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Conexão
Brasil
fevereiro de 2007 |
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A
única barreira para o autoconhecimento
O sufismo é uma alquimia, a ciência da alma interna. Ele
é uma experimentação em consciência. Somente o resultado
define se o que você estava fazendo era certo ou errado. Não
existe outra maneira de definir isto.
As filosofias
continuam dando voltas em círculos, elas nunca levam você a
lugar algum. O sufismo está cansado de filosofias. Na verdade,
todos os grandes místicos estão cansados de filosofias. É por
causa do lamaçal das filosofias e suas confusões que as pessoas
estão impedidas de conhecer aquilo que lhes é direito conhecer.
Você não perde Deus por causa de seus pecados, mas sim devido ao
que você chama de conhecimento.
O sufismo é uma
experimentação para uma certa experiência. Ele não é um
caminho de crença, mas de conhecer, de experienciar. Ele é
existencial. Experiência de que? Experiência de si mesmo. Ele não
é especulação por especulação. Ele tem uma metodologia que
resulta na mais sublime de todas as experiências – chame isso
de Deus, Nirvana, moksha, liberação, ou o que você quiser. É a
experiência mais sublime de todas. É a maior experiência na
vida. E sem esta experiência, ninguém jamais sente qualquer
contentamento, não consegue sentir. O significado de estarmos
aqui é para alcançarmos esta experiência. Este é o nosso
potencial, ele tem que se tornar real. Esta é a nossa semente:
ela tem que desabrochar em todas as cores e fragrâncias. E a não
ser que a semente se torne uma flor, nós permaneceremos na
dificuldade, no desconforto, ansiando por alguma coisa sem saber
exatamente o que é. Procurando, tateando no escuro...
O homem permanece
procurando, tateando no escuro. E a procura só termina com Deus e
nunca de outra maneira. O que é Deus? A experiência do seu próprio
centro interior. Deus não está lá. Deus está aqui, dentro do
seu coração, pulsando, respirando, consciente. Deus está muito
perto.
Ramana Maharshi diz:
Autoconhecimento é uma coisa fácil, a coisa mais fácil que
existe. Porque ele está tão próximo! Ele já está aí, ele
sempre esteve aí. Basta uma olhada, basta ligar, e você já não
será mais um pedinte, terá alcançado a qualidade de imperador,
e você será empossado, será coroado, e se tornará um rei.
Basta uma olhada para dentro... Mas isto é o que os Sufis dizem.
Ramana é um Sufi.
Eu estou usando a
palavra ‘Sufi’ no significado mais amplo da palavra. (Neste
sentido,) Buda é um Sufi, Jesus é um Sufi, Ramana é um Sufi.
Por ‘Sufi’ eu quero dizer aquele que está enfastiado de
filosofias e que começou a procurar por aquilo que é verdadeiro,
aquele que não mais se satisfaz com alimento sintético e está
à procura de nutrição verdadeira.
Ramana diz:
Autoconhecimento é uma coisa tão fácil quanto qualquer outra
coisa fácil que exista. Mas, exatamente o opopsto disso está
nesta frase de Emanuel Kant, um grande filósofo: ‘A metafísica
é um chamado à razão para empreender novamente a mais difícil
de todas as tarefas que é o autoconhecimento.’
A filosofia torna isto
difícil, muito difícil, quase impossível – porque a filosofia
se movimenta cada vez mais distante, bem longe disto. Saber a
respeito do Ser não é conhecê-lo; saber a respeito de Deus não
é conhecer Deus – como pode o ‘a respeito de’ ser aquilo. A
respeito, a respeito... Você segue em círculos. Isto se torna
impossível.
Quanto mais você se
torna esperto, ardiloso, calculista, a respeito do a respeito, você
será levado a se perder. Não é uma questão de saber a respeito
do Ser; é simplesmente uma questão de conhecê-lo, estar
consciente, não é uma questão de se pensar a respeito dele, mas
de estar centrado nele. Sentando-se silenciosamente nele, ele é
revelado.
Ramana está certo,
ele tem que estar certo, pois ele conhece. Emanuel Kant não está
certo, ele não pode estar certo, pois ele nunca conheceu o Ser.
Embora ele tenha tentado e trabalhado arduamente – ele foi um
dos intelectos mais aguçados que existiu. Sua perspicácia não
pode ser colocada em dúvida. Sua lógica era perfeita. Mas, no
que se refere a seus insights, ele era cego.
