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Brasil
outubro de
2007
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“The Zen Manifesto” é o nome da última série de
palestras proferidas por Osho. Após o dia 10 de abril
de 1989 Osho não voltou a falar em público. Permaneceu
em silêncio até 19 de janeiro de 1990, quando deixou o
corpo.
O texto
que selecionamos para esta seção foi extraído da
primeira palesta da série "The Zen
Manifesto".
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O
Zen nada tem a ver com a mente
"Amigos,
Este
é o tempo, o tempo propício para um manifesto Zen.
A intelligentsia
ocidental tornou-se familiarizada com o Zen,
apaixonou-se pelo Zen, mas ela ainda está tentando
abordar o Zen a partir da mente. Ela ainda não chegou
à compreensão de que o Zen nada tem a ver com a mente.
A tarefa
extraordinária do Zen é livrá-lo da prisão da mente.
Ele não é uma filosofia intelectual; ele não é uma
filosofia de jeito algum. Nem é uma religião, porque
ele não tem ficções, nem mentiras, nem consolações.
Ele é um rugido de leão. E a maior coisa que o Zen
trouxe para o mundo é a liberdade de si mesmo.
Todas as
religiões têm falado a respeito de abandonar o ego –
mas este é um fenômeno muito estranho: eles querem que
você abandone o seu ego, e o ego é exatamente a sombra
de Deus. Deus é o ego do universo, e o ego é a sua
personalidade. Assim como Deus é o centro exato da
existência, de acordo com as religiões, o seu ego é o
centro de sua mente, de sua personalidade. Todos eles têm
falado a respeito de abandonar o ego, mas ele não pode
ser abandonado a não ser que Deus seja abandonado. Você
não consegue cortar uma sombra ou um reflexo, a não
ser que a fonte de sua manifestação seja destruída.
Assim, as
religiões têm dito continuamente, por séculos, que
você deve se livrar do ego – mas por razões erradas.
Eles estiveram lhe pedindo para abandonar o seu ego para
que você possa se entregar a Deus, para que você possa
se entregar aos sacerdotes, para que você possa se
entregar a todo tipo de tolices, a todo tipo de
teologia, superstição, sistema de crenças. Mas você
não consegue abandonar o ego se ele é um reflexo de
Deus. Deus é uma mentira, lá fora no universo, e o ego
é uma mentira dentro de sua mente. A sua mente está
simplesmente refletindo uma mentira maior de acordo com
o seu tamanho.
As religiões
colocaram o homem num grande dilema: eles ficaram
louvando a Deus e ficaram condenando o ego. Assim as
pessoas ficaram num estado de divisão, num espaço
esquizofrênico. Elas tentaram arduamente abandonar o
ego, e quanto mais arduamente elas tentaram, mais difícil
de ser abandonado ele se tornou – porque, quem iria
abandoná-lo? O ego estava tentando abandonar a si
mesmo. Isto é uma impossibilidade. Assim, mesmo nos
mais humildes dos chamados povos religiosos, o ego se
torna muito sutil. Mas ele não é abandonado. Você
pode ver isso nos olhos de seus santos. (...)
Eu disse que
todas as religiões estão pregando, ‘Abandone o
ego.’ O Zen continua além do ego e além do self.
Exceto o Zen, nenhuma religião chegou no ponto de ir além
do self, além do atman, além de seu espírito,
além de sua individualidade. Isto é absolutamente uma
contribuição de um simples homem à consciência
humana – Goutama Buda.
O Zen é o
florescimento maior. Pouco a pouco, aperfeiçoando a
imagem de Goutama Buda, cada mestre contribuiu com
alguma coisa, uma nova dimensão. Goutama Buda é a única
pessoa em toda a história da humanidade que disse,
‘Simplesmente abandonar o ego não vai ajudar. Ele
pode ser abandonado facilmente se você abandonar
Deus.’ Ele abandonou Deus e o ego desapareceu. A lua
desapareceu. O reflexo desapareceu. Ele saiu do espelho,
o espelho estava vazio. O seu reflexo no espelho
desapareceu. Ele estava lutando com o reflexo. (...)
