisas. Primeiro eles ficaram chocados. O czar e toda a sua
família - dezenove pessoas – foram brutalmente assassinados, e
um deles era um bebê com apenas seis meses de vida. Eles não
deixaram nem aquela garotinha viver, e ela nenhum mal tinha feito
a quem quer que fosse, ela ainda nem sabia o que era a vida e nem
estava preocupada com ricos e pobres nem com todo esse jargão.
Eles os colocaram de pé numa fila e atiraram com uma
metralhadora.
Quando as pessoas
souberam, elas não podiam acreditar, porque elas nunca pensaram
que as coisas aconteceriam assim. E logo outras coisas começaram
a acontecer. As igrejas tiveram que se transformar em hospitais e
escolas porque no Partido Comunista não tem deus. E nem
acreditavam que o homem tivesse uma alma. Para eles a consciência
era apenas uma combinação de elementos físicos, era um
sub-produto, de modo que matar um homem não era diferente do que
desmontar uma cadeira; tudo é matéria.
O povo pobre não
estava consciente de que eles estavam fazendo a revolução e
morrendo por ela para implantar o materialismo. E quando suas
igrejas foram fechadas, eles começaram a lutar, quando suas bíblias
lhes foram tiradas, eles começaram a combater. O resultado final
foi que um milhão de pessoas foram mortas porque elas não
estavam prontas para aceitar a ideologia comunista do
materialismo.
Mas ninguém pensa no
Stalin como um assassino. Ele será lembrado na história como um
grande líder. E assassinos comuns que talvez tenham matado apenas
um homem são condenados pela sociedade, pela lei, pelos
tribunais. O que eles fizeram, a sociedade faz com eles. Ainda
vivemos na idade da pedra, de milhões de anos atrás, quando a
lei era olho por olho. ‘Se você atirar um tijolo em mim eu vou
lhe atirar uma pedra.’ Esta era a lei. Esta ainda é a lei.
Embora estas palavras não sejam mais usadas, o resultado final é
o mesmo.
Adolf Hitler sozinho
matou seis milhões de pessoas por um simples e estúpido desejo:
dominar todo o mundo. E vocês não irão acreditar que na América,
eu recebi uma carta do presidente do partido nazista americano
ameaçando-me e dizendo que eu estava em perigo por ter criticado
Adolf Hitler, ‘pois Adolfo Hitler era a reencarnação do
profeta Elijah do Velho Testamento e sempre que você o critica,
isso machuca nossos sentimentos religiosos.’ Adolf Hitler que
matou seis milhões de pessoas seria a reencarnação de Elijah...
Nunca antes as pessoas
foram mortas em tão grande quantidade e com tanta precisão científica.
Ele construiu câmaras de gás. Mil pessoas podiam ser colocadas
numa câmara de gás; apenas um interruptor era ligado e podia-se
ver nas chaminés que, em poucos segundos, todas aquelas mil
pessoas tinham desaparecido numa fumaça. Apenas os ossos
permaneciam. Eles fizeram fossos com quilômetros de extensão que
foram enchidos com os ossos. Depois da guerra, quando aqueles
fossos foram abertos, ninguém acreditava que algum homem pudesse
ter feito aquilo.
Mas ainda existem
pessoas cujos ‘sentimentos religiosos’ são machucados. Eu
nunca imaginei que criticar Adolf Hitler iria machucar os
sentimentos religiosos de alguém, ao ponto dela ameaçar-me de
morte caso eu fizesse aquilo de novo.
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Os políticos, todos
os políticos do mundo, têm muita coisa para esconder porque para
conseguir a realização de sua ambição – tornar-se
presidente, primeiro-ministro – eles têm que fazer tudo... Seja
legal ou ilegal, moral ou imoral, não interessa. Os meios não
interessam aos políticos, apenas os fins interessam. Se o fim for
alcançado, então todos os meios estão certos.
Os políticos
certamente precisam ser expostos porque até onde eu posso ver, se
eles forem expostos completamente, a humanidade, pela primeira
vez, será capaz de se livrar da política.