É como um homem cego
pensando a respeito da luz – é certo que será impossível.
Como pode um cego pensar a respeito da luz? (...)
Os Sufis acreditam no
ver. Ver é fácil; pensar é difícil. Se você tiver ouvidos,
saberá o que é música, mas se não tiver ouvidos, como poderá
pensar a respeito de música? De que maneira? É impossível. Não
existe maneira de comunicar a você o que é música. Se você tem
olhos, você conhece as cores e a beleza de um arco-iris. Mas se
você não tiver olhos, nem mesmo o maior dos poetas poderá lhe
dar uma idéia do que é um arco-iris, é impossível.
Os Sufis não
acreditam no pensar: eles acreditam no ver.
Você deve ter ouvido
o famoso ditado: ver é crer. É exatamente isto o que os Sufis
dizem: ver é crer.
Um famoso ditado Sufi diz: aquele que conhece os outros, é
erudito; aquele que conhece a si é sábio. Ser erudito é fácil,
para ser sábio tem que ter vísceras, coragem. Por que? Por que
no mundo é preciso ser corajoso para conhecer a si? Existem razões.
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A primeira razão é:
existe um medo de que se você mergulhar em si mesmo, poderá não
encontrar alguém lá...E de certa maneira este medo está certo.
Você não vai mesmo encontrar alguém lá. Esta apreensão está
certa.
Se o Naresh entrar em
si, não vai encontrar o Naresh lá. Se a Astha entrar em si, ela
não vai encontrar Astha lá. O mesmo com a Sudha e com o Viyogi.
Alguma coisa vai ser encontrada lá, mas é algo que não se
define, é algo que não se expressa em palavras. E este algo não
é sua posse; este algo é tanto seu quanto é de todo mundo.
Você encontrará
algo, mas será o centro universal. Você não encontrará
qualquer indivíduo lá, nenhum ego será encontrado. Por isto, o
medo. Você irá desaparecer. No autoconhecimento você irá
desaparecer completamente. Por isto as pessoas conversam a
respeito dele, perguntam a respeito dele, lêm livros a respeito,
mas nunca entram. Um medo inconsciente impede seu caminho.
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Adventure
Osho Zen Tarot
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E o homem moderno particularmente tem muito mais medo. O
homem moderno é freqüentemente levado ao desespero porque ele
tem medo de que o Ser não exista em definitivo ou que ele seja
uma máquina nazista, um robot Skineriano, uma barata Kafkiana,
um rinoceronte de Ionesco ou uma paixão inútil Sartreana.
Todos esses medos explodiram na mente moderna.
Quem sabe? Quando
você mergulhar em si, poderá encontrar a barata Kafkiana.
Existe uma parábola de Kafka:
Certa manhã ele
acordou e descobriu que era uma barata. Deve ser um sonho, ele
deve ter acordado dentro de um sonho. E não era apenas isto, a
barata estava de pernas para o ar, e ele conseguia ver aquelas
pernas se movendo no ar, e ele não conseguia se virar para posição
certa, ele estava de costas. E você pode imaginar... a miséria
do homem, a agonia e a náusea. E ele tentava arduamente, mas
parece que não havia jeito de se virar. Uma grande barata
ocupando toda a cama.
O homem moderno tem
ainda mais medo. Quem sabe no que você vai tropeçar quando
mergulhar em si? Pesadelos, monstros... Quem sabe o que está lá
dentro? Por que abrir a caixa de Pandora? Mantenha-a firmemente
fechada e sente-se em cima. Isto é o que todo mundo está
fazendo. E, sob certo sentido, o medo está certo – mas
somente sob certo sentido.
No começo você
encontrará baratas, rinocerontes, répteis e todo tipo de
coisas horríveis – porque estas são as coisas que você
esteve reprimindo em si mesmo, estas são as coisas que você não
permitiu. Você reprimiu a raiva, o ciúme, a possessividade, o
ódio. Você reprimiu a violência e o assassinato. Todas estas
coisas estão ali. Esta é a barata que está dentro de você. A
violência tornou-se uma perna, a possessividade tornou-se outra
e o ciúme uma outra mais...
Quando mergulhar dentro de si, você terá
que encarar tudo isto. Naturalmente, esta não é a história
toda. Se você puder encarar a barata, se você puder ir cada
vez mais fundo, sem qualquer medo, e observar tudo o que estiver
acontecendo, e lembrando-se que ‘eu sou apenas um observador,
uma testemunha a tudo isto. Eu não posso ser a barata porque eu
posso ver...’ o que você consegue ver não é você.
