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Conexão
Brasil
março de
2006 |
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Todos os
meses apresentamos nesta coluna uma dica do Osho que
podemos incorporar ao nosso dia-a-dia, ampliando mais a nossa consciência e
nos trazendo
mais centramento.
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O
Êxtase e a Arte de Testemunhar
“Querido
Osho,
Eu sempre estou oscilando entre uma excitação de alta
energia, onde a vida é maravilhosa e é uma alegria
estar só, e estes dias quando há uma tranqüilidade
que é estúpida e enfadonha. Num momento existe
energia, mas nenhuma consciência, e no outro existe
consciência, mas nenhuma energia.
Existe um artifício para fazer com
estes dois momentos estejam juntos?
Isto
é uma coisa muito simples. Você diz que tem momentos
de grande êxtase, cheio de energia, mas que você fica afogado nesta energia; o êxtase é tão intenso
que você se esquece de ficar alerta. Você fica imerso
naquele êxtase e a testemunha não está presente. E
você diz que existem momentos quando está triste e
entediado, mas a testemunha está ali.
Você
simplesmente precisa que colocar as coisas no seu devido
lugar. Comece com seu tédio e sua tristeza, porque a
testemunha está ali e a testemunha será a ponte.
Assim, quando você estiver triste e entediado,
simplesmente observe este estado, como se ele fosse
alguma coisa fora de você; ele é. Você sempre é uma
testemunha e agora está testemunhando tristeza e tédio.
É fácil
testemunhar a tristeza e o tédio, porque ninguém quer
ficar mergulhado no tédio. E isto é muito importante
porque você pode aprender toda a arte enquanto você
estiver entediado. Simplesmente observe o tédio e na
medida em que o seu testemunhar cresce, você verá que
existe uma distância entre você e o tédio, a
tristeza, a miséria, a dor e a angústia. Você não é
parte de toda essa experiência; você está de pé no
alto, acima das montanhas, um observador nas montanhas,
e tudo mais está se movendo lá em baixo, no vale
escuro.
Você já
tem o segredo, só falta praticá-lo mais e mais.
Sente-se ao lado de um burro, sente-se ao lado de um búfalo;
fique olhando para o búfalo e você ficará entediado.
Por todo lado você pode encontrar objetos que serão
imensamente úteis. Você não precisa esperar pela
chegada desses momentos, porque quem sabe quando o búfalo
se aproximará de você? Por que não ir até o búfalo?
Você pode
se enfiar no meio do gado e sentar-se entre os
animais. Você se vai se sentir entediado. O gado
fica pastando e mastigando o capim. Você acha que você
vai começar a pastar? Você não vai se envolver
naquilo. Sentado no meio do gado, entre os búfalos, você
vai se sentir apenas como uma testemunha.
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Não fique
triste nem entediado. Deixe que o tédio esteja ali,
assim como a tristeza. E você permanece sendo
simplesmente uma testemunha. Nestas situações, isto é
mais fácil. Depois que você já tiver fortalecido a
sua testemunha, experimente então testemunhar aqueles
momentos de êxtase, aquelas alturas... Aí será um
pouco mais difícil, pois virá uma vontade de lançar-se
naquele espaço cheio de ondas. Quem vai querer ficar
sentado num banco só observando? Surge o medo de que
aquele momento se vá, se perca, se
ficarmos só observando.
Não se
preocupe. Se você testemunhar, o momento vai permanecer
ali, a experiência vai crescer ainda mais e vai tornar-se
cheia de cores. Mas em momento algum fique identificado
com a experiência. Permaneça desapegado, simplesmente
um expectador.
A arte é a
mesma, não importa se é com o tédio ou com o êxtase.
O que importa é que você não esteja envolvido, que
mantenha a distância, que permaneça ali, parado. |

Awareness - Osho Zen Tarot
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Quando
testemunhar, você ficará surpreso, pois o tédio, a
tristeza, a felicidade, o êxtase, seja o que for, vai
começar a se mover para longe de você.
Na medida que o seu testemunhar fica mais profundo
e mais forte, se torna mais cristalizado, qualquer experiência,
boa ou má, bela ou feia, desaparece. Existe um puro nada
por toda a sua volta.
O testemunhar
é a única coisa que pode torná-lo mais consciente do
imenso nada que o circunda. E nesse imenso nada... Não é
vazio, lembre-se. Em inglês não existe uma palavra para
traduzir a palavra budista shunyata. Esse
nada não é vazio, ele é cheio da sua presença, cheio
do seu testemunhar, cheio da luz de sua testemunha.
Nesse nada,
você se torna quase um sol, e os raios do sol movem-se
dentro do nada em direção ao infinito.
Um dos místicos
indianos, Kabir, disse, ‘Minha primeira experiência foi
com o sol e na medida em que minha experiência foi
crescendo, vi que o sol externo é nada e o sol interno é
infinito. A sua luz preenche todo o infinito da existência.
E em tal momento eu sou apenas uma testemunha; eu estou lá.’
Assim, comece
testemunhando o seu tédio, a sua tristeza, porque a questão
não é o objeto, a questão é a arte de testemunhar.
Comece com qualquer objeto – raiva, ódio, amor, ciúme
– qualquer coisa serve. Se você nada encontrar, pegue
um espelho e olhe para a sua face, testemunhe-a. E você
ficará muito surpreso, pois quando você está num
completo estado de testemunhar, o espelho se torna vazio,
você não está nele.
Em total
testemunhar, o objeto desaparece.
Pela primeira
vez você será capaz de ver o espelho como um nada.
Comece com
coisas que são mais fáceis, e depois passe para as que são
mais onduladas. A ponte é simples."
OSHO
– From Death to Deathlessness – Disc n° 24
Tradução: Sw. Bodhi
Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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