Goutama Buda
abandonou a idéia de Deus, e foi incrível que à
medida que Deus desapareceu, o ego desapareceu. Ele era
apenas um reflexo de Deus. Daí o meu esforço para
remover Deus. Sem remover Deus você não consegue
remover o ego. Ele é a sombra da mentira maior no
pequeno lago de sua mente. Então, à medida que o ego
desapareceu com Deus, Buda veio a compreender que mesmo
o self tinha que desaparecer.
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Existem religiões que têm Deus, ego e o self:
Judaismo, Cristianismo, Maometismo, Hinduismo. E existem
religiões que não têm Deus – Taoismo, Budismo,
Jainismo – mas elas têm o self. Porque elas não
têm Deus, o ego desaparece por si próprio. Agora, todo o
esforço delas é como fazer o seu self puro e piedoso.
Buda
é o único homem que disse, ‘Se não existe Deus, não
existe ego, o self também é arbitrário e
artificial. Conforme você for mais profundo em sua
interioridade, você de repente se descobre desaparecendo
no oceano da consciência. Não existe nenhum self
como tal. Você não é mais, somente a existência é.’
Então, eu chamo o Zen essencialmente liberdade de
si mesmo. Você tem ouvido a respeito de outras
liberdades, mas liberdade de si mesmo é a maior liberdade
- não ser e permitir que a existência se expresse em
toda a sua espontaneidade e grandeza. Mas é a existência,
não você, não eu. É a vida dançando, ela mesma, não
você, não eu.
Este é o
Manifesto Zen: liberdade de si mesmo.
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E somento o
Zen refinou, nesses vinte cinco séculos, métodos e
dispositivos para fazê-lo consciente de que você não é,
de que você é arbitrário, apenas uma idéia.
À medida que você vai além
da mente, mesmo a idéia de ‘eu sou’ desaparece.
Quando o ‘eu’ desaparece e você começa a sentir um
profundo envolvimento na existência, sem quaisquer
limites, somente então o Zen floresceu em você. Na
verdade, este é o estado, o espaço da consciência
desperta. Mas ele não tem qualquer ‘eu’ no centro,
nenhum atman, nenhum self.
Para tornar
isso claro para você... Sócrates diz ‘Conheça a si
mesmo.’ Goutama Buda diz, ‘Conheça – apenas conheça,
e você não encontrará a si mesmo.’ Entre
profundamente em sua consciência, e o mais profundo que
você for, o seu self começa a se dissolver.
Talvez essa seja a razão porque nenhuma das religiões,
exceto o Zen tenha tentado meditação – porque meditação
destruirá Deus, destruirá o ego, destruirá o self.
Ela o deixará no nada absoluto. É apenas a mente que o
faz ter medo do nada.
Quase todos os
dias eu recebo questinamentos, ‘Por que nós temos medo
do nada?’
Você tem medo
porque você não conhece o nada. E você tem medo apenas
porque intelectualmente avalia, ‘Qual é o sentido? Se
em meditação você tem que desaparecer, então é melhor
permanecer na mente.’ Pelo menos você é – talvez
ilusoriamente, talvez seja apenas uma idéia, mas pelo
menos você é. Qual é o sentido de fazer todo esse esforço
sem esforço só para desaparecer no nada?
A mente
simplesmente faz você se precaver quanto a ir além dos
limites da mente, porque além desses limites, você não
é mais. Essa será a morte maior.
Um Goutama
Buda morre da forma maior, você morre apenas
temporariamente. Talvez por apenas poucos minutos, poucos
segundos, e você entra num outro útero. Alguns idiotas
estão sempre fazendo amor ao redor do mundo, nas vinte e
quatro horas, e você não tem que viajar longe, ali mesmo
na vizinhança.