A política é uma
doença e ela deve ser tratada exatamente como tal. Ela é mais
perigosa do que câncer e se uma cirurgia for necessária, ela
deverá ser feita. A política é basicamente suja. E não há
como ser diferente porque milhares de pessoas estão desejando e
aspirando a um cargo, e para consegui-lo elas naturalmente lutam,
matam e fazem qualquer coisa.
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Politics -
Osho Zen Tarot
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Toda a programação
de nossa mente está errada. Nós fomos programados para sermos
ambiciosos. E é aí que entra a política. Ela tem poluído a
sua vida normal e não apenas o mundo habitual dos políticos.
Mesmo uma pequena
criança já sabe sorrir para a mãe e para o pai com um sorriso
falso, sem qualquer autenticidade. Ela sabe que sempre que
sorri, ela é recompensada. Ela aprendeu a primeira regra para
ser um político. Ela ainda está no berço e você já lhe
ensinou política.
Nos relacionamentos
humanos existe política em todo lugar.
O homem incapacitou
a mulher. Isso é política.
Metade da humanidade
é constituída por mulheres. O homem não tem direito algum de
incapacitá-la, mas por séculos ele a tem incapacitado
completamente. Ele não permitiu que ela tivesse acesso à educação.
Ele não lhe permitiu sequer que ouvisse as escrituras sagradas.
Em muitas religiões eles não permitiram que elas entrassem nos
templos. Ou, se permitiram, elas tinham uma seção separada,
elas não podiam ficar ao lado dos homens como iguais, mesmo
perante Deus. (...)
O homem tem tentado
de todas as maneiras cortar a liberdade da mulher.
Isto é política;
isto não é amor.
Você ama uma
mulher, mas não lhe dá liberdade. Que tipo de amor é este,
que tem medo de dar liberdade?
Você a coloca numa
gaiola como um papagaio. Você pode dizer que ama o papagaio,
mas você não entende que o está matando.Você tirou todo o céu
do papagaio e deu-lhe apenas uma gaiola. A gaiola pode ser feita
de ouro, mas ela nada significa ao ser comparada com a liberdade
dos papagaios no céu, movendo-se de uma árvore a outra,
cantando suas canções – não aquela que você forçou-o
aprender a cantar, mas aquela que lhe é natural, que lhe é autêntica.
A mulher continua
fazendo as coisas que o homem quer. Pouco a pouco, ela vai
esquecendo que ela também é um ser humano.
Na China, por
milhares de anos, o marido podia matar a esposa. Somente em 1951
uma nova lei surgiu proibindo isto. Até 1951 o marido estava
autorizado, caso ele quisesse, matar sua esposa, era uma questão
que dizia respeito a ele. Ela era a sua mulher,
uma posse. O sistema de leis não tinha interesse algum em
interferir nas suas posses. E, além disto, na China pensava-se
que a mulher não tinha alma; somente o homem tinha.
É por isto que na
história da China você não encontra uma única mulher com a
importância de um Lao Tzu, Chuang Tzu, Lieh Tzu, Confúcio,
Mencius. Se você não tem alma, você é apenas uma coisa, não
consegue competir com o homem.
Metade da
humanidade, em todos os países, em toda civilização, foi
destruída pela política de família. Você pode não chamar
isto de política, mas é política. Sempre que existe um desejo
de ter poder sobre outras pessoas, isto é política. O poder é
sempre político, mesmo quando se trata de pequenas crianças.
Os pais pensam que as amam, mas apenas em suas mentes, porque o
que eles querem são crianças obedientes. E o que significa
obediência? Significa que todo o poder fica nas mãos dos
pais.
Se a obediência é
uma grande qualidade, por que os pais não devem ser obedientes
para com os filhos? Se essa é uma questão religiosa, por que
os pais não devem obedecer aos filhos? Mas isto nada tem a ver
com religião. Tudo isto é política escondida atrás de belas
palavras.
O homem precisa ser
exposto em todos os pontos em que a política entra, e ela entra
em todo lugar, em todos os relacionamentos. Ela contaminou toda
a vida do homem e continua contaminando.
Em suas escolas vocês
ensinam as crianças a serem os primeiros da sala. Por que? Você
já pensou na psicologia disto?
A pessoa que chega primeiro começa a se tornar um egoísta:
ela é a primeira. E a pessoa que chega por último começa a se
sentir inferior. Qual a necessidade de se fazer isto? Os exames
deveriam simplesmente ser abolidos.
