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Conexão
Brasil
outubro
de 2008
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O
romance não consegue ser duradouro
Veena
mora na comuna e é editora do Osho. Ela lhe escreveu uma
nota, dizendo que estava se sentindo muito fechada e se
isolando de tudo e de todos ao seu redor – incluindo
Naresh, o homem com quem ela estava vivendo.
“Esse momento chega para todo relacionamento. Faz
parte da vida. Mais cedo ou mais tarde, o romance começa a
desaparecer, e romance é um tipo de coisa que não consegue
ser muito duradouro. Ele é muito excitante, quando existe,
mas quando ele se vai, a pessoa se sente completamente
fechada. Porque a abertura não era sua – ela era
decorrente do toque romântico inicial, da emoção que
sempre vem quando um relacionamento começa. Sempre que começa
um relacionamento, você está cheio de esperanças. Todas
essas esperanças são falsas. Mas isso não interessa
naquela hora. Todos aqueles sonhos serão desfeitos, mas
quem se importa? Aqueles sonhos são belos e dourados.
E quando se está
num sonho, ninguém quer ser acordado, porque acha que está
sendo arrancado de seu belo mundo. Porém, mais cedo ou mais
tarde, o sonho terá que terminar, ele não consegue
continuar para sempre. Sonho algum jamais continua – é
por isso que ele é chamado de sonho.
Na Índia nós
definimos verdade como aquilo que permanece para sempre,
para sempre e para sempre. A eternidade dela é a sua essência.
Aquilo que começa e termina é ‘maya’, um sonho, uma
ilusão.
Assim, todo
relacionamento quando começa é belo e poético. Depois,
pouco a pouco, a poesia é perdida porque você se torna
familiarizado com a outra pessoa, e ela se torna
familiarizada com você, de modo que a novidade já não
mais existe; a sensação já não está mais ali. Nada mais
existe para ser explorado; a exploração acabou. Então,
você começa a viajar pelo mesmo caminho de novo, de novo e
de novo. E isso cria tédio. Isso cria uma espécie de
meditação transcendental. Você repete um mesmo mantra de
novo, de novo e de novo.
Nada mantém você
acordado, de modo que começa a ficar sonolento, começa a
se fechar. Nada existe para ver, então por que manter os
olhos abertos? Nada mais existe para experienciar, então
por que estar aberto? A emoção já se foi... A lua-de-mel
acabou. Porém, somente assim alguma coisa significativa é
possível.
Duas possibilidades se abrem quando um relacionamento
morre, quando se esfria. Uma possibilidade é você trocar
de parceiro. Então você poderá viver novamente um sonho
por uns poucos dias. Mas o problema surgirá de novo, de
modo que essa possibilidade é apenas uma maneira de
transferir o problema para depois, empurrando-o para mais
adiante. Ele não será resolvido desse jeito. E isso é o
que está acontecendo no ocidente.
Escolha a parte emocionante, o início, somente a
lua-de-mel. Mas isso se torna uma flutuação. Muitas
pessoas entrarão em sua vida e você flutuará e sonhará.
E aos poucos você verá que aqueles sonhos ocuparam toda a
sua vida e nada aconteceu. Um dia se sentirá tremendamente
frustrado... Essa é a abordagem mais fácil.
No
oriente nós pensamos de uma outra maneira. Nós pensamos
que quando um relacionamento se esfria, este é o momento
para um verdadeiro relacionamento começar. Mas então o
relacionamento será uma prosa, não uma poesia. Ele será
da terra, e não abstrato e do céu.
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É preciso ter coragem para seguir adiante nesse
processo. Assim como a primeira fase passa, a segunda também
passará, lembre-se. Porque tudo o que acontece aqui é apenas
uma fase passageira. Se eu lhe tivesse dito no começo que esse
sonho iria terminar, você não me escutaria. Você diria,
‘Como?’ Nenhum amante escuta. E fica parecendo que a pessoa
que lhe diz isso é seu inimigo. Mas agora eu lhe digo que ele
passou. O segundo estágio também passará se você persistir
no relacionamento.
Se dois amantes forem impedidos de se encontrar, a
primeira fase nunca terminará. Assim os amantes mais
afortunados são aqueles aos quais não se permite encontrar, de
maneira alguma. A primeira fase deles continua porque nada
existe para desfazer o sonho de suas vidas, e assim eles podem
continuar fantasiando. Uma vez que você se encontra com a
pessoa, tem que caminhar sobre a terra.
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Um dia você terá que voltar para a terra. Os sonhos não
podem ser o seu alimento; um alimento verdadeiro é necessário.
