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Conexão
Brasil
agosto
de 2008
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Confiança:
a nossa conexão com a Existência
Querido Osho,
Parece que o círculo se completou. Sinto-me chegando
a um lugar que deixei em minha infância, vivendo uma vida
inocente, poética e extática. O universo inteiro era minha
família. E então - primeiro devido à confiança e depois
devido ao medo -, eu permiti que a sociedade assumisse o
comando. Agora tudo foi descascado. Eu caminhei através da
dor, o medo se foi, a ambição se foi. Entendendo toda essa
jornada com os olhos abertos, eu estou sentado sob o céu,
bebendo o doce esplendor, dia e noite. Osho, parece não
existir escuridão alguma, nenhum fim, algumas vezes, nem
mesmo eu.
Deva Pratito, raramente acontece de se alcançar a
infância novamente. Isso deveria acontecer mais. Isso
deveria acontecer a todo mundo porque sem esse acontecimento
a sua vida permanece incompleta.
Alguma coisa continua lhe faltando – algo que você
conheceu, mas que esqueceu – uma memória desaparecida,
uma lembrança perdida. E essa lacuna não é apenas uma
lacuna, é uma ferida. E ela dói, porque você trouxe algo
com o seu nascimento neste mundo, e você perdeu isso em
algum lugar. E parece ser impossível reencontrar esse algo
neste mundo abarrotado. Mas, a não ser que isso aconteça,
a sua vida terá sido em vão, uma miséria, um sofrimento,
um anseio fútil, um desejo sem sentido, uma sede que você
não consegue saciar.
Deva Pratito, você é abençoado. E lembre-se sempre
de pedir à existência para que todo mundo seja abençoado
da mesma maneira.
Você está dizendo, ‘Parece que o círculo se
completou.’ Ele
se completou – não diga que parece estar completo.
‘Sinto-me chegando a um lugar que deixei em minha infância,
vivendo uma vida inocente, poética e extática. O universo
inteiro era minha família. E então - primeiro devido à
confiança e depois devido ao medo -, eu permiti que a
sociedade assumisse o comando.’
Esse é o maior crime que a sociedade comete contra
todas as crianças. Nenhum outro crime consegue ser maior
que este. Danificar a confiança de uma criança é
danificar toda a sua vida, porque a confiança é tão
valiosa que no momento em que você a perde, você também
perde o contato com o seu próprio ser.
A confiança é a conexão entre você e a existência.
Confiança é a mais pura forma de amor, e uma vez que a
confiança seja perdida, o amor também se torna impossível.
Mas a confiança de toda criança está sendo
explorada. Ela confia naturalmente em seus pais e por causa
de sua confiança, eles lhe dão crenças que são
venenosas, uma personalidade que é falsa, um ego que irá
despojá-la de sua alma; crenças, pensamentos, escrituras,
que irão embaraçar a sua inteligência, que irão impedir
a sua busca pela verdade, que farão com que ela se torne
parte de alguma organização religiosa estúpida.
Eu chamo toda organização religiosa de estúpida,
porque a verdadeira religião nunca pode ser organizada. A
verdadeira religião é sempre individual, ela nada tem a
ver com a multidão. Um Jesus pode ser religioso, mas não
os cristãos. Os cristãos são apenas cópias carbonos.
Eles esqueceram suas próprias originalidades, suas próprias
individualidades.
Jesus não estava seguindo alguém. Ele não estava
imitando alguém. Essa foi a sua falta: ele não
permitiu que a sociedade explorasse a sua confiança. Ele não
permitiu que a multidão o reduzisse a uma personalidade
falsa. Ele permaneceu um indivíduo.
Ele arriscou sua vida, mas não se comprometeu com a
sociedade. Era melhor morrer na cruz do que ser um hipócrita.
Pelo menos na cruz ele era verdadeiro, autêntico – era
ele mesmo.
Na multidão ele teria vivido, mas não a sua própria
vida. Ele teria sido um dente na engrenagem de uma máquina
– sem qualquer individualidade, sem qualquer inteligência
própria, sem qualquer compreensão da verdade, da significância,
da beleza e da imensa graça da existência.
