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Conexão
Brasil
dezembro
de 2007
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Esta
Terra é mais que um paraíso
Querido
Osho,
Várias
vezes eu ouvi você descrever seu trabalho como ‘um experimento
para provocar Deus’ e como ‘uma cidade modelo para o
futuro.’ Depois veio a ‘Excursão pelo Mundo’. No contexto
atual de crise global ascelerada, como você descreveria o seu
trabalho agora, e o que está acontecendo àqueles que se reuniram
ao seu redor aqui?
Mutribo, são muitas coisas que você perguntou. O mais
fundamental é lembrar que o que está acontecendo aqui, não é
um trabalho. Chamar isto de trabalho implica tensão, preocupação
e medo de fracasso. Isto não é um trabalho, mas um
relacionamento brincalhão com a existência.
No
que diz respeito ao mundo dos homens, eu não penso que haja muita
chance de converter as massas contra seu próprio passado. Elas são
criações do passado, e o passado delas vem num crescendo em direção
a essa crise que se aproxima. As massas serão afogadas nessa
crise. Eu fico triste com isso, mas a verdade tem que ser dita.
Somente
algumas poucas pessoas no mundo serão capazes de sobreviver após
esse suicídio global, e elas serão as pessoas que estiverem
profundamente enraizadas na consciência: alertas, atentas,
amorosas e prontas para se desconectar do passado completa e
incondicionalmente, e prontas para começar o Novo Homem e a nova
humanidade no mundo com o frescor de uma criança. Me agrada o
fato de que existem muitas pessoas no mundo capazes de entrar
fundo nelas mesmas. A única esperança delas é um ser
auto-realizado.
É
tarde para fazer alguma coisa para impedir a imensa destruição
que está por acontecer. Se nós pudermos proteger apenas uns
poucos seres humanos genuínos, isso será o suficiente, mais do
que o suficiente. O passado da humanidade tem sido absolutamente
acidental; as pessoas têm feito coisas sem saber suas conseqüências.
Agora nós estamos sofrendo as conseqüências e não existe jeito
de mudá-las.
Por
exemplo, toda a ecologia ao redor da terra tem sido destruída. A
vida não existe como uma ilha separada; nem um simples homem é
uma ilha. Tudo está entrelaçado. Você tem ouvido essas duas
palavras, ‘dependência’ e ‘independência’. Ambas não são
reais; a realidade é a interdependência. Nós somos todos muito
interdependentes uns dos outros – não apenas homens de outros
homens, não apenas nações de outras nações, mas árvores e
homens, animais e árvores, pássaros e o sol, a lua e os
oceanos... Tudo está entrelaçado. E a humanidade passada nunca
pensou a esse respeito, que isto é um cosmos. Eles continuaram
pensando em termos de considerar tudo separadamente. Era impossível
para as pessoas no passado pensar que o homem e as árvores
estavam conectados, que eram interdependentes.
Você
não consegue viver sem as árvores, nem as árvores conseguem
viver sem você. Mas é muito tarde. Árvores com cem anos,
duzentos e até quatrocentos anos têm sido destruídas e cortadas
para fazer mais papéis para todos os tipos de jornais estúpidos,
sem jamais terem qualquer consideração com o que estão fazendo.
Vocês não serão capazes de repô-las.
Justamente
no Nepal... Infelizmente ele é um dos países mais pobres do
mundo. Ele nada possui a não ser o Himalaia eterno e a antiga e
densa floresta. Ele vendeu sua floresta para diferentes paises –
aquela era a única mercadoria que ele podia vender. Nos últimos
30 anos, metade das árvores do Nepal desapareceram e para os próximos
trinta anos, a Rússia comprou os direitos sobre a floresta
remanescente. E eles estão cortando as árvores, não da maneira
antiga, com um machado, mas com técnicas muito modernas de modo
que em um dia milhares de árvores simplesmente desaparecem. Quilômetros
de terras estão se tornando desertos.
Essas
árvores impediam que os rios do Himalaia descessem com muita força,
porque os rios tinham que passar por entre todas essas árvores e
elas diminuiam a força do fluxo de água que assim descia mais
devagar. Com o tempo os rios alcançavam Bangladesh, onde eles se
encontram com o oceano e a quantidade de água que chegava era
exatamente o tanto que o oceano podia absorver. Mas agora essas árvores
desapareceram.