Guarde isto como uma
chave, uma lembrança constante: tudo o que você vê, não é
você. Você vê a raiva? Então você não é ela. Você vê a
fome? Então você não é ela. Você vê a sexualidade? Então
você não é ela. Você é aquele que testemunha tudo isto.
Lembre-se da testemunha e, pouco a pouco, todas as baratas
desaparecerão, assim como todos os rinocerontes e tudo o mais
que é feio.
O testemunhar é um
fenômeno tamanho que dissolve tudo que é feio. Pouco a pouco,
somente a testemunha permanece. Mas esta testemunha não será
você; ela é Deus. Esta testemunha não pode ser confinada em
um Eu – ela é puro ser.
Há poucos dias eu
lhes disse que existem duas inscrições gravadas no templo de
Apolo em Delfos: ‘Conheça-te a ti mesmo’ e ‘Nada em
excesso’. Há uma relação entre estas admonições. O homem
era aconselhado a conhecer a si mesmo, e no seu conhecer ele
deveria evitar extremos. Quais são os extremos?
Dois são os
extremos: o inferno e o céu, as baratas feias e as lindas
borboletas. Você tem que permanecer uma testemunha de ambas.
Você não é nem a barata nem a borboleta com cores psicodélicas.
Nem isto nem aquilo – neti neti. Você é apenas o
observador, o espelho que reflete a barata e que reflete a
borboleta.
De acordo com os
sacerdotes de Delfos, um extremo era a tentativa de ir além de
sua finitude, agir como se fosse infinito. Isto acontece. Se você
for para dentro, ou começa a sentir que é alguma coisa como
uma criatura do inferno, ou começa a sentir que você é um
anjo, uma criatura celestial. Mas em ambos os casos você
novamente criou um ego. Evite os extremos, porque o ego consegue
existir apenas com os extremos. Ele morre no meio. O meio
dourado é a sepultura do ego.
Os gregos costumavam
chamar estes extermos de hybris. Este termo designava os
extremos e quer dizer: uma afronta contra a natureza das coisas.
Não comece a pensar que você é celestial, que você é um
mensageiro de Deus, que você foi especialmente enviado ao mundo
para entregar a última mensagem, que você é o filho de Deus,
que você é o único mensageiro, o único verdadeiro, o único
Mestre, o único Mestre perfeito... Evite estas tolices. Deus
vem através de muitos caminhos, e suas mensagens continuam
filtrando no mundo. Não apenas através de Jesus, Buda e Maomé.
Mesmo quando um cuco canta, ele é a mensagem de Deus. E Jesus não
é o único filho de Deus, caso contrário, todo o resto do
mundo seria órfão.
Cada
árvore, cada animal, cada pássaro é tão filho de Deus quanto
qualquer um outro. Não que somente Maomé seja o profeta – os
rios e as montanhas, todos eles são seus mensageiros e seus
profetas. Sua mensagem continua sendo derramada em todos os
lugares, em todos os nichos, em todos os cantos. Assim, não
entre nessa idéia, senão o ego entrará por detrás da porta,
e irá criar problemas para você novamente. E você terá
perdido o autoconhecimento.
Os gregos têm uma
palavra especial para isto – eles chamam isto de hybris.
O outro extremo é a tentativa de agir como se o indivíduo não
fosse um membro da sociedade, tornando-se um monge, entrando na
solitude. Você é parte da sociedade, você nasceu na
sociedade, você vive em sociedade. A consciência social é
como um oceano para você – você é um peixe neste oceano.
Você não consegue viver sem ele. E aqueles que tentam viver
sem a sociedade quase sempre se tornam pervertidos. Sim, de vez
em quando é bom descansar por uns dias num retiro nas
montanhas, só para um descanso, mas você tem que voltar para o
mundo. Sim, é bom meditar por algumas horas, mas depois você
tem que voltar para o mundo. Não se torne um monge. Não comece
a pensar que você está separado, porque o autoconhecimento não
pode ser alcançado na separação. Ele é alcançado na união.
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We are the world
Osho Zen Tarot
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E a união mais íntima possível é com outra pessoa.
Como você pode estar em comunhão com as árvores se você não
consegue estar em comunhão com pessoas? Como você pode estar
em comunhão com as pedras se você não consegue estar em
comunhão nem mesmo com seu amado ou sua amada? Isto é absurdo!