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Ele poderia ter salvo a sua vida, mas na verdade, isso
teria sido a sua crucificação. Ele aceitou ser crucificado –
isso era salvar a sua vida – sem medo, confiando na existência,
sem qualquer raiva para com a multidão. Mesmo em seu último
momento na cruz, ele estava pedindo pela multidão: ‘Pai,
perdoe-os. Eles não sabem o que estão fazendo. Eles são
inconscientes. Nada se pode esperar de pessoas inconscientes.’
Ele
tinha apenas trinta e três anos de idade; uma longa vida estava
à sua frente. Mas essa é a beleza do homem, ele ter
sacrificado essa longa vida que teria sido sem sentido, falsa,
enganosa, por algo real, autêntico – sem qualquer lamento,
sem qualquer rancor contra quem quer que seja.
Primeiro,
os pais exploram a criança porque ela não consegue nem mesmo
imaginar que eles possam enganá-la – e não é que os pais
enganam a criança intencionalmente. Eles são inconscientes.
Eles também foram enganados pelos pais deles.
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Toda
geração tem corrompido a geração seguinte. Os pais não
sabem se Deus existe ou não, mas eles fingem diante da criança
como se Deus existisse; eles a levam à igreja ou à sinagoga,
ou ao templo. Nem eles sabem e nem os seus rabinos, nem os seus
bispos, nem seus padres sabem.
Este é um mundo muito louco.
Pessoas
cegas estão conduzindo outras pessoas cegas.
E
ninguém levanta a questão: para onde estamos indo? E por que?
(...)
Eu
costumava ir com meu avô aos templos e eu via as pessoas
adorando estátuas de pedra, mortas. Que tipo de humanidade nós
criamos? Simplesmente porque alguém disse que ‘essa estátua
é a estátua de Deus.’
Ninguém
viu Deus. Nenhum fotógrafo tirou sequer uma fotografia. Como
esses escultores conseguiram fazer tais estátuas? Foi pura
imaginação.
Goutama
Buda morreu há vinte e cinco séculos e a sua primeira estátua
foi feita quinhentos anos depois. Já não havia nem mesmo uma
testemunha ocular viva. E vocês ficarão surpresos ao saber que
foi naquele tempo que Alexandre o Grande chegou à Índia; e
todas as estátuas de Goutama Buda têm o rosto de Alexandre o
Grande!
Alexandre
era um homem bonito, jovem e poderoso. Ele atraía os pintores,
os escultores e tornou-se o protótipo para Goutama Buda, para
Mahavira, para os vinte e quatro teerthankaras do jainismo.
Nenhum deles tem um rosto indiano; o rosto é grego.
Mas
meu avô dizia, ‘Não fale essas coisas. Se alguém ouvir,
eles irão pensar que eu trouxe você somente para criar
problemas.’
Eu
disse, ‘Você está errado. Você não me trouxe, você veio
comigo. Eu viria sozinho. De onde você tirou essa idéia de que
me trouxe? E a não ser que alguém me prove que essas estátuas
são de Buda ou Mahavira, por que esperar que eu as adore? Na
verdade, elas deveriam ser removidas! Elas são estátuas de
Alexandre, o Grande, um dos homens mais loucos que o mundo
conheceu, aquele que teve a ambição de conquistar todo o
mundo.
‘E
essas pessoas – Buda, Mahavira e outros – são contra a ambição,
contra o desejo. Eles renunciaram aos seus reinos, e que
estranho destino: em vez de suas próprias estátuas, as estátuas
de Alexandre estão sendo adoradas em todos os templos da Índia.’
Mas,
naturalmente os pais são poderosos, possuem mais conhecimentos,
e as crianças são indefesas, inocentes. Você consegue encher
as cabeças delas com quaisquer tolices. E com o tempo, quando
elas amadurecem, aquelas tolices estarão tão profundamente
enraizadas que elas estarão prontas para brigar por elas, elas
estarão prontas para morrer ou matar por essas tolices.
O
que são guerras religiosas? São pessoas lutando por causa
dessas ficções – ‘Deus.’ Nenhuma delas conheceu Deus,
nem os cristãos nem os muçulmanos, mas eles estão brigando
porque o deus deles é certo e o seu deus é errado.
