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Conexão
Brasil
agosto de 2006 |
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Uma
ferramenta para testar a verdade
Querido Osho,
Estudando textos como o Vedanta e o Ashtavakra Gita, eu
aprendi que tudo o que vale ser alcançado já está alcançado.
Fazer esforço nesse sentido é perder o caminho. Eu
aprofundei esta convicção. Então, por que a auto-realização
não aconteceu comigo? Por favor mostre-me o caminho.
“Nunca pense que o que você compreende a partir
das escrituras é a sua própria compreensão. Nunca pense
que o que compreende a partir das palavras torna-se a sua própria
experiência.
Ouvindo Ashtavakra, muitas pessoas sentirão, ‘Tudo
já está alcançado’. Mas não é alcançado dessa
maneira. Qual a conexão entre ouvir Ashtavakra e você
alcançar? ‘O que era para acontecer já aconteceu’: mas
isto tem que ser a sua própria experiência. O
reconhecimento de sua realização, deve ser um
reconhecimento seu, ele não pode ser uma conclusão
intelectual.
O intelecto rapidamente aceita isto. O que pode ser
mais fácil do que ‘O que era para acontecer já aconteceu'?
' Bem, agora nossos problemas acabaram-se. Já não
há mais necessidade de busca, de meditação, de culto ou
prece. O que era para acontecer, já aconteceu’.
O intelecto está pronto para aceitar, mas não
porque ele captou a verdade. Ele aceita porque então poderá
deixar de lado as dificuldades do caminho, poderá abandonar
os esforços de sadhana, assim como a necessidade de
continuar meditando. Mas logo você olhará para os lados e
perceberá que você não alcançou. Se isto pudesse
acontecer meramente através do intelecto, poderiam existir
universidades espirituais. Mas nenhuma universidade de
estudo espiritual existe. Isto não é alcançado com
escrituras; é alcançado pela sua própria sabedoria espontânea
e inspirada.
Ouça Ashtavakra, mas não tenha pressa em acreditar.
A sua ganância faz você ter pressa. Ela lhe diz, ‘Isto
está em suas mãos. Nós já temos o tesouro, assim
acabou-se toda preocupação com alcançar. Agora não há
mais aonde ir nem há mais o que fazer.’
Você sempre quis alcançar sem esforço. Mas
lembre-se que o desejo de alcançar ainda está escondido
por trás de tudo isto: alcançar sem fazer! Antes você
pensava em se esforçar para alcançar; agora você pensa em
alcançar sem esforço. Mas o desejo de alcançar continua aí.
É por isto que surge a pergunta, ‘Por que a
auto-realização ainda não aconteceu?’
Quem já compreendeu, dirá, ‘Mande essa questão
de auto-realização para o inferno! O que eu vou fazer com
ela?’ Se você tivesse compreendido Ashtavakra, nenhuma
outra pergunta poderia surgir. A afirmação de que ‘A
auto-realização ainda não aconteceu’ indica que
enquanto está aceitando o que Ashtavakra diz, você está
observando com o canto dos olhos: já foi alcançado ou não?
Seus olhos estão focados no alcançar.
As pessoas vêm a mim e eu lhes digo, ‘A meditação
não consegue se aprofundar enquanto você continuar
desejando. Enquanto você tem expectativa de alcançar algo,
seja a felicidade, Deus ou a alma, a meditação não irá
se aprofundar, porque pensar em alcançar é ganância, é
ambição, é política. Ainda não é religião.’ Eles
dizem, ‘Tudo bem, nós vamos meditar sem qualquer
expectativa, mas nós alcançaremos, certo?’
Não há diferença alguma. Eles estão prontos para
parar de desejar só porque ‘Você disse que esta é a maneira
para se alcançar, assim nós não vamos pensar nisto; mas,
ainda assim, nós vamos alcançar, certo?’
Você não é capaz de livrar-se da ganância.
Ouvindo Ashtavakra, muitas pessoas irão aceitar rapidamente
que o que era para acontecer já aconteceu. Se pudesse
acontecer tão rapidamente... E não é que existam muitas
barreiras para que aconteça. A única barreira é a tolice
de seu desejo. O acontecimento está tão próximo!