Os
rios estão chegando com grande força e com uma tal quantidade de
água que o oceano não consegue absorver tão rapidamente. O
oceano devolve a água e Bangladesh está sofrendo continuamente,
todo ano, grandes e estranhas enchentes -
rios correndo para trás porque o oceano não aceita a água.
Elas destroem todas as plantações de Bangladesh. Bangladesh é
pobre e essas enchentes estão matando milhares de pessoas,
milhares de animais, destruindo milhares de casas. E Bangladesh não
pode fazer nada. Está além de seu poder dizer ao Nepal ‘Por
favor, não corte as árvores.’ Em primeiro lugar, mesmo se o
Nepal parar de cortar as árvores, o estrago já está feito. E,
em segundo lugar, o Nepal não pode parar de cortar as árvores,
pois elas já estão vendidas para os próximos trinta anos. Eles
já pegaram o dinheiro para sobreviver.
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Situação semelhante existe em muitas áreas do mundo.
Existem muitos gases que estão sendo produzidos pelas nossas fábricas
e que nos têm feito consciente de um fenômeno estranho. Esses
gases se movem para o alto e fazem buracos numa certa camada
chamada Ozônio, uma variedade de oxigênio, que cobre toda a área
de ar da terra a duzentas milhas de altitude. O ozônio é
totalmente necessário para a humanidade, para os animais, para
as árvores, porque nem todos os raios solares são benéficos
para a vida. Existem uns poucos raios solares que destroem a
vida. O ozônio manda de volta esses raios destrutivos e permite
a passagem apenas dos raios benéficos.Agora, grandes buracos têm
sido criados pelos gases gerados por nossas fábricas e indústrias,
e através desses buracos, raios mortais vindos do sol estão
entrando na atmosfera.
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Esta terra nunca esteve tão doente; ela nunca enfrentou
tantos perigos de novas doenças. Mas, os interesses ocultos não
estão prontos para ouvir, para interromper essas fábricas ou
encontrar alternativas. E os cientistas estão engajados somente
em criar mais armas para guerra. Nenhum governo está pronto
para dar apoio aos cientistas para que eles possam criar mais ozônio
para preencher esses vazios, os quais, inconscientemente, nós
mesmos criamos.
A
minha ênfase é que nossos problemas são internacionais, mas
as nossas soluções tem sido nacionais. Nenhuma nação é
capaz de resolvê-los. Eu considero isso como um grande desafio
e uma grande oportunidade: as nações devem ser desmontadas
cedendo para um governo mundial.
Isso
foi tentado pela Liga das Nações antes da segunda guerra
mundial, mas não conseguiu ser bem sucedida. Ela permaneceu
apenas como um clube para debates. A segunda guerra destruiu
toda a credibilidade da Liga das Nações. Mas a necessidade
permaneceu e, por esta razão, eles tiveram que criar a Organização
das Nações Unidas, a ONU. Mas a ONU tem sido um fracasso como
era a Liga das Nações. De novo, ela ainda é um clube para
debates, porque ela não tem poder. Ela é apenas um clube
formal, ela não consegue implementar coisa alguma.
Eu
gostaria de um governo mundial. Todas as nações deveriam
entregar os seus exércitos e suas armas ao governo mundial.
Centamente, se existir um governo mundial, nem exercitos serão
necessários, nem armas. Com quem você vai guerrear? Será
quase impossível encontrar o vizinho mais próximo entre os
planetas para algum tipo de guerra.
Nações
se tornaram ultrapassadas, mas elas continuam existindo, e elas
constituem o problema maior. Se pudéssemos olhar para o mundo
como os pássaros olham, uma sensação estranha iria surgir: nós
temos tudo, nós só precisamos de uma humanidade.
A
Índia possui muito carvão – e carvão não é criado em um
dia, leva milhões de anos para a madeira se tornar carvão. E
depois de mais outros milhões de anos o mesmo carvão se torna
diamante. São os mesmos elementos que constituem o carvão e o
diamante. É o carvão submetido a pressão por milhões de anos
que cria a coisa mais dura no mundo, o diamante.
