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Conexão
Brasil
julho de 2006 |
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A
relação entre mestre e discípulo
“Querido
Osho,
Sinto um amor carinhoso quando estou
na sua presença, mas percebo que quando não estou próximo
a você, não é do mesmo jeito. É verdade que espaço
e tempo não fazem qualquer diferença na grande relação
entre mestre e discípulo?
Deva Suria, é sempre verdade que espaço e tempo não
fazem qualquer diferença na grande relação amorosa entre
discípulo e mestre. Não que em algumas vezes seja
verdade e em outras, não. Essa questão é eterna. Mas, na
experiência real, particularmente no começo, o amor do
discípulo ainda não é tão puro; ainda existem
expectativas. Não é um amor sem desejos; ele está poluído
por muitas coisas.
Por
causa dessa poluição de desejos e expectativas, tem-se a
impressão que espaço e tempo fazem alguma diferença. Eles
não fazem diferença no que se refere ao amor, mas o seu
amor não é apenas amor; ele tem muitas outras coisas
envolvidas. Mesmo a expectativa da iluminação é
suficiente para destruir a sua pureza.
O princípio se
aplica ao amor puro, ao amor que é simplesmente feliz sem
que haja qualquer motivo, ao amor que já juntou a dança do
mestre ao coração. Então, o mestre não está mais fora,
você o carrega dentro de si, onde quer que esteja. É por
isto que espaço e tempo não fazem qualquer diferença. Mas
se o mestre ainda estiver do lado de fora, como um objeto de
amor, então o espaço fará diferença, o tempo fará
diferença. A diferença vem através das impurezas e elas são
quase inevitáveis no começo, porque você não consegue
pensar que o desejo pela iluminação seja uma impureza.
De fato, para
você, a grande relação amorosa entre o mestre e o discípulo
está acontecendo somente por causa de seu anseio pela
iluminação. Naturalmente, quando você está próximo, você
sente mais confiança. Quanto mais próximo estiver, mais
você sentirá a presença do mestre. Quanto mais longe você
for, mais a sua confiança começará a estremecer porque o
mestre ainda é apenas um meio para se chegar a um certo
fim.
Quando Gautama
Buda morreu, havia dez mil discípulos que sempre o seguiam
em suas longas jornadas. Naquela grande multidão de discípulos,
havia pessoas como Sariputta, Maudgalyan, Mahakashyapa,
Manjushri, Vimal Kirti e muitos outros que já tinham se
tornado iluminados, que já haviam cruzado a barreira entre
o mestre e o discípulo, que já haviam entrado no mundo da
devoção.
Quando Gautama
Buda morreu foi um grande choque para todo mundo, mesmo para
o seu discípulo mais próximo, Ananda, que desatou a
chorar. Ele era mais velho que Gautama Buda. Buda tinha
oitenta e dois anos e Ananda, cerca de oitenta e cinco ou
mais. Ele desatou a chorar como uma criança que perdeu a mãe.
Mas Manjushri, Vimal Kirti e Sariputta permaneceram
completamente silenciosos, como se nada estivesse
acontecendo, ou se o que estivesse acontecendo não lhes
dissesse respeito.
Muitos discípulos
ficaram chocados com a frieza de Sariputta e dos outros;
eles não conseguiam entender. Eles podiam entender o Ananda
desatando a chorar. Na verdade, eles pensavam que Ananda era
o mais íntimo. Enquanto Sariputta, Maudgalyan e
Mahakashyapa permaneciam sentados em silêncio.As pessoas
lhes perguntavam, ‘Por que vocês estão em silêncio,
enquando Ananda está chorando?’
Sariputta
respondeu, ‘Porque para mim, meu mestre nunca pode morrer.
A morte não consegue nos separar. Ele apenas deixou o seu
corpo, mas ele continua aqui; meu coração ainda está
sentindo a sua presença, na verdade, sentindo mais do que
nunca.’
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E as respostas dos outros discípulos iluminados foram as
mesmas, sem uma simples lágrima em seus olhos. Eles não eram
duros nem frios. Eles simplesmente já tinham cruzado a barreira
entre mestre e discípulo. Ou você pode dizer que eles entraram
na consciência do mestre, ou eles permitiram que a consciência
do mestre entrasse neles, o que quer dizer a mesma coisa: os dois
desapareceram e agora existe apenas um.
O entendimento das
pessoas estava absolutamente errado que Ananda devia ter amado
mais o mestre, porque ele havia desatado a chorar. Perguntado, ele
disse, ‘Eu estou chorando porque enquanto ele estava vivo, por
quarenta e dois anos eu fui o seu discípulo mais íntimo,
intimidade no sentido de que eu estava sempre com ele. Nestes
quarenta e dois anos, nem por um simples dia eu me separei dele,
mesmo à noite eu costumava dormir em seu quarto, só para estar
presente, no caso dele precisar de algo. Eu não estou chorando
porque eu era o mais íntimo; eu choro porque mesmo com essa
prolongada intimidade, eu permaneci separado dele. Alguma coisa
permanecia como uma barreira.’