Simplificando,
eles estão dizendo, ‘Nós estamos certos e vocês estão
errados.’ Assim, ficaria mais claro que se trata de uma briga
de egos e não uma guerra religiosa. Isso não é uma cruzada.
Todo mundo quer provar que o seu ego está certo, mas isso só
pode ser provado se ele provar que o ego de todo mundo está
errado. Com isso ele alcança uma superioridade, ele se torna
mais alto e mais santo.
Assim,
primeiro é a confiança simples da criança. E segundo... a sua
observação, Pratito, está absolutamente correta. Segundo, é
o medo.
Os
pais podem puni-lo; eles podem privá-lo. Os professores podem
puni-lo. Você tem que aceitar tudo o que lhe for dito por
aqueles que, de alguma forma, têm o poder. Dessa maneira, todo
mundo foi desviado, foi descarrilhado de seu caminho natural. E
foi colocado numa direção que nada significa para si.
É
por isso que sempre existe ansiedade, angústia e uma profunda
tristeza. Essa tristeza é existencial; a menos que você possa
ser o que lhe é natural, a primavera nunca chegará até você, as
flores nunca desabrocharão em seu ser, o amor nunca crescerá.
Você
nunca conhecerá a glória da vida e o esplendor da consciência.
Você
está dizendo, ’Agora tudo foi descascado.’ Esse
é todo o meu trabalho aqui – simplesmente descascar as
cebolas. Descascar até o ponto onde nada permaneça – apenas
a amplitude e o silêncio.
Porque uma cebola nada mais é que camadas e camadas e
camadas, e quando a camada final é retirada, suas mãos ficam
vazias.
Em
tais mãos vazias desce toda a glória, todo o reino de
Deus.
Você
não tem que ficar parado no caminho, você tem que ceder o
lugar de modo que Deus possa entrar.
Você tem que abrir as janelas e portas para que o vento
fresco possa entrar e os raios de sol vivificadores possam dançar
do lado de dentro e o quarto se tornar vivo.
Suas
crenças, suas tradições, suas escrituras, suas religiões –
tudo está fechando o seu ser de todos os lados. Nenhum ar
fresco, nenhum raio de sol, nenhuma fragrância chegando com o
ar, nenhuma vida dançando dentro de você com os raios solares
– como você pode estar feliz? Como você pode estar em êxtase?
Vivo, você está vivendo dentro da sepultura. Qualquer um que
seja cristão, ou hindu, ou muçulmano, ou budista, está
vivendo numa sepultura. Não está mais vivo.
É
bom que você tenha sido corajoso o bastante para abandonar
todas as camadas da cebola.
‘Eu caminhei através
da dor.’ Sim, existe dor
porque todas essas crenças, pensamentos e filosofias
tornaram-se parte de você, e numa tal dimensão que não é
como tirar as suas roupas – é algo como tirar a sua própria
pele. É doloroso.
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Mas essa dor vale a pena. Ela é quase a dor de uma
cirurgia, para remover o cancer de sua alma. E uma vez que você
tenha passado pela dor, o medo se acaba, a ambição se acaba.
Pratito,
a sua observação é imensamente significante para todo mundo,
porque toda ambição existe a partir do medo. Toda ambição
existe a partir de um complexo de inferioridade, porque você
tem medo de ser você mesmo. Você quer ser alguma outra pessoa
– um presidente do país, um primeiro-ministro, o homem mais
rico... e as pessoas encontram diferentes alternativas, pois
tantas pessoas não podem ser o presidente, não podem ser o
mais rico, não podem ser o primeiro-ministro. Por isso elas
criam um Rotary Club.
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A estupidez do homem não conhece limites. Num Rotary
Club, a presidência é rotativa, a ambição de todo mundo é
atendida. Mas o Rotary Clube escolhe apenas as pessoas de
destaque em cada profissão. E como ficam as outras? Elas criam
um Lions Club! E existem muitos outros clubes. A função de
todos eles é lhe dar algum consolo, de que você é um
presidente, é um secretário, que você não é um ninguém.
Os
shankaracharyas hindus, que são iguais aos papas cristãos,
se autodenominam ‘professores do mundo’ – jagat guru.
