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Conexão
Brasil
maio de 2006 |
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N.T.:
Após deixar os Estados Unidos em novembro de 1985, Osho retornou
à Índia, de onde seguiu para o Nepal. Em fevereiro de 1986
partiu para um tour mundial, mas 21 países, sob pressão da
administração Reagan (EUA), o deportaram ou recusaram sua
entrada. Em julho de 1986, Osho se estabeleceu em Bombaim e no
final de dezembro daquele ano retornou a Puna, dando início ao
período que se convencionou chamar de “Puna-2”, onde
permaneceu até deixar o corpo em janeiro de 1990. Em outubro de
1986 ele proferiu uma série de palestras denominada “Beyond
Enlightenment”. O texto seguinte foi extraído dessa série.
Espere
e observe
Bombaim, 13 de
outubro de 1986.
“Querido Osho,
Depois que saí de Rajneeshpuran em novembro passado, eu
tive a experiência de sentir como se fosse quase impossível
encontrar o que fazer. No começo foi um pouco assustador,
mas depois eu pude perceber que bastava esperar e muitas
coisas bonitas começaram a acontecer comigo, sem que eu
tivesse que tomar qualquer iniciativa.
É assim que as coisas funcionam quando estamos com você?”
Esta
é a maneira como as coisas acontecem, mas não apenas ao
meu redor. Esta é a maneira, em toda a existência.
Você
simplesmente espera e tudo acontece no momento certo. Espere
e observe. Não caia no sono, porque na espera é muito
natural cair no sono. Nada tendo a fazer, é fácil cair no
sono. Aí as coisas estarão acontecendo, mas você nem
saberá. Por isto, espere e observe.
A vida tem
sido perturbada pelos que se intitulam praticantes de boas ações,
pelos que estão continuamente pregando ao redor do mundo:
‘Faça isto, faça aquilo, ajude os pobres’. O fazer tem
sido tão exaltado que temos esquecido completamente a arte
de esperar, embora seja certo que existem coisas que só
podem acontecer se você as fizer.
Por
exemplo, a sua riqueza não irá crescer se você ficar só
esperando.
Mas há
pessoas que até ensinam isto. Um pensador americano,
Napoleon Hill, escreveu belos livros. Ele é um mestre na
arte de escrever. Eu sempre gostei de um de seus livros –
‘Pense e Enriqueça’ – embora seja uma absoluta
tolice. Mas ele escreve bem. E há pessoas que acreditam que
tudo o que têm por fazer é simplesmente esperar. Semeie as
sementes do pensamento de que um automóvel Cadillac deverá
entrar em sua garagem, e fique esperando. E um dia, de
repente, um Cadillac chegará e será entregue a você.
Existem pessoas que acreditam nisto, que o pensamento tem
muito poder.
Na
América existe uma seita cristã que, há cinqüenta anos,
foi muito importante porque uma grande maioria acredita
nisto. A seita se denomina ‘Ciência Cristã’. E a ciência
é que você nada precisa fazer, você apenas tem que
pensar. Deus é um fazedor. Você pensa, reza e espera;
simplesmente dá um tempo para Deus. E o que você pensa? Um
Cadillac é maior do que todo o universo? Deus consegue
criar todo um universo, por que não conseguirá criar um
Cadillac?
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Eu
ouvi contar uma história de um jovem que estava indo para a
escola e encontrou no caminho uma velha senhora. Ela lhe
perguntou, ‘O que aconteceu com seu pai? Ele não tem vindo aos
nossos encontros de domingo.’ Eles eram Cientistas Cristãos.
O rapaz disse,
‘Ele está doente’.
A velha senhora
riu e disse, ‘Que tolice, ele deve estar pensando que está
doente. O pensamento é o que importa. Lembre apenas ao seu velho
pai que por toda a sua vida ele foi um membro da Ciência Cristã,
mas que ele ainda não entendeu uma coisa simples. Diga-lhe para
parar de pensar que está doente e ele não ficará mais
doente.’
O
rapaz disse, ‘Eu vou dar o recado a ele.’
Uma
semana depois o rapaz encontrou-se novamente com a velha senhora e
ela lhe disse, ‘O que aconteceu? Por que ele não veio para o
encontro semanal dos Cientistas Cristãos desta semana?’
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O Fardo -
Osho Zen Tarot
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O
rapaz disse, ‘Senhora, ele agora está pensando que está
morto. E não é apenas ele que está pensando que está morto,
toda a vizinhança também está pensando o mesmo, e chegaram até
a enterrá-lo num caixão. Eu tentei convencê-los. Eu lhes
disse para esperar, pois talvez ele estivesse apenas pensando
que estava morto. Mas eles acharam que eu estava maluco.’