Não há necessidade
alguma de exames. Os professores podem simplesmente dar notas
todos os dias da mesma maneira como eles controlam a freqüência.
Eles podem dar notas todos os dias a todas as crianças e no
final aquele que demonstrar maior aproveitamento passa mais cedo
para uma classe mais elevada. Aquele que for um pouco mais
preguiçoso, passará um pouco depois. Mas sem qualquer exame e
sem a classificação de ‘primeira classe, segunda classe,
terceira classe’. Isto se torna um estigma.
Se uma pessoa em
todo o seu currículo escolar, no nível básico, médio e
universidade, tiver sido sempre classificada como terceira
classe, terá um reduzido senso de auto-respeito. O seu
auto-respeito terá sido morto. Ela sabe que não tem valor.
Todo mundo poderá exercer poder sobre ela.
Essa expressão
‘terceira classe’ tornou-se tão feia na Índia que se você
perguntar a alguém, ‘com que classificação você passou?’
e se ele tiver passado como terceira classe, ele
responderá, ‘classe Mahatma Gandhi’
porque Gandhi nunca obteve outra classificação. Ele
sempre passou classificado como terceira classe e daí, por toda
a sua vida ele viajava de trem de terceira classe. Assim, na Índia,
ninguém fala que passou em terceira classe, mas na ‘classe
Mahatma Ghandi’. É uma maneira de ocultar aquela classificação,
de tapear a si mesmo.
É criada em você a
ambição de que tem que ser alguém no mundo. Você tem que
provar que não é uma pessoa comum, você é extraordinário.
Mas, para que? A que propósito isto serve? Isto serve a um único
propósito: se você se torna poderoso, os outros se tornam
subservientes a você. Você é uma pessoa extraordinária. Eles
são os pobres companheiros, eles são da classe Mahatma Ghandi.
Eles, no máximo, conseguem ser balconistas e nada mais. Eles não
têm coragem. Toda a humanidade foi castrada de maneiras
diferentes, e esta castração é política.
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The Miser - Osho Zen Tarot
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Assim, aqueles que
estão no poder se perpetuam através das gerações sucessivas.
Agora na Índia, após quarenta anos de lutas pela liberdade,
uma família tem dominado. Isto se tornou uma dinastia e não
uma democracia. E é impossível removê-los porque em quarenta
anos eles tomaram todas as providências para que não pudessem
ser removidos. Eles se tornaram indispensáveis e colecionaram
arquivos. Eu vi com meus próprios olhos os arquivos que Indira
Gandhi costumava usar contra todos os outros políticos do seu
próprio partido e os da oposição.
Em tais arquivos estão
registrados todos os crimes que aqueles políticos cometeram,
todos os subornos que eles aceitaram, todas as coisas ilegais
que eles fizeram, todo abuso de poder que praticaram. Isto mantém
aqueles políticos com medo de que Indira Gandhi possa expô-los,
se forem contra ela. Aqueles arquivos passam de uma geração a
outra dentro da mesma família. E isto representa um grande
poder.
Vocês ficarão
surpresos ao saber o que aconteceu quando o segundo filho de
Indira, Sanjay Ghandi, morreu num acidente. Em |
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primeiro
lugar ela era uma política e em segundo, era mãe. O avião dele
caiu próximo de onde Indira morava. Assim que ela soube, correu
para o local. Havia uma multidão e a polícia. O que ela
perguntou primeiro não foi ‘Como está Sanjay? Ele está vivo
ou morto? Como aconteceu o acidente?.’ O que ela perguntou foi,
‘Onde estão as duas chaves que ele carregava?’ Uma das chaves
era do cofre onde todos aqueles arquivos estavam guardados e a
outra era do dinheiro do ‘caixa 2’ para ser usado nas
campanhas eleitorais – milhões de dólares.
Um político pode
sacrificar tudo, mas ele não consegue sacrificar o seu poder; e
isto é inconsciente. E quando disseram a ela que as duas chaves
haviam sido encontradas e que estavam no posto policial; ao invés
de ir para o hospital e ver as condições de seu filho, ela foi
primeiro ao posto policial para pegar as duas chaves, porque elas
eram mais importantes do que uma centena de Sanjay Ghandis. Ele
poderia ser visitado depois. E, de qualquer forma, ele já estava
morto.