Eu vivi num lugar chamado Raipur. E eu fiquei surpreso com um
homem naquela cidade que se autodenominava Jagat Guru, o
‘professor do mundo.’ E ele não era um
shankaracharya.
Mesmo
os shankaracharyas não são jagat guru, porque o mundo
inteiro não os reconhece como mestres. Mesmo o papa que tem o
maior número de seguidores no mundo – setecentos milhões de
pessoas – não chama a si mesmo de professor do mundo. E
aquele homem estava morando próximo da minha casa. Então, um
dia eu fui até lá.
Ele
estava recebendo uma sessão de massagem; um de seus discípulos
o estava massageando. Daí, eu lhe perguntei, ‘Eu ouvi muito a
seu respeito; apenas um problema está me confundindo. Como você
se tornou o professor do mundo, Jagat Guru?’
Ele
disse, ‘É uma longa história.’
Eu
disse, ‘Seja quão longa ela for, me conte.’
E
ela tornou-se a história mais curta que eu já ouvi. A história
toda era que o homem que o estava massageando se chamava Jagat.
E ele era seu único professor, e aquele era seu único discípulo,
assim alguém sugeriu, ‘Por que você não chama a si mesmo
Jagat Guru?’ E a idéia era realmente muito satisfatória. Ele
começou a se chamar de Jagat Guru, o guru do Jagat.
Eu
disse, ‘Isto é absolutamente lógico. Na verdade, os
shankaracharyas não são jagat guru, mas você é. Mas você
disse que a história era muito longa – ela é tão pequena,
apenas duas pessoas!’
O
homem está em busca de ser alguém.
Ele
não consegue se permitir simplesmente ser ele mesmo.
Simplesmente
ser ele mesmo significa ser ninguém.
Eu
era professor numa universidade e próximo ao meu quarto morava
o chefe do Departamento de Economia. E eu fiquei surpreso: ele
era indiano, mas seu nome era Doctor Gilbert Shaw. Esse é um
nome estranho porque na Índia... Gilbert Shaw?
Por
fim, eu me apresentei a ele. E lhe perguntei. ‘Eu tenho apenas
uma indagação, e é por isso que eu cheguei até você. Como
você veio a ter um nome tão estranho, Dr. Gilbert Shaw?’
Ele
ficou sério. Mas eu lhe disse, ‘Você terá que me contar.
Caso contrário, eu virei todo dia e vou espalhar por toda a
universidade: ‘Perguntem como esse homem tornou-se Gilbert
Shaw.’ Então, simplesmente me conte.’
Ele
ficou com medo e disse, ‘Não diga a ninguém, pois eu estou
aqui há dois anos e ninguém me questionou isso. A verdade é
que meu nome era Gither Sahai, mas quando eu fui para Londres
fazer o meu doutorado, eu mudei para Gilbert Shaw. E quando eu
voltei... esse nome parece dar mais prestígio. Apenas o nome
parece impressionar mais as pessoas – Gilbert Shaw. Gither
Sahai... existem tantos Gither Sahai.’ Gither era um dos nomes
de Krishna, e Sahai era a sua casta.
Vendo
milhares de pessoas, eu vim a conhecer essas mentes doentias. Até
mesmo mudar o nome, dando-lhe algum colorido para fazê-lo
parecer ocidental – como se ele fosse o filho de George
Bernard Shaw, ou pelo menos algum parente distante.
As
pessoas querem ser alguém. Mas é devido ao medo. O medo é de
que ninguém o conheça; de que não faça qualquer diferença
para o mundo se você existir ou não. Ninguém se lembrará se
você esteve aqui ou não.
As
pessoas não estão interessadas em viver, mas em serem
lembradas.
Qual
a utilidade de ser lembrado quando você já estiver morto?
‘Entendendo toda essa
jornada com os olhos abertos, eu estou sentado sob o céu
bebendo o doce esplendor, dia e noite. Osho, parece não existir
escuridão alguma, nenhum fim, algumas vezes nem mesmo eu.’
Não existe escuridão.
A
escuridão é apenas a falta de luz.
Os
nossos olhos não são capazes, mas existem animais, corujas,
que podem ver na noite – é o dia delas. Pela manhã chega a
noite delas, porque seus olhos são tão delicados que elas não
conseguem abri-los sob os quentes raios de sol. Assim, durante
todo o dia, elas estão na escuridão e por toda a noite elas
estão na luz. A diferença entre escuridão e luz é apenas de
grau.