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Death -
Osho Neo Tarot
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Gautama Buda não estava morto ainda. Ele apenas tinha
fechado os olhos e estava relaxando no eterno.Ele voltou, abriu
os olhos e disse ao Ananda, ‘Não se preocupe. Era a minha
presença e o seu amor para comigo que era a barreira, porque o
seu amor tinha uma motivação. Você queria tornar-se iluminado
antes de todos, e você sempre tinha uma inveja escondida quando
os outros alcançavam o seu potencial, chegando à própria
fonte. No fundo você se sentia machucado, porque você estava
muito próximo, mas eram os outros que estavam se tornando
iluminados antes de você. Você não conseguia alegrar-se com a
iluminação deles. Você poderia ter se alegrado, poderia ter
celebrado, mas o foco de sua mente era a sua própria iluminação,
era muito você. E a sua inconsciência continuou
desde o primeiro dia, preso à idéia de que você é meu
primo-irmão, meu irmão mais velho. Ainda que desde o primeiro
dia você não tenha mais mencionado isso, a memória piscológica
estava ali. Conscientemente, deliberadamente você tornou-se um
discípulo, mas inconscientemente você sempre sabia que era o
meu irmão mais velho; você não conseguiu dissolver-se em mim.
Mas não chore, vinte e quatro horas após o momento em que eu
morrer, você se tornará iluminado. Sem a minha morte, você não
consegue tornar-se iluminado.’
Ananda ainda não
conseguia consolar-se. Ele disse, ‘Depois de vinte
quatro horas você não estará aqui. Para quem eu irei
perguntar se eu me tornei iluminado ou não? E, na eternidade do
tempo, eu não sei quando eu encontrarei um homem como você,
com uma consciência tão grande e vasta.’
Buda lhe disse, ‘Não
se preocupe, isso vai acontecer. Eu estava observando
continuamente. Eu mesmo estava intrigado porque não estava
acontecendo com você. Você queria tanto.’
E esse é o
problema: deseje demais a iluminação e você a perderá,
retenha em algum lugar do seu inconsciente o desejo de alcançá-la
e você não alcançará.
Relaxando,
esquecendo tudo sobre iluminação, esquecendo tudo sobre o
futuro, vivendo no presente, o seu amor atingirá uma pureza
clara e cristalina, não poluída por qualquer desejo, nem mesmo
o desejo maior pela iluminação.
Então você não
sentirá a distinção entre o mestre e você mesmo, e carregará
o mestre dentro do seu coração. Então, onde quer que você
esteja, o mestre estará com você. A dualidade será deixada de
lado; as duas chamas se tornarão uma. Não é a sua chama e não
é a chama do mestre. Quando aquelas duas chamas se tornam uma,
elas se tornam universal. Na separação, você é um discípulo
e existe um mestre. Tornando-se um, o discípulo desaparece e o
mestre desaparece; o que permanece é apenas a pura consciência.
A transformação do
amor em pura consciência é a alquimia a ser aprendida quando
se está próximo de um mestre. Estando próximo de um mestre,
você pode desfrutar de seu carinho, da sua presença, das suas
palavras, da batida de seu coração. Mas quando você se afasta, você não é capaz de ouvir a mesma batida do coração,
você volta de novo à estaca zero. Você ouvirá a batida do
coração, mas será do seu próprio coração. Próximo ao
mestre você está sob a sua influência.
O segredo do
aprendizado é a purificação de seu amor.
Abandone todas as
ambições.
Nada há para ser
alcançado.
Tudo que você
deseja já está presente em você. O mestre não vai lhe dar
algo que você ainda não tenha. Na verdade, o mestre continua
tirando coisas que você pensa que tem, mas que não tem. E o
mestre não pode, naturalmente, dar-lhe aquilo que você já
tem. Ele só consegue retirar todas as barreiras, todos os
estorvos, todos os obstáculos, de modo que só permaneça
aquilo que lhe é próprio. Em tal espaço não poluído, a
distinção entre o mestre e o discípulo deixa de existir. Isto
não significa que você não se sinta agradecido ao mestre. Na
verdade, somente depois que isto tenha acontecido, você sentirá
pela primeira vez, uma tremenda gratidão.
Sariputta estava muito relutante em partir para espalhar
a mensagem. Buda pediu-lhe para ir ao seu próprio reino. Ele
era um príncipe, antes de se tornar um discípulo. Buda disse,
‘Agora é sua responsabilidade e sua compaixão ir até o seu
povo: ao seu pai, sua mãe, a todo
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Devotion - Osho Neo Tarot
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seu
reino. Deixe que eles fiquem cientes do que você alcançou.