A
Índia tem muito carvão e a Rússia não tem carvão algum. Mas
eles têm uma superprodução de trigo. Metade da população da
Índia passa fome; o trigo é necessário, pois não se pode
comer carvão. Na União Soviética, no tempo de Stálin, eles
queimaram trigo para os trens circularem em suas ferrovias, no
lugar de carvão. Eles não possuem carvão, mas agora eles têm
plantações com uma produção super tecnológica. Era fácil
para eles queimarem trigo, mas eles não sabiam que eles estavam
queimando milhões de pessoas que estavam morrendo porque não
tinham o que comer.
Os
problemas são mundiais.
As
soluções também têm que ser mundiais.
E
a minha compreensão é totalmente clara, de que existem coisas
que em algum lugar podem não ser necessárias, mas em outro
lugar a própria vida depende delas. Um governo mundial
significa olhar para toda a situação deste globo e deslocar as
coisas para onde elas sejam necessárias. Esta é uma
humanidade.
Na
Etiópia estão morrendo mil pessoas por dia e na Europa eles
estão jogando bilhões de dólares em alimentos no mar, porque
eles têm uma tecnologia mais avançada para produção. Alguém
que esteja olhando pelo lado de fora pensará que a humanidade
é demente. Milhares de pessoas morrendo e montanhas de manteiga
e outros alimentos sendo jogados no oceano. Num ano recente,
quando a América jogou seus alimentos no mar, apenas o gasto
para jogá-los no mar foi de dois bilhões de dólares. Não era
o custo do produto, era apenas o custo de carregá-lo até o
oceano e jogar fora.
A
própria América possui trinta milhões de pessoas que não
conseguem ter alimentos suficientes. Não é uma questão de dar
os alimentos para um outro país, a questão era dar os
alimentos para o seu próprio povo. Mas os problemas se tornam
mais complicados, porque se você começar a dar alimentos de
graça para trinta milhões de pessoas, os outros começarão a
questionar, ‘Por que nós temos que pagar pelos nossos
alimentos?’ Depois, o preço das coisas começarão a baixar.
Com os preços baixos, os fazendeiros não estarão mais
interessados em produzir – qual o sentido? Com medo de
perturbar a economia, eles deixam trinta milhões de pessoas
morrerem nas ruas e continuam jogando os alimentos excedentes no
oceano.
E
não é apenas isto. Exatamente trinta milhões de pessoas estão
morrendo nos hospitais e clínicas da América por problemas
causados por excesso de alimentação. Não se pode deixá-las
em casa, porque em casa é muito difícil proteger as geladeiras
dessas pessoas. Elas estão morrendo porque elas comem demais, e
nas ruas existem pessoas que estão morrendo porque não têm o
que comer. Uma mesma quantidade: trinta milhões morrendo por
excesso de comida e trinta milhões morrendo porque não têm
comida suficiente. Sessenta milhões de pessoas poderiam ser
imediatamente salvas com uma pequena compreensão.
Mas
é preciso olhar para o mundo com os olhos de um pássaro, por
toda parte, como uma unidade. Os nossos problemas nos trouxeram
a uma situação onde ou nós teremos que cometer suicídio ou
teremos que transformar o homem, suas velhas tradições e seus
condicionamentos. Os condicionamentos e os sistemas
educacionais, as religiões que o homem tem seguido, contribuíram
para esta crise. Este suicício global é o resultado final de
todas as nossas culturas, todas as nossas filosofias e todas as
nossas religiões. Todas elas contribuiram para isso, de
maneiras estranhas, pois ninguém jamais pensou no todo, todo
mundo esteve olhando para um pequeno pedaço, não se
preocupando com o todo. (...)
Ninguém
está interessado na crise que se aproxima, a qual não está
distante. Este século está para terminar daqui a doze anos.
Doze anos não é um longo tempo; quase todo mundo presente aqui
será capaz de ver o final deste século. Você será afortunado
se não presenciar o fim da vida nesta terra. As preparações
estão a caminho para destruir toda a terra. E as pessoas que
estão fazendo isso, fazem escondidas atrás de grandes nomes:
nações, religiões, ideologias políticas, comunismo.