Quando eu ouvi que a
primeira coisa que ela perguntou foi pelas duas chaves, eu fiquei
chocado... Não pela morte de Sanjay Ghandi. Pessoas morrem mesmo.
Isto não é um grande problema. E cada um tem seu próprio estilo
de morte. Uns morrem num acidente, outros morrem de outro jeito,
outros, de uma maneira normal, deitados em suas camas. (...)
Sanjay Gandhi morreu
num acidente. Aquele foi seu estilo de morrer.
Isso não foi um problema, mas aquela mulher, que era uma mãe,
perguntou pelas chaves! E não sobre a morte de seu filho, ou
sobre o acidente. E ela correu ao posto policial, antes que as
chaves pudessem se perder.
E vocês também ficarão
surpresos ao saber que Indira Gandhi nunca viveu com seu marido
por muito tempo. E foi um casamento por amor. Indira era uma brâmane
hinduísta e seu namorado era um parsi. Era muito difícil para as
mentes ortodoxas aceitarem aquele casamento. Mas a Indira era
filha única de Jawaharlal. Ele não quis contrariá-la e ela
estava inflexível: ela só se casaria se fosse com aquele homem;
com nenhum outro. Assim ela casou-se com o jovem parsi. Jawaharlal
aceitou o casamento.
Ela puxou o seu marido
para a política também. Ele tornou-se membro do parlamento, mas
ela raramente vivia com ele. Ele ficava muito irritado com isto.
Eu o conheci. Ele realmente vivia muito frustrado porque Indira
continuava morando com Jawaharlal. O poder estava com ele e ela
era sua única filha.
Jawaharlal não teve
filho e sua esposa estava morta. Havia toda possibilidade de que
Indira lhe sucedesse. E o que seu marido podia lhe dar? Por fim,
houve uma completa separação e ele começou a beber muito.
Talvez ele tenha morrido pelo excesso de bebida.
Mas Indira continou a
viver com seu pai, porque tudo estava ali, todo o poder do país
estava concentrado ali. E dele ela recebeu todo o treinamento em
política, todos aqueles arquivos. Quando ele morreu, ela se
apossou de todos aqueles arquivos e de todo aquele dinheiro. O
partido nada conseguiria ser sem ela. O partido teve que escolhê-la,
porque as pessoas do partido, mesmo os principais líderes,
estavam com medo pois ela tinha os arquivos. E ela tinha o
dinheiro.
De que outra maneira
você pode competir numa eleição? Particularmente num país como
a Índia, onde você pode comprar um voto por apenas duas rúpias.
Nada é preciso ser feito, apenas dê duas rúpias a uma pessoa e
ela votará em você. Ela não tem idéia alguma sobre ideologia
ou sobre democracia. Por dois mil anos a Índia tem sido escrava,
assim as pessoas não têm idéia alguma sobre liberdade. Duas rúpias
parecem ser mais importantes do que qualquer outra coisa; é mais
sólido e mais tangível. Democracia e liberdade parecem ser
palavras vazias para um povo faminto e moribundo. Duas rúpias
parecem ser mais significantes. Assim, quem tiver o dinheiro, quem
tiver os recursos e as conexões corretas para conseguir dinheiro,
continuará no poder.
É impossível para a
Índia livrar-se da família do Nehru. Eles declaram que é uma
democracia, mas é apenas uma monarquia, uma dinastia. Esta é a
situação em todo o mundo; é como as coisas funcionam. O povo só
vê a aparência; ele não vê o que existe por dentro das coisas.
Eu realmente quero
expor todo tipo de política. Eu não estou preocupado com os políticos,
mas com a maneira como a política funciona: ela é feia, ela é
desumana, ela é bárbara. Nós deveríamos viver de uma maneira não-política.
Nossos relacionamentos deveriam ser não-políticos, senão, nós
não teremos relacionamentos, mas apenas nomes, rótulos, e por trás
desses rótulos o conteúdo é algo diferente.”
OSHO
– The Path of the Mystic- Disc. 42 – pergunta n° 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak
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