Compartilhe, eles também têm o potencial.’
Ele estava muito
relutante para partir. Buda disse, ‘Qual é a relutância?
Agora eu estou dentro de você. Eu estou enviando-o para longe,
sabendo perfeitamente bem que você não sentirá qualquer distância.’
Sariputta disse,
‘A distância não é o problema. Eu posso ir até a estrela
mais distante e você ainda estará dentro do meu coração. O
problema é que, estando aqui, eu toco os seus pés todos os
dias. Você poderá estar em meu coração, mas como eu vou
tocar os seus pés?’
Gautama Buda disse, ‘Você é um ser iluminado. Você não
tem que tocar os meus pés.’
Sariputta disse,
‘Antes da iluminação, isto era um ritual. Eu tocava os seus
pés apenas porque todo discípulo estava tocando. Mas agora não
é mais um ritual. Agora é autêntica gratidão, porque sem você,
eu não teria alcançado a mim mesmo. Embora isto estivesse
sempre dentro de mim, eu não acho que sozinho seria capaz dessa
descoberta, pelo menos, não nesta vida. A sua
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compaixão,
o seu amor, as bênçãos que continuamente você derramou sobre
mim, pouco a pouco, removeram tudo aquilo que não era eu mesmo.
Agora, quando eu toco os seus pés, não é um ritual, é um
alimento do coração. Eu me sinto nutrido. No dia em que eu deixo
de tocar-lhe os pés, sinto um vazio. E sei que você está
dentro de mim.’
Buda disse, ‘Todos
vocês que se tornaram iluminados terão que aprender a estar
longe de mim, e ao mesmo tempo não estarem longe de mim. É
verdade que vocês não conseguirão tocar os meus pés, mas, de
onde vocês estiverem, simplesmente se voltem para o lado onde vocês
acham que eu estou e curvem-se até a terra. O meu corpo pertence
à terra. Se vocês tocarem a terra com a mesma gratidão, estarão
tocando a mim.’
Sariputta partiu. E as
pessoas de seu reino não conseguiam acreditar; ele havia alcançado
uma grande glória, uma grande magnificência, uma grande beleza.
Tudo isto era milagroso, mas a curiosidade deles era porque todos
os dias, pela manhã e ao anoitecer ele se voltava para a direção
onde, longe, Buda estava morando, e tocava a terra com tremenda
gratidão.
Eles diziam, ‘Você
é um ser iluminado, não tem que tocar a terra.’
Ele dizia, 'Eu não
estou tocando a terra. Aprendi um novo segredo, que o corpo
nada mais é do que terra, e que ela contém não apenas os pés
do meu Buda, meu mestre, mas todos os budas do passado, do
presente e do futuro. Tocando-a, eu toco todos aqueles que
tornaram-se despertos e fizeram com que o caminho ficasse claro
para mim, mostraram-me o caminho.’
Mesmo depois que Buda
morreu, ele continuou curvando-se, voltado para a mesma direção
onde estava o corpo de Buda em seus últimos momentos. Ele nunca
sentiu qualquer separação. E isto não foi apenas com ele, mas
com todos os vinte e quatro discípulos que haviam se iluminado.
Ananda iluminou-se,
conforme Buda predisse, vinte quatro horas após ele deixar o
corpo. Na verdade, ele nem se moveu do lugar. Quando Buda morreu,
ele fechou os olhos e permaneceu sem comer, sem beber, sem dormir.
Aquelas vinte e quatro horas foram o tempo mais importante de sua
vida, um tempo de transformação de um ser ignorante em uma alma
desperta. Ele somente abriu os olhos quando as lágrimas haviam
desaparecido e um sorriso havia brotado em seu rosto.
Manjushri estava próximo
e disse, ‘O que aconteceu? Você esteve chorando, esteve sentado
como se estivesse morto, e, de repente, você está rindo’.
Ananda disse, ‘Eu
estou rindo porque a sua predição provou estar certa. O obstáculo
era a impureza de meu amor. E agora que ele se foi, não há mais
razão para sentir-me como seu irmão mais velho, para sentir
qualquer apego. Em sua pira funerária, na medida em que o seu
corpo desaparecia na fumaça, todos os meus apegos também
desapareciam.’
Não será necessário,
Suria, que eu tenha que estar numa pira funerária para você se
tornar iluminada. Pode ser assim, se você precisar. Um dia eu
estarei lá, mas será muito mais bonito se no dia em que eu
estiver numa pira funerária, você estiver sem lágrimas. Quando
eu desaparecer do corpo, você saberá que eu tornei-me mais
profundamente envolvido dentro de você e dentro de toda a existência.”
OSHO
– The Invitation – Disc n° 3 – pergunta n° 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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