Ashtavakra está certo, o que era para acontecer já
aconteceu. Mas somente quando todos os desejos por alcançar
desaparecerem, então esse ‘O que era para acontecer já
aconteceu’ será compreendido. Então você saberá com
toda a sua totalidade que já alcançou. Mas por ora, isto
é apenas um jogo intelectual. ‘Se um grande mestre como
Ashtavakra disse isto, então deve estar certo.’ Você está
apressado em acreditar. A sua crença é impotente. Sem
duvidar, você aceitou rapidamente. Neste país, desapareceu
o hábito de duvidar de qualquer coisa registrada nas
escrituras. Se algo está nas escrituras, deve estar certo.
(...)
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Quando alguma coisa é publicada, e se for em escrituras...
É muito errado acreditar em palavras escritas. Quando você conta
algo a uma pessoa ela lhe pergunta onde aquilo foi publicado. Se
você disser onde, ela acreditará no que você disse. É como se
o escrever tivesse algum poder. Diga o quanto aquilo é antigo e
as pessoas aceitarão. Como se a verdade fosse relacionada com
o tempo. Quem disse isso? Ashtavakra? Buda? Mahavira? Então deve
estar certo.
De sua parte, você não
fez qualquer esforço para se despertar, nem um pouquinho. Alguém
disse e você aceitou. E é muito conveniente: você alcança sem
fazer coisa alguma!
Os seguidores de Krishnamurti têm ouvido por quarenta
anos. E são exatamente as mesmas pessoas. Eles nada têm alcançado.
De vez em quando um deles vem a mim e diz, ‘Eu sei que tudo já
está alcançado, mas por que ainda não aconteceu? Eu ouço
Krishnamurti e por isso eu já entendi que tudo o que é para se
alcançar já foi alcançado.’
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Droping Knowledge-Osho Neo Tarot
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Estas pessoas são gananciosas. Elas esperam obter tudo
de graça, em vez de ter que fazer algum esforço. Elas não
ouviram Krishnamurti nem entenderam Ashtavakra. Elas ouviram sua
própria ganância. Elas ouviram através de sua ganância
e interpretaram da maneira delas.
Um amigo perguntou, ‘Fazer meditações agora parece
ser irrelevante. Cinco meditações por dia, enquanto acontece
esta sua série de palestras sobre Ashtavakra... Isso parece estúpido.’
É tão fácil deixar a meditação de lado, e tão difícil
fazê-la. O que Ashtavakra alcançou não foi alcançado através
do fazer. Mas também, através do não fazer coisa alguma, ele
não alcançou.
Tente entender isto. É uma questão sutil.
Eu
contei para vocês que Buda alcançou quando ele deixou de lado
todo o seu fazer. Mas primeiro ele fez tudo. Por seis anos de
esforços incansáveis, ele deu tudo de si. Dando tudo, ele
experienciou que nada poderia ser alcançado através do fazer.
Não foi através da leitura de Ashtavakra, embora o Ashtavakra
Gita já estivesse disponível no tempo de Buda. Ele poderia tê-lo
estudado, não haveria necessidade daqueles seis anos de esforços.
Ele perseverou por seis anos e no meio daquele esforço ele
descobriu que não se alcança através do esforço. Ele não
deixou uma pedra sequer sem ser revirada, provando a si mesmo
que não conseguiria alcançar pelo esforço. Nenhum desejo
restou dentro dele. Ele fez tudo e viu que não alcançou. O seu
esforçou tornou-se muito cristalizado e nesta cristalização,
o fazer foi abandonado. Então aconteceu.
Eu lhes digo que o estado de não fazer chegará quando
vocês tiverem feito tudo. Não tenham pressa, caso contrário
irão perder o que já fizeram com um pouco de meditação, com
um pouco de prece. Ashtavakra vai permanecer lá longe e o pouco
de progresso que vocês estiveram fazendo em suas jornadas também
irá parar.
Antes de parar, é preciso correr totalmente. Embora não
se alcance através do correr, este conhecimento será
cristalizado por ele. Um dia o esforço será abandonado, mas não
a partir de um mero entendimento intelectual. Quando todas as células,
todos os átomos compreenderem que ele é inútil, neste exato
momento, acontecerá.
Ashtavakra está certo ao dizer que praticar é uma prisão.
Mas somente aquele que pratica, descobre isto.