Toda esta idéia é absurda. Um homem está dizendo, ‘Eu estou
deixando minha esposa e minhas crianças porque elas são uma
prisão para mim e eu estou indo para as montanhas, para estar
em comunhão com as montanhas.’ O que ele está falando é
besteira. Não será possível para ele estar em comunhão com
as montanhas, pois elas falam uma linguagem, totalmente
diferente. Elas estão muito atrás da consciência humana. Para
se relacionar com elas você terá que se tornar uma montanha
– somente então você conseguirá se relacionar.
Se você não
consegue se relacionar com seres humanos que são tão evoluídos
como você, que pertencem ao mesmo mundo de linguagem, que
pertencem ao mesmo nível de vida, você não conseguirá se
relacionar com ninguém mais, em lugar algum. Não seja
tolo.
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Os gregos foram muito
específicos a respeito destes dois extremos. Aquele que vivia
fora da sociedade era chamado de um ser privado. Eles tinham uma
palavra bonita para isto, eles chamavam a pessoa de idios.
É desta palavra que surgiu ‘idiota’. Idios era o nome
para tal ser. Se você fosse de verdade para fora da sociedade,
então se tornaria um idiota. Esta é a minha observação.
Eu tenho visto pessoas
vivendo anos e anos nas montanhas e elas se tornam idiotas. Elas têm
que se tornar idiotas, pois lá não há qualquer desafio, nenhum
ser humano para provocá-las, nenhum desafio humano para aguçar
suas inteligências. É muito provável que elas se tornem
idiotas. O crescimento não é possível lá.
Elas podem viver num
silêncio, mas o silêncio será das montanhas, não é uma
realização delas. A não ser que você consiga viver o silêncio
na praça do mercado, ele não será uma realização sua. Ao
retornar do Himalaia você, de repente, ficará chocado, pois
continuará sendo a mesma pessoa que era antes de ter ido para lá,
talvez você esteja até pior. Você não será capaz de tolerar o
barulho, o tumulto do mundo. Que tipo de realização é esta? Em
lugar de se tornar mais capaz, mais integrado, você terá se
desintegrado, terá se enfraquecido. Você não ganhou força.
‘Conheça-te a ti
mesmo’, mas nesse seu conhecer, não se torne um híbrido ou um
idiota! O ego fica inflado – ‘Eu sou uma alma’, ‘Eu sou
infinito’, ‘Eu sou eterno’, ‘Eu sou isto e aquilo’... Se
o eu continua presente, então você nada é. Quando o Eu se vai,
então sim, Deus está, a imortalidade está, mas nada disso você
pode possuir, nada disso você pode guardar em seu caixa-forte. E
isto nada tem a ver com você! Isto pertence à existência. E você
também pertence à existência.
Este é o primeiro
extremo a ser evitado.
E o segundo extremo é:
não se torne um idiota. Não comece a escapar das pessoas, porque
todo crescimento está ali com as pessoas, relacionando-se com as
pessoas, aceitando os desafios e respondendo a tais
desafios.
Autoconhecimento é um
conceito muito estranho, e você precisa compreendê-lo, porque
este é todo o trabalho de um Sufi: como conhecer a si mesmo. A
expressão ‘si mesmo’ é uma contradição em termos, porque
no conhecimento pelo menos duas coisas são necessárias: o
sujeito que conhece e o objeto que está sendo conhecido. E no
autoconhecimento não existem duas coisas, mas apenas uma. Como
chamar isto de autoconhecimento? Quem é o sujeito que conhece e
quem é o objeto que é conhecido? A palavra tem que ser usada
porque nós não temos outra melhor para isto. Mas ela tem que ser
usada muito conscientemente, sabendo que ela não significa
extamente o que ela diz.
Autoconhecimento é um
tipo de conhecer, mas não de conhecimento.É um tipo de consciência,
luminosidade, mas não conhecimento. Ele não pode ser
conhecimento porque isto requer duas coisas.
Este problema de
autoconhecimento foi resumidamente e metaforicamente declarado por
Simone de Beauvoir. Ela diz, ‘É fácil dizer: Eu sou Eu. Mas,
quem sou Eu? Onde encontrar a mim? Eu teria que estar do outro
lado de todas as portas. Mas quando sou eu quem bate na porta, o
outro, do outro lado, se torna silencioso. Para conhecer o ser, o
ser deve estar em ambos os lados de uma mesma porta. Mas quando o
ser que bate é o sujeito que conhece e está de um lado da porta,
não há ninguém do outro lado da porta para abri-la. E quando
existe um ser do outro lado, do lado do objeto que está sendo
conhecido, para abrir a porta, não há ninguém do lado do
sujeito que conhece para bater na porta! Então, o que se deve
fazer?’