Direto, vinte
e quatro horas, milhões de casais estão fazendo amor,
seja qual for o casal mais próximo, aqui você morre e
ali você nasce. O intervalo é muito pequeno.
Mas um homem
iluminado, um homem que veio a conhecer o seu nada, o seu
não-self, o seu anatta, simplesmente desaparece no
cosmos.
Mente é medo,
e isto parece lógico, óbvio. Qual é o sentido? Por que
se deve fazer uma tal coisa na qual se desaparece?
Goutama Buda
foi questionado repetidas vezes, ‘Você é um
companheiro estranho. Nós viemos aqui para realizar o
nosso self e a sua meditação é para DESrealizar
o nosso self.’
Sócrates era
um grande gênio, mas confinado à sua mente; ‘Conheça
a si mesmo.’ Não existe self algum para ser
conhecido. Este é o manifesto Zen para o mundo. Nada há
para se conhecer. Você simplesmente tem que ser um com o
todo. E não há necessidade alguma de ter medo...
Apenas pense
por um momento: quando você não era nascido, havia
alguma ansiedade, alguma preocupação, alguma angústia?
Você não estava ali, não havia problema algum. Você é
o problema, o começo do problema, e depois, à medida que
você cresce, mais e mais problemas... Mas, antes do seu
nascimento, havia algum problema?
Continuamente,
os mestres Zen perguntam aos novatos, ‘Onde você estava
antes de seu pai nascer?’ Uma questão absurda, mas de
imensa significância. Eles estão lhe perguntando. ‘Se
você não estava, não havia problema. Então, qual é a
preocupação?’ Se a sua morte se torna a morte maior e
todos os limites desaparecem, você não estará ali, mas
a existência estará. A dança estará ali, o dançarino
não estará. A canção estará ali, mas o cantor não
estará.
Isto somente
é possível de experienciar, entrando mais fundo, além
da mente, até a exata profundidade do seu ser, até a
exata fonte da vida, de onde a sua vida está fluindo. De
repente você percebe que a imagem de si mesmo era arbitrária.
Você é sem imagem, você é infinito. Você estava
vivendo numa gaiola. No momento em que você percebe que
as suas fontes são infinitas, de repente a gaiola
desaparece e você pode abrir as suas asas pelo céu azul
e desaparecer. Esse desaparecimento é anatta, esse
desaparecimento é liberdade de si mesmo. Mas isso é possível,
não através do intelecto, isso é possível através da
meditação. Zen é um outro nome para meditação. (...)
Uma vez que
você conheça meditação, você não tem que seguir alguém.
Você tem seus próprios olhos abertos e você tem a sua
luz exatamente à sua frente, mostrando o caminho, e tudo
o que é certo e tudo o que é bom acontece sem escolha. Não
é que você esteja fazendo aquilo, você não consegue
fazer de outra maneira.
Por seiscentos
anos na China, o budismo era apenas um exercício
intelectual, uma boa ginástica. Mas quando Bodhidharma
entrou na China, ele mudou toda a idéia a respeito do
Zen. As pessoas estavam falando sobre o Zen como se ele
fosse uma outra filosofia, o que não é; como se ele
fosse uma outra religião, o que não é. Ele é uma
rebelião contra a mente e todas as suas religiões e
filosofias são parte da mente.
Esta é a única
rebelião contra a mente, contra o self, a única
rebelião para retirar todos os limites que o aprisionam e
dar um salto quântico no nada. Mas esse nada é muito
vivo. Ele é vida, ele é existência. Ele não é uma hipótese.
E quando você dá o salto, a primeira experiência é que
você está desaparecendo. A última experiência é que
você se tornou o todo.”
Osho
– The Zen Manifesto – capítulo 1
Tradução:
Sw. Bodhi Champak
Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION,
Suiça.
Todos os direitos reservados
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