Eu estou lhes dizendo isto porque eu pratiquei e descobri
que isto é uma prisão. Eu estou lhes dizendo isto porque eu
pratiquei sadhana e descobri que sadhana alguma leva alguém ao
sadhya, à meta final. Eu meditei e descobri que meditação
alguma leva alguém ao samadhi.
Quando isto se torna a sua experiência profunda, quando
a experiência chega a um ponto de total intensidade, quando você
tiver dado tudo... Não ficou segurando coisa alguma atrás, você
atirou-se totalmente no fogo, o esforço tornou-se total, o fogo
interno foi total, o sadhana foi total, agora a existência não
pode lhe dizer que você ficou segurando alguma coisa, tudo foi
dado; naquele dia, naquela cristalização, naquele estado de
consciência acesa... de repente tudo se queima e fica em
cinzas. Todo sadhana, todas as práticas, todas as meditações,
todas as renúncias; de repente você acorda e descobre, ‘Oh!
O que eu estava procurando já estava aqui!’
Mas seria muito fácil se isto acontecesse só pela
leitura do Ashtavakra. É difícil ler o Ashtavakra? O sutra é
tão claro e simples. Lembre-se que a coisa mais difícil do
mundo é entender coisas simples. E a dificuldade vem de dentro
de você. Você espera não ter que fazer coisa alguma. É muito
difícil para as pessoas aceitarem a necessidade de
meditar.
Este é o teste decisivo: o Ashtavakra Gita. Aqueles que
ouvem Ashtavakra e continuam meditando, compreenderam. Aqueles
que ouvem Ashtavakra e param de meditar, não o entenderam, e aí
eles perdem sua meditação também.
Pratique e descobrirá que praticar é um beco sem saída.
Esta é a fase final da prática. Não tenha muita pressa.
‘Estudando textos como o Vedanta e o Ashtavakra
Gita, eu aprendi...’ Existe alguém que conhece através
do estudo? Alguém conhece através da memorização de textos?
Alguém conhece através do aprendizado de escrituras, do
aprendizado de palavras? Isto não é conhecer. Isto é informação;
é saber a respeito. Você pode dizer que esta informação é
saber: ‘o que vale ser alcançado já está alcançado.’
Mas quando você perceber isto, tudo estará terminado.
Você ficou informado, ficou excitado, e isto tomou vulto
em forma de ganância! A sua ganância diz, ‘Olhe, eu estive
fazendo esforços sem sentido. Ashtavakra diz, sem fazer nada
, então eu me sentarei sem fazer nada.’ Daí, você senta,
sem fazer coisa alguma. Depois de pouco tempo você observa,
‘O acontecimento não aconteceu ainda. Por que esta demora? E
Ashtavakra está dizendo que é exatamente agora!’ Você está
sentado olhando para o relógio, ‘Cinco segundos já se
passaram, cinco minutos se passaram, já faz quase uma hora; e
Ashtavakra disse: Imediatamente! Exatamente agora! Não é
preciso nem mesmo um segundo!’ Você começa a pensar que ele
estava mentindo, a sua confiança é quebrada.
Isto não é saber. Isto é informação. Lembre-se
sempre da diferença entre informação e saber. Informação
significa que ela é tomada por empréstimo. Alguma outra pessoa
tem o saber e ouvindo-a você se torna informado. Isto é uma
informação. O saber é uma experiência. Nenhuma outra pessoa
pode saber para você; o saber não pode ser tomado por empréstimo.
Eu fiquei sabendo de algo mas o seu saber não acontece a partir
disto.O meu saber será meu e o seu saber será seu. Sim, se você
colecionar minhas palavras elas serão informação. Através da
informação alguém pode se tornar um erudito, mas não um sábio.
Conhecimento a respeito de sabedoria pode ser colecionado, mas não
a libertação da sabedoria. Todo um sistema de palavras pode
ser criado, mas não a beleza da verdade. As palavras o aprisionam mais, elas o escravizam.Por isso você encontra eruditos
muito contraídos. Onde está o céu aberto? Saber que o que
vale ser alcançado já está alcançado - se você tivesse
conhecido isto, o que restaria para ser perguntado?