Parece
que o homem existe para todos esses tipos de coisas –
comunismo, democracia, socialismo, fascismo. A realidade deveria
ser que tudo existisse para o homem, e se fosse contra o homem,
não deveria existir de jeito algum. Todo o passado da
humanidade é cheio de ideologias estúpidas pelas quais os
homens estiveram guerreando nas cruzadas, matando, assassinando,
queimando pessoas vivas nas fogueiras. Nós temos que abandonar
toda essa insanidade.
Se as nações desaparecerem, a segunda grande doença são
as religiões, porque elas têm lutado entre si, têm matado,
por razões nas quais ninguém está realmente interessado. Eu
nunca encontrei um homem que estivesse realmente interessado em
Deus. Se você lhe oferecer cinco rúpias numa mão e Deus na
outra, ele pegará as cinco rúpias e dirá, ‘Deus é eterno,
nós nos veremos mais tarde. Neste momento, cinco rúpias me serão
muito úteis.'
Quem se interessa por Deus, a não ser os sacerdotes?
Porque esse é o negócio deles, e eles querem que seus negócios
se ampliem. (...)
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Se for para o mundo sobreviver, primeiro as nações
devem ir; em seguida as religiões também devem ir. Uma
humanidade é o bastante – não há necessidade alguma de Índia,
Inglaterra e Alemanha. E uma religiosidade é o bastante: meditação,
verdade, amor, autenticidade, sinceridade, que não precisam de
nome algum – hindu, cristão ou muçulmano – apenas uma
religiosidade, uma qualidade, não alguma coisa organizada. No
momento em que entra a organização vai haver violência porque
existem outras organizações em conflito. Nós precisamos de um
mundo de indivíduos sem quaisquer organizações. Sim, as
pessoas que tiverem sentimentos semelhantes, jogos e alegrias
semelhantes, poderão se juntar. Mas não deverá haver
quaisquer organizações, hierarquias ou burocracias.
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Primeiro,
as nações, segundo, as religiões e terceiro, uma ciência
completamente devotada a uma vida melhor, a mais vida, a uma
inteligência melhor, a mais criatividade – não para criar
mais guerra, não para ser destrutiva. Se essas três coisas
forem possíveis, toda a humanidade poderá estar salva de ser
destruída pelos seus próprios líderes religiosos, políticos
e sociais.
Esta crise que está a caminho é boa,
porque ela vai forçar as pessoas a escolherem. Você quer
morrer ou quer viver uma nova vida? Morrer para o passado,
abandonar tudo o que lhe foi dado como herança do passado e
começar fresco, como se você estivesse descendo nesta terra
pela primeira vez. E então comece a trabalhar com a natureza não
como um inimigo, mas como um amigo, e a ecologia estará logo
funcionando novamente, como uma unidade orgânica.
O
mal pode ser reparado; não é difícil fazer a terra mais
verde. Se muitas árvores foram cortadas, muito mais árvores
podem ser plantadas. E com ajuda científica, elas podem crescer
mais depressa. Elas podem ter uma folhagem melhor. Diferentes
tipos de barragens podem ser construídos nos rios, de modo que
eles não inundem pobres países como Bangladesh. A mesma água
pode criar muito mais eletricidade e ajudar milhares de povoados
a terem luz à noite, a terem calor nos invernos frios.
Isso
é uma coisa simples. Todos os problemas são simples, mas os
fundamentos básicos são o problema. Aquelas três coisas
tentarão de toda maneira não desaparecerem, mesmo pagando com
o preço do desaparecimento de todo o mundo. Eles estarão
prontos para esse desaparecimento, mas não estarão prontos
para declararem. ‘Nós entregamos todas as nossas armas e
todos os nossos exércitos a uma organização mundial.’
As
funções das nações permaneceriam simples: rede de ferrovias,
agências de correio, uma pequena força policial para cuidar de
questões internas. Mas não haveria necessidade de exércitos.