Existem
coisas que continuam acontecendo sem que você faça algo; você
tem apenas que esperar. E existem coisas que você tem que fazer
para que elas aconteçam. Pouco a pouco, as coisas que acontecem
devido ao seu fazer passam a ser mais importantes. Elas são as
suas posses materiais, o seu poder, o seu prestígio, os seus
palácios, os seus impérios. Elas não irão acontecer se você
apenas esperar. Se ficar esperando, você não se tornará um
Alexandre, o Grande. As coisas que somente acontecem se você as
fizer tornam-se importantes e por isso a humanidade se esquece
completamente de todo o conjunto de coisas que acontecem
independentemente do seu fazer.
O
amor acontece, você não consegue fazê-lo, embora em todo o
mundo as pessoas têm tentado fazê-lo. E é tão estranho como
o mundo ainda não tenha reconhecido este seu completo fracasso.
Por
séculos, os pais estiveram combinando casamentos para seus
filhos. Astrólogos e quiromantes eram consultados, tudo era
investigado a respeito da família, das riquezas, do caráter
das pessoas, mas ninguém perguntava ao rapaz e à moça se eles
se amavam. O amor não era objeto de suas investigações. Era
tido como certo que se eles se casassem, eles se amariam.
Por
milhares de anos a humanidade fez isto, e ainda faz. E quando os
meninos e as meninas se casavam, eles começavam como irmãos e
irmãs, brigando e brincando um com o outro. Eles nunca vieram a
conhecer o que era o amor. Eles achavam que aquilo era o amor.
Eles tinham filhos, os maridos compravam belos vestidos para
suas esposas, enquanto elas tentavam tornar as vidas de seus
maridos o mais difícil possível. De todas as maneiras, eles se
ajudavam mutuamente.
Foi
somente no século XX que as pessoas começaram a dizer, “A não
ser que haja amor, nós não nos casaremos’. E isto aconteceu
apenas em países mais avançados.
Mas
o amor é uma questão a respeito da qual você nada pode fazer.
Ou ele acontece ou ele não acontece. Ele não está sob o seu
controle.
O
‘casamento por amor’ chegou ao mundo, mas ele não irá
sobreviver, pela simples razão que o amor vem, acontece e um
dia, de repente, ele se vai. Não está em suas mãos trazê-lo,
nem está em suas mãos mantê-lo.
O casamento à moda antiga fracassou devido à insistência que
você deveria amar a sua esposa, você deveria amar o seu
marido. Era um ‘dever’. E você nem mesmo conseguia conceber
como poderia ser o amor; no máximo, você conseguia fingir e
representar.
Mas o amor não
é um fingimento nem uma representação. Você nada consegue
fazer. Você não tem poder algum no que se refere ao
amor.
O casamento à
moda antiga fracassou. O novo casamento está fracassando porque
ele é simplesmente uma reação ao velho casamento. Ele não é
o resultado de uma compreensão, mas apenas uma reação, uma
revolta, o ‘casamento por amor’.
Você não sabe
o que é o amor. Você simplesmente vê um belo rosto, um belo
corpo e pensa: ‘Meu Deus, eu estou apaixonado’. Este amor não
irá durar porque depois de dois dias, vendo o mesmo rosto,
vinte quatro horas por dia, você ficará entediado. O mesmo
corpo... Você já explorou toda aquela topografia; agora nada
mais existe para ser explorado. Explorar a mesma geografia
novamente fará você sentir-se como um idiota. Qual é o
sentido disso?
Esse encontro
amoroso, esse casamento por amor está fracassando. O amor não
é uma paixão nem um desejo. O amor não é sexual. O amor é
um sentimento de dois corações batendo num mesmo ritmo. Não
é uma questão de belos rostos ou de belos corpos. É alguma
coisa muito profunda, uma questão de harmonia.
Se o amor surge
da harmonia, somente então nós conheceremos uma vida de
sucesso, uma vida de preenchimento na qual o amor continuará se
aprofundando porque ele não depende de nada externo, ele
depende de algo interior. Ele não depende do nariz nem do
tamanho do nariz. Ele depende de um sentimento interno de dois
corações batendo num mesmo ritmo. Esse ritmo pode continuar
crescendo, pode alcançar novas profundidades, novos espaços. O
sexo pode ser uma parte dele, mas ele não é sexual. O sexo
pode acontecer e pode desaparecer nele. Ele é muito maior que o
sexo.
Assim, se a
pessoa que ama é mais jovem ou mais velha não interessa. Volta
e meia, toda mulher pensa nisto; muitas mulheres já perguntaram
aos seus amantes, ‘Você continuará me amando quando eu
envelhecer?’