A segunda fase também é passageira porque é muito difícil
passar por ela. É muito fácil passar pela primeira porque nada
lhe é exigido; não é um desafio. Na verdade você gostaria de
ficar agarrado a ela. Agora, a segunda fase vai ser um grande
desafio para você. Ela irá repelir, ela irá forçá-lo de
todas as maneiras a abandonar o relacionamento, a mudar de
parceiro e cair de novo no sonho. Essa é toda a armadilha da
mente. Mas eu gostaria que você continuasse com o
relacionamento.
Lembre-se sempre que a dor é um grande estimulante e o
prazer é um tranquilizante. O sofrimento ajuda mais que toda
felicidade junta.
Um simples momento de sofrimento é mais valioso do que
toda uma vida de satisfação de prazeres, conforto e conveniências.
Por que? Porque você quer se agarrar ao prazer. Já o
sofrimento você quer jogar fora. Você gostaria de correr para
longe de toda aquela coisa, de escapar para algum lugar. Mas se
você der prosseguimento, uma certa integração acontecerá
para você.
E exatamente continuando com ele, permanecendo ali e não
escapando nem correndo para longe, mas encarando-o, você se
tornará forte. Pela primeira vez a alma surgirá em você. Você
sentirá que alguma coisa se ajustou. Você não é mais
simplesmente partes soltas. Todas as partes chegaram no lugar e
formaram um padrão.
Gurdjieff costumava chamar isso de o verdadeiro
nascimento do ego. Antes você tinha muitos egos, muitos
“Eus”. Sempre que uma pessoa está pronta para encarar um
sofrimento, depois de um sonho desfeito, então esse
sofrimento será tremendamente valioso. Mas você não consegue
ver isso neste exato momento.
Se você passar pelo sofrimento, você o aceitará como
uma parte. Você vivia no sonho, e agora, quem vai viver, quando
o sonho foi quebrado? Você vivia no palácio, agora vive nas
ruinas – porque todo palácio, mais cedo ou mais tarde,
torna-se uma ruina. E, quando mais cedo acontecer, melhor,
porque então o desafio surge. Assim, este é o grande desafio
para você.
Passe por ele. Aceite ele também. Algumas vezes o
terreno é muito áspero, algumas vezes a montanha é muito
perigosa para ser escalada, algumas vezes existem momentos
tristes e infelizes, e puro tédio, mas tudo isso é a vida. E a
pessoa tem que vivê-la em todas as dimensões.
Assim, a maneira mais fácil é sair do relacionamento. E
logo você começa a sonhar com um outro alguém.
Eu
não quero sair do relacionamento. Ele é a melhor parte de
minha vida!
Então fique nele, deixe que esta fase passe também. Ela
também passará; nada há para ser feito.
Sob
certo sentido, o que você está dizendo é certo. Eu quero
dizer, o meu caso amoroso com o Naresh é bom, mas o meu amor
por você e pelas meditações...
Eu
sinto como se eu estivesse sofrendo há muito tempo e estivesse
tentando observar isso e manter uma distância. Nenhum de nós
sente que isso é por causa do outro. Nós temos tentado ajudar
um ao outro e nós nos sentimos muito próximos.
Eu
não sei – talvez você consiga ver...
Não, não. Você está tentando enganar. Você pode não
saber... Mas como é possível que você não saiba? No fundo
você deve saber.
Quando o caso amoroso das pessoas está indo bem, elas
ficam muito abertas também para mim. Mas elas não estão
abertas para mim – elas simplesmente estão abertas para o
amor e para o sonho. Em tal sonho, elas sonham que estão
abertas para mim. Quando o caso amoroso delas termina, elas também
se sentem fechadas para mim, porque elas nunca estiveram
abertas.
Mas, medite sobre isso. Se você pensa que não existe
problema algum entre você e o Naresh, e se você se sente próxima
de mim, então isso não será difícil; algo pode ser feito.
Mas primeiro você tem que decidir se isso é entre você e
eu... Porque eu não vejo dessa maneira.
Você está projetando algo como sendo entre você e eu,
de modo que você possa salvar o Naresh e o relacionamento. Você
está tentando desviar a sua mente. Assim, ao invés de você
ficar com raiva dos seus sonhos, você fica com raiva das meditações.
Você está jogando todo o peso em cima delas, o que não é
verdade; isso é apenas uma desculpa.
E isso acontece por toda a vida. Nós nunca definimos
exatamente a causa. É dessa maneira que a miséria continua
crescendo. Uma vez corretamente diagnosticado, noventa e nove
por cento dos problemas desaparecem. (...)
Pense a respeito disso por sete dias e depois me conte.
Mas se você pensa que o que está causando algum problema para
o seu relacionamento amoroso é este ashram e o fato de viver
aqui, então eu sou sempre a favor do amor. Esqueça este ashram
completamente e esteja em qualquer lugar que você goste. Mm?
Pense sobre isso de novo."
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OSHO – Beloved of my Heart - 22 de maio de 1976
Tradução:
Sw. Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos
os direitos reservados
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