‘Fazer esforço nesse sentido é perder o
caminho’. Se você sabe isto, então o que existe para se
perguntar? ‘Eu aprofundei esta convicção’. Ou
existe convicção ou não existe, não existe maneira de
aprofundá-la. Como você pode aprofundá-la? Se existe fé, ela
existe; se não existe, ela não existe. Como você pode
aprofundá-la? Que método é este para tornar a fé mais
profunda? Irá você suprimir as suas dúvidas? Irá sentar-se
sobre elas? O que você fará? Irá falsear as suas dúvidas?
Quando sua mente surgir com perguntas, você irá ignorá-las?
Por dentro, o verme da dúvida estará roendo. Ele lhe
dirá, ‘Agora escute, algo é alcançado sem que você faça
alguma coisa? Algo já lhe aconteceu só por ficar sentado?
Coisas acontecem através do fazer. Acontece algo através do
sentar inativo? Você consegue algo de graça? Em que tolice você
está entrando? De que ilusão você está sofrendo? Levante-se,
movimente-se, corra, do contrário a vida irá se acabar; ela já
está se acabando. Não desperdice seu tempo sentado aqui feito
um idiota.’
Essas dúvidas certamente irão surgir. O que você fará
com elas? Você irá tentar suprimi-las? Você irá falseá-las?
Você irá dizer que não quer ouvir falar a respeito? Você irá
atirà-las em seu inconsciente? Irá escondê-las em seu porão?
Irá evitar olhá-las de frente?
O que você fará para aprofundar a sua fé? Você irá
fazer algo como reprimir de alguma maneira. Esta fé será
falsa; a descrença estará queimando em chamas por baixo dela.
Esta fé é superficial. Por cima uma cobertura gasta e por
baixo o carvão da descrença e da dúvida. Logo elas irão
queimar a sua fé. Esta fé não tem utilidade, você não
consegue aprofundá-la. Fé é, ou fé não é.
É como alguém desenhando um círculo. Se ele desenhar
metade de um círculo você dirá que é um círculo? Pode meio
círculo ser chamado de círculo? Ele é um arco, não é um círculo.
Ele
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Trust - Osho Neo Tarot
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só pode ser chamado de círculo se estiver completo. Um círculo
incompleto não é um círculo. Uma confiança incompleta não
é confiança, porque uma confiança incompleta significa que a
desconfiança também está presente. O que acontece no arco
vazio? Haverá dúvida. Dúvida e confiança não conseguem se
movimentar juntas. Seria como um pé indo para o leste e o outro
indo para o oeste. Você não irá a lugar algum. Seria como
estar em dois barcos, um indo para uma margem e o outro para a
outra margem. Para onde você vai?
As jornadas de dúvida e confiança estão totalmente
separadas. Você está em dois barcos. O que significa confiança
incompleta? Meia fé significa que meia descrença está também
presente? A confiança existe em sua completude, ou ela não
existe. (...)
Ou se tem fé ou não, não existem duas possibilidades.
Quando a fé existe, ela cerca toda a sua vida, ela se espalha por
todas as suas células. A fé é expansiva. Mas essa fé não vem
das escrituras, ela não pode vir. Esta fé vem da experiência de
vida. Ela vem quando você lê a escritura da vida, não quando lê
Ashtavakra.
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Entenda Ashtavakra, mas não pense que esse entendimento é
sabedoria. Entenda Ashtavakra e guarde isto dentro de você, em
algum canto. Você recebeu uma ferramenta para testar a verdade. Você
não recebeu sabedoria, mas uma ferramenta para testar verdade.
Quando você alcançar a sabedoria, você poderá facilmente testá-la
com essa ferramenta que recebeu do Ashtavakra.
A ferramenta para testar não é ouro. Quando você vai a
um ourives, você vê que ele tem uma pedra preta de teste. Esta
pedra preta não é ouro. Quando o ourives recebe ouro, ele
esfrega-o na pedra preta para descobrir se é ouro ou não.
Quando você tem uma compreensão das palavras de
Ashtavakra, preserve-a como uma ferramenta para testar a verdade.
Deixe que ela esteja profundamente dentro de você, e quando a sua
experiência de vida chegar, então você poderá testá-la. Então
essa ferramenta do Ashtavakra para testar a verdade será muito útil.
Você será capaz de saber o que aconteceu. Você terá a
linguagem para compreender o que aconteceu. Você terá um método
para compreender. Ashtavakra será a sua testemunha.
É desta maneira que eu entendo as escrituras. As
escrituras são testemunhas. O caminho da verdade é desconhecido.