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Compromisso - Osho Zen Tarot
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Um amigo me contou que a garota que ele ama está continuamente
lhe perguntando, ‘Você me amará quando eu envelhecer?’.
Ele me perguntou, ‘O que eu devo dizer?’
Eu disse,
‘Porque você está me trazendo desnecessariamente este
problema? Este é um problema seu. Diga qualquer coisa. O que
você sente?’
Ele disse,
‘Se ela ficar como a mãe dela, eu não conseguirei amá-la. E
muito provavelmente ela se tornará como a mãe, este é todo o
meu medo.’
Então eu
disse, ‘Diga isto claramente, que a sua velhice não é o
problema; mas se ela se tornar como sua mãe, então
simplesmente esqueça você. Você não será capaz de amá-la.’
Ele disse,
‘Mas então tudo acabará, porque a mãe dela ficará furiosa
e tudo depende dela. Eu estou tentando convencer a mãe dela. O
pai já está morto, ela é a única que pode decidir sobre o
casamento. Em segundo lugar, a garota também ficará furiosa
porque ela sempre soube que um dia ficará como a sua mãe.
Todos os sintomas já estão ali.’ |
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Eu
disse, ‘Então fique quieto. Quando as dificuldades chegarem,
venha me ver novamente.’
Ele disse, ‘Mas
aquela garota é tão insistente. Ela quer saber antes do
casamento.’
Eu disse, ‘É
simples. Comece a lhe perguntar – quando eu envelhecer você me
amará?’
Ele disse, ‘Ah!
Isto é bom, porque eu vou ficar velho como o meu pai e ela o
odeia, da mesma forma como eu odeio a sua mãe. Isto está
absolutamente certo.’
Ele lhe disse,
mas ela respondeu, ‘Nunca! Se você ficar como o seu pai, eu não
irei amá-lo. Eu irei me divorciar de você imediatamente.’
O rapaz disse,
‘Então, quando as dificuldades chegarem nós veremos o que
fazer. Mas por que trazer estes problemas agora?’
Mas todo o seu
amor está dependente dessas coisas tão pequenas – o tamanho do
nariz, os olhos, a cor dos cabelos, as proporções do corpo.
Essas coisas nada têm a ver com o amor.
O amor é um
sentimento de harmonia, de consonância com um indivíduo.
Então,
esta não é apenas uma questão entre o mestre e o discípulo. Em
todos os seus relacionamentos se você esperar e observar por um
momento de harmonia com a existência, você perceberá que estão
acontecendo coisas que você nunca seria capaz de fazer.
Muitas flores são
possíveis, muitos poemas e canções são possíveis. Muitas
estrelas estão nascendo a partir da harmonia, esperando e estando
alertas.
Coisas estão
acontecendo, mas você necessita estar consciente.
Muitas vezes as
coisas estão acontecendo, mas você não está consciente. Você
perde aquilo que lhe seria de direito, só porque você está
dormindo.
O meu ensinamento
é basicamente deixar acontecer. As coisas que só acontecem se
forem feitas são mundanas. Eu não sou contra elas, mas elas não
são a parte essencial de sua vida.
Se você quiser
ter uma bela casa, você terá que construí-la; ela não vai
acontecer do nada. Mesmo se você for um Cientista Cristão e
acreditar no ‘Pense e Enriqueça’, isso não irá ajudar. Mas
essas coisas são não-essenciais.
Coisas
essenciais, como o amor, alegria, o senso de humor, a paz que
chega com a compreensão, a jornada interior para encontrar a si
mesmo... Essas são as coisas essenciais que não podem ser
feitas, que você precisa aprender a permitir que elas aconteçam.
Assim mantenha
uma idéia clara: aquilo que precisa ser feito, deve ser feito; e
aquilo que precisa se permitir para que aconteça, deve ser
permitido acontecer, nunca interfira nisto.
E lembre-se
sempre: o essencial é aquilo que acontece por si mesmo e o não-essencial
é aquilo que você faz. O seu fazer não pode ser algo sagrado.
É por isto que
eu digo que todos os templos e todas as igrejas, todas as estátuas
de Deus feitas pelo homem são mundanos. Tudo o que é feito pelo
homem não pode ser maior que o homem. Isto é uma aritmética
simples. O que é mais elevado que o homem sempre acontece por si
mesmo, está além do seu fazer.
Você está
sempre no final, recebendo. Você simplesmente precisa estar
aberto, receptivo e agradecido à existência.”
OSHO
– Beyond Enlightenment- Disc. 11 – pergunta n° 4
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Copyright
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Todos os direitos reservados.
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