Milhões de pessoas estão engajadas nos exércitos, os quais são
inúteis. Elas poderiam ser colocadas em artes criativas, em
fazendas, em jardins. E elas são pessoas treinadas, elas podem
fazer trabalhos que outras pessoas não conseguem. Um exército
pode construir uma ponte rapidamente – este é o seu
treinamento – ele pode construir mais casas para as pessoas.
Agora,
se a ciência não estiver mais envolvida apenas com guerras e
criando mais armamentos, ela é capaz de criar tanto alimento
que cinco vezes mais pessoas do que as que existem hoje poderão
viver alegremente nesta terra. Hoje existem apenas cinco bilhões
de pessoas. Vinte e cinco bilhões de pessoas poderão viver
alegremente sem fome, sem sofrer doenças. Mas a ciência deve
ser libertada das mãos das nações, as quais forçam seus
cientistas a criar mais armamentos. Os cientistas estão
trabalhando quase como prisioneiros.
Eu
quero que isso seja conhecido em todo o mundo: se vocês não
estiverem prontos para serem um, estejam prontos para
desaparecer deste planeta. Mas eu espero que existam pessoas
inteligentes que gostariam de sobreviver, que gostariam que este
belo planeta crescesse mais lindamente, que esta humanidade
crescesse mais inteligente. Eu receio que talvez toda a
humanidade não esteja nem mesmo alerta para o perigo que está
chegando mais próximo a cada momento.
Mutribo,
você está me perguntando, ‘Várias vezes eu ouvi você
descrever seu trabalho como ‘um experimento para provocar
Deus...’ Ele ainda é o mesmo. Eu ainda estou tentando
provocar o Deus dentro de você, o divino dentro de você... Com
mais consciência, mais luz, mais vitalidade, mais êxtase.
Pessoas
miseráveis são perigosas, pela simples razão que elas não se
preocupam se a terra vai sobreviver ou não. Elas são tão
miseráveis que no fundo elas podem até sentir que será melhor
se tudo acabar. Quem se importa, se você está vivendo na miséria?
Somente pessoas felizes, pessoas que estão em êxtase, pessoas
que dançam gostariam que este planeta sobrevivesse para sempre.
De maneira que meu esforço continua o mesmo: Um experimento
para provocar Deus.
‘...e
como ‘uma cidade modelo para o futuro.’ No contexto atual de
crise global ascelerada, como você descreveria o seu trabalho
agora, e o que está acontecendo àqueles que se reuniram ao seu
redor aqui.’ Mutribo, ele é o mesmo; nada mudou, porque a
crise mundial não mudou.
As
pessoas que se reuniram junto a mim estão aprendendo agora como
serem mais felizes, como serem mais meditativas, como rir mais,
viver mais, amar mais e espalhar o amor e o riso ao redor do
mundo. Esta é a única proteção contra armas nucleares. Se
todo o globo pudesse aprender a amar e rir, a curtir e dançar,
então o Ronald Reagan e o Gorbachev ficariam surpresos... O que
aconteceu? Parece que todo o mundo ficou maluco!
Pessoas
felizes e satisfeitas, não são pessoas a serem forçadas a
matar outras que não lhes fizeram mal algum. Não é de se
estranhar que todos os exércitos, ao longo do tempo, têm sido
mantidos reprimidos sexualmente, porque pessoas sexualmente
reprimidas, provavelmente, serão destrutivas. A própria
repressão as força a destruir algo.
Você
já observou em si mesmo, quando está feliz, alegre, você quer
criar alguma coisa; quando você está sofrendo, se sentindo
miserável, você quer destruir algo. Isso é uma vingança.
Todos os exércitos são mantidos sexualmente reprimidos, de
modo que no momenmto em que eles têm que matar, aquilo se torna
a sua alegria; pelo menos suas energias reprimidas estão sendo
expressas – naturalmente, de uma maneira muito feia e
desumana, mas alguma expressão acontece.
Você
já observou? – pintores, poetas, escultores, dançarinos
nunca são um povo sexualmente reprimido. Na verdade eles são
super sexuais. Eles amam muito e amam muitas pessoas. Talvez uma
pessoa não seja suficiente para exaurir o seu amor. Eles têm
sido condenados pelos sacerdotes ao longo dos tempos: esses
poetas, pintores, escultores, músicos, eles não são tidos
como boas pessoas. E este é o único povo que fez alguma coisa
bela nesta humanidade, que contribuiu para o mundo com algumas
flores de alegria, algumas flores de música, algumas belas danças.
O que os sacerdotes fizeram para o mundo? Eles têm queimado
mulheres nas fogueiras, chamando-as de bruxas; eles têm matado
pessoas que pertencem a outra fé. Eles não têm sido pessoas
criativas. Eles não melhoraram a terra e não melhoraram a
vida.
Nós
precisamos, com essas três mudanças fundamentais, um grande
respeito pelas pessoas criativas em qualquer dimensão. E nós
devemos aprender a transformar nossas energias de modo que elas
não sejam reprimidas, de modo que elas sejam expressas em forma
de amor, de riso, de alegria. Esta terra é mais que um paraíso,
você não tem outro lugar para ir. Paraíso não é alguma
coisa que tem que ser alcançada, ele é algo que tem que ser
criado. Isso depende de nós.
Esta
crise, Mutribo, dá uma chance para as pessoas corajosas se
desconectarem do passado e começarem a viver de uma nova
maneira – não o passado modificado, não uma continuação do
passado, não o passado melhorado, mas algo totalmente novo.
Encontre
maneiras para se relacionar de uma nova forma. Esqueça
casamentos, comece a pensar como investigar a vida. Esqueça
todas as suas crenças, comece a meditar em busca de encontrar
quem você é exatamente, porque encontrando a si mesmo, você
terá encontrado a própria essência da existência. Ela é
imortal e eterna, e são inexprimíveis a felicidade e a bênção
daqueles que a encontraram.
Nós
precisamos de mais pessoas alegres ao redor da terra para
impedir a terceira guerra mundial. Você vai ficar pasmo,
surpreso com a minha resposta. Você pode não ser capaz de
descobrir imediatamente que conexâo pode existir entre armas
nucleares e pessoas risonhas – mas ela existe. Essas armas
nucleares e essas máquinas de guerra destrutivas não conseguem
funcionar sozinhas. Elas estão sendo manuseadas por seres
humanos, por trás delas existem mãos humanas.
Uma
mão que conhece a beleza de uma rosa não pode soltar uma bomba
em Hiroshima. Uma mão que conhece a beleza do amor não é a mão
que aperta um gatilho carregado de morte. Basta um pouco de
contemplação e você compreenderá o que estou dizendo.
Eu
estou dizendo, espalhe o riso, espalhe o amor, espalhe valores
de uma vida afirmativa, faça crescer mais flores ao redor da
terra. Tudo o que é belo, aprecie; e tudo que é desumano,
condene. Tire toda esta terra das mãos dos políticos e dos
sacerdotes e você terá salvo o mundo, e você terá
transformado o mundo em um novo fenômeno, com uma nova consciência
humana. E isto tem que ser feito agora, porque o tempo é muito
curto. Ao final do século vinte, ou você entrará no primeiro
século de uma nova história do homem ou correrá o risco de não
haver uma folha viva, nem mesmo uma simples flor silvestre. Tudo
poderá estar morto.
Existem
experimentos acontecendo na União Soviética, e talvez na América
também, com raios mortais. Ao invés de soltar bombas, será
muito mais fácil espalhar raios mortais, que simplesmente matam
pessoas vivas, animais, pássaros, árvores. Apenas coisas
mortas – casas, templos, igrejas – permanecerão. Será
realmente um pesadelo. E todos esses raios mortais não são visíveis.
Nós sabemos que raios mortais existem; o que eles estão
tentando descobrir é como espalhá-los, para alcançar um certo
destino e destruir todos os seres vivos que passarem por eles.
O
homem tem que se libertar desses monstros. O nosso trabalho
aqui, Mutribo, é para ensinar às pessoas consciência, mais
estado de alerta, mais amor, mais compreensão, mais alegria e
espalhar a dança e celebração ao redor da terra. Reduzindo a
uma simples declaração, eu posso dizer: se nós pudermos fazer
a humanidade mais feliz, não haverá qualquer terceira guerra
mundial. (…)
Osho –
Hari Om Tat Sat –
capítulo 5
Tradução: Sw.
Bodhi Champak
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