Você precisa de testemunha nesse caminho desconhecido. Quando você,
pela primeira vez, estiver face a face diante da verdade, ela será
tão imensa que você irá tremer, você será incapaz de absorvê-la.
Suas próprias raízes serão chacoalhadas e haverá muito medo de
que você enlouqueça.
Imagine o que aconteceria com um homem que esteve
procurando por um tesouro por toda a sua vida e de repente ele
descobre que o tesouro está enterrado sob seus pés. Ele não
ficaria louco? (...)
Eu estou falando sobre as escrituras, não porque ouvindo
as escrituras você irá tornar-se sábio. Eu estou falando sobre
elas para que, na medida em que você vá se movendo no caminho da
meditação, quando o acontecimento realizar-se – ele irá
acontecer, senão hoje, então amanhã – não é necessário que o ouro
esteja na sua frente e você não consiga reconhecê-lo.
Eu estou lhes dando uma ferramenta para testar a verdade.
Teste as suas experiências com esta ferramenta.
Ashtavakra é a mais pura ferramenta para testar verdade.
Você não precisa acreditar no Ashtavakra, você simplesmente tem
que usá-lo como uma ferramenta para as suas próprias experiências.
Faça de Ashtavakra uma testemunha. (...)
Lembre-se que muitos buscadores da verdade enlouqueceram. Muitos deles
enlouqueceram exatamente quando
chegaram próximos do estágio de se tornarem iluminados. Eles se
desestruturaram. Isto ocorre porque o acontecimento é muito
vasto, inconcebível e inacreditável. É como se todo o céu
tivesse se espatifado sobre você.
O seu pote de água é pequeno e o
infinito está se derramando sobre ele. Ele vai quebrar e você não
será capaz de impedir. Você estará face a face com o sol e seus
olhos ficarão ofuscados e tudo ficará escuro. O sol está diante
de você e tudo é escuridão, seus olhos estão fechados. Em tal
momento, você poderá usar as afirmações de Ashtavakra para
compreender o sol. Em tal momento, a voz de Ashtavakra que estava
repousando em seu inconsciente, irá falar imediatamente. Os
sutras dos Upanishads começarão a ressoar, O Gita ecoará, como
também o Corão. Seus versos virão à sua frente! Sua fragrância
irá lhe assegurar que você chegou em casa, não precisa pirar
com nada, esta vastidão é você.
Ashtavakra diz que você é expansividade, você é vasto.
Você é onipresente. Você é sem ação, incorrupto. Você é a
realidade última.
Em tal momento, essas afirmações terão algum significado
para você. Meramente ter fé nelas e segurá-las, não o levará
a lugar algum. E a sua ganância está empurrando-o e dizendo que
a auto-realização não aconteceu. (...)
Escute Ashtavakra novamente. Ele diz que ela já foi alcançada.
Mas como você pode ouvir isto, como pode entender? O seu desejo
continua vibrando.
A não ser que você tenha corrido atrás de seus desejos,
a não ser que você tenha visto a inutilidade de correr atrás
deles, tropeçar, cair e se machucar, você não será capaz de
compreender. Somente através da experiência de desejar, o desejo
se torna inútil. Esgote-o e ele cairá quebrado; e neste momento
de ausência de desejos você compreenderá que aquilo que você
tem procurado já aconteceu.
Do contrário, você ficará repetindo como um papagaio. Não
fará a menor diferença se você for um papagaio hindu, ou um
papagaio islâmico, ou um jaina, ou um cristão ou um budista; um
papagaio é um papagaio. Um papagaio pode recitar a Bíblia ou o
Corão. Um papagaio é um papagaio, ele continuará repetindo.
(...)
A informação pode fazer de você um papagaio, pode lhe
dar uma grande boca. Ela pode dar-lhe a ilusão de ser religioso,
pode enganar-lhe. Mas não pense que isto é sabedoria. E baseada
na informação, a convicção que você proclama está assentada
sobre dúvidas. Esta convicção não pode levá-lo até a porta
da verdade. Não deposite muita fé nesta convicção. Ela é inútil.
A fé deve vir de sua própria experiência. A fé deve
surgir da pura ausência de desejos, de sua própria meditação.
OSHO – Enlightenment: The Only Revolution – Capítulo
6 – pergunta n° 1
Tradução:
Sw. Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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