Entendeu? Se você é
o sujeito que conhece, então quem estará ali para ser o objeto
conhecido? E se você é o objeto conhecido, quem estará ali como
sujeito para conhecer? Isto é o que Beauvoir quer dizer, que você
tem que estar de ambos os lados da porta. Por exemplo, se você
está batendo na porta e você é o único ali, não haverá ninguém
do lado de dentro para responder à sua batida. Se você está do
lado de dentro da porta e pronto para abri-la, então não haverá
ninguém do lado de fora para bater nela. Você terá que estar em
ambos os lados. Só assim haverá alguma comunicação e algum
conhecimento.
Isto é impossível.
Como você pode estar nos dois lados da porta? Isto parece mais um
koan Zen, e é. Este é o koan básico. A partir deste koan,
milhares de outros koans foram criados. Então, o que se deve
fazer?
Alguém dirá:
‘continue batendo!’ Este é o caminho da vontade. ‘Continue
batendo!’ Jesus disse: Peça e lhe será dado. Bata e a porta
lhe será aberta. Procure e você encontrará.
Esta é uma resposta:
Continue batendo... persevere, seja paciente. Não se sinta
frustrado se a porta não está abrindo. Continue batendo,
continue batendo...Um dia a porta se abrirá. Esta é uma
resposta.
A outra resposta é:
‘Pare de bater e espere!’ Este é o caminho da entrega, da
devoção, do amor, da prece. O primeiro é o caminho do iogue que
funciona através do poder da vontade. O segundo é o caminho do
devoto que entrega e espera, confia e ora.
Mas eu lhe digo:
Olhe... Não existe nenhuma porta para bater e ninguém para bater
nela. E mais, a porta está aberta. Ela tem estado aberta por todo
o tempo, desde o começo. E não existe nenhum ser para ser
conhecido e nenhum autoconhecimento. Conhecer, naturalmente,
existe, mas nada como autoconhecimento.
Isto foi o que a
grande mística Rabia disse para Hasan:
Hassan costumava orar
todos os dias diante do mosteiro, sentando-se na rua. E ele
chorava em prantos, olhava para o céu e dizia, ‘Deus, abra a
porta! Eu tenho esperado há tanto tempo. Não foi o suficiente?
Terei eu que passar por mais testes? Você ainda não me testou o
suficiente? Abra a porta! Eu estou chorando. Eu estou em prantos.
Eu estou gritando – abra a porta!’
Esta era a sua
constante prece, toda manhã e toda tarde. Onde quer que
estivesse, ele ia ao mosteiro, sentava-se na rua e orava.
Rabia estava passando
um dia. Ela bateu na cabeça do Hassan e disse, ‘Que tolice você
está falando? A porta está aberta! Mas você está tão
absorvido em seus gritos ‘Abra a porta! Escute-me, Senhor. Por
que você não abre a porta?’ Você está tão ocupado com essas
tolices, que você não consegue ver que a porta está aberta. Ela
sempre esteve aberta’.
Eu concordo com
Rabia... Tudo está disponível. Você não precisa lutar. Você
nem mesmo precisa se entregar. Porque a entrega é a polaridade
oposta à luta. Você tem apenas que estar no meio. Tem que estar
no estado de não-fazer, nem lutar nem se entregar. E de repente
você será capaz de ver que a porta está aberta. Você nunca foi
a nenhum outro lugar. Você sempre esteve aqui. Onde mais você
poderia ir? Estar dentro é a sua natureza. E então tudo é
revelado como um relâmpago. De repente a escuridão desaparece e
tudo é luz.
Mas não existe ser
algum para ser encontrado. O conhecer acontece, mas não um
autoconhecimento. Por isto o medo. Lá, bem no fundo, em algum
lugar no inconsciente, você sabe perfeitamente bem que ‘Se eu
for para dentro, eu não encontrarei a mim mesmo. É melhor não
ir para dentro, assim poderei continuar acreditando que ‘Eu
sou!’
Este ‘Eu’ é a única
barreira. Este ‘Eu’ é a única ignorância. Este ‘Eu’ é
o único pecado.
OSHO
– The Perfect Master – vol. II – Capítulo 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak
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