É
igual à diferença entre o frio e o calor; o mesmo termômetro
pode lhe mostrar qual é a temperatura. Está frio ou quente? A
diferença é apenas de graus. Sempre que você vir coisas
opostas, lembre-se que a diferença é apenas de grau. Não há
oposição em lugar algum. Nada é contraditório.
E
certamente não existe fim, porque não existe começo algum. A
Existência sempre esteve aqui, ela está aqui, ela sempre estará
aqui, e nós somos parte dela. As formas podem mudar, mas a
realidade essencial permanece a mesma.
E
você diz, ‘algumas vezes nem mesmo eu.’ O
que está acontecendo algumas vezes, logo se tornará um
reconhecimento permanente de que você não é. Somente a existência
é.
Mas o primeiro vislumbre começou a chegar para você.
Você está certo, o círculo está completo. Você está
novamente tornando-se inocente, cheio de deslumbramento. Esse é
o renascimento do qual Jesus costumava falar – ‘a não ser
que você nasça novamente, nesta mesma vida, você não alcançará
o reino de Deus.’
Antes
que a morte chegue, todo mundo tem que se tornar uma criança
novamente. Então, não haverá morte, então você morrerá
conscientemente, sabendo perfeitamente bem que somente o corpo
se tornou velho e sem utilidade e será renovado.Você estará
mudando de casa.
O
único problema para alcançar novamente a sua infância é que
tudo aquilo que, devido à confiança e ao medo, você aceitou
da família, da sociedade, da igreja, da escola – terá que
ser abandonado.
Isto
precisa coragem.
Mas
o que você abandonar não tem significado e o que você vai
ganhar é imenso em sua verdade, em sua beleza, em sua alegria.
E isto vale a pena, abandonar tudo e tornar-se uma criança
inocente novamente.
Minha
definição de sannyasin é: a luta para tornar-se uma criança
novamente. Naturalmente, a segunda infância tem uma grande
diferença da primeira. A primeira infância era ignorante e a
segunda é inocente. O ponto de demarcação é muito difícil,
mas uma vez compreendido, é simples.
A
criança ignorante parece inocente, mas logo ela perderá a sua
ignorância. Ela terá que se tornar instruída. Na medida em
que ela cresce, ela terá que alcançar todos os tipos de
conhecimentos, simplesmente para sobreviver na sociedade.
A
segunda infância chega depois que já você tiver conhecido
tudo e souber da futilidade de todos esses conhecimentos e os
tiver abandonado. Isso não é ignorância – é apenas um tipo
de consciência totalmente diferente.
Isso
é consciência.
Você
não cairá novamente na armadilha de ser bem informado. A
primeira infância era somente negativa, a segunda é alguma
coisa positiva.
Ignorância
significa ausência de conhecimento.
Inocência
significa a presença do deslumbramento.
Uma jovem vai se casar com um grego. Na noite antes das
bodas, sua mãe chamou-a num canto. ‘Agora olhe’, disse a mãe
para a filha, ‘os gregos são um pouco estranhos. Se alguma
vez ele lhe disser para virar-se, eu quero que você saia da
cama, pegue suas roupas e volte aqui para casa.’
Assim,
eles se casaram e tudo foi bem nos dois primeiros anos.
Então,
numa noite, enquanto eles estavam na cama, o homem disse para a
mulher, ‘meu docinho, vire-se agora.’
Ela
ficou muito perturbada, saiu da cama, pegou suas roupas e começou
a fazer suas malas. Quando ela estava pronta para partir, o
perplexo homem disse, ‘Querida, espere um minuto. Qual é o
problema?’
Enxugando
suas lágrimas, ela disse, ‘minha mãe disse que vocês gregos
são estranhos e que se você me dissesse para virar-me, eu
deveria pegar minhas roupas, deixá-lo e voltar para a casa
dela.’
‘Mas,
docinho,’ disse o homem, ‘você não disse que queria se
engravidar?’
OSHO – The Hidden Splendor - Cap. 1 – Pergunta 1
Tradução:
Sw. Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
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